Uma ousada Tornado com balança monobraço

Uma ousada Tornado com balança monobraço

Quando o Valmir (Polaco) me ligou para apresentar o seu projeto eu não acreditei.
– O quê? Você fez uma balança monobraço para uma Tornado? E ela anda em linha reta? – Confesso que essa pergunta eu não fiz, mas eram grandes as minhas suspeitas, queria ver de perto. Agendamos a visita para um rápido test ride.

Tornado preparada pelo Polaco - Balança monobraço

O tanque rebaixado da mais espaço para o piloto.A moto era usada e recebeu uma série de outras modificações no motor, suspensões, freios e rodas. As peças plásticas todas receberam acabamento simulando fibra de carbono e adicionadas faixas vermelhas de muito bom gosto.

No pequeno percurso que fizemos com ela, percebemos que o alinhamento é perfeito e não há nenhum movimento parasita da balança, pelo menos em uso normal. Para conseguir esse feito, o Valmir diz que é essencial que o ponto de fixação dos rolamentos da roda esteja alinhado com o centro da moto. Assim ao receber um impacto, se a estrutura da balança for suficientemente rígida, sem flexões nela mesma, o movimento da roda será totalmente controlado pela suspensão e o ponto de fixação original do chassi não receberá forças adicionais àquelas da balança normal. Inclusive, por essa razão, todo mecanismo do link da suspensão e alinhamento da coroa e corrente permanecem como antes.

A roda tem um aspecto limpo e provocante.Todo mecanismo do pro-link permanece original.

Um tanque modificado faz a frente da moto ficar mais leve e dá mais acesso ao piloto nas manobras radicais da SuperMoto. As rodas de dimensões extremas produzem muita tração para contornar curvas em grandes velocidades e o motor, agora entregando quase 35 CV na roda traseira, pode aproveitar bem essas características. E como em 6000 rpm a potência já está bem plana, o piloto não tem problemas em encaixar as rotações em qualquer marcha da moto. Os números prometem muito, mas na pequena volta que demos não deu para verificar todo potencial da moto. O que deu para notar foi o capricho e limpeza na execução de todo projeto. Não dá para inventar muito. Para progredir num projeto original tão bom quanto as fábricas conseguem produzir hoje em dia é preciso muito equipamento e muitas horas de desenvolvimento para se conseguir uma moto diferente, com aspectos exclusivos. Para um aficionado, só isso já vale o investimento. Veja essa moto no salão da motocicleta, no stand da Levorin.

Em 9200 rpm atinge 33,37 CV na roda e já em 6000 permanece bem plana até o máximo

Ficha técnica

Motor

Cilindrada 414 cm³
Diâmetro x Curso 90.5 x 64.4 mm
Taxa de compressão 12,9:1
Comando de válvulas Desenvolvimento Polaco 305º
Cabeçote Fluxo otimizado em banca
Potência máxima 34,6 cv a 9.200 rpm
Torque máximo 2,76 kgf.m a 6.500 rpm

Suspensão

Dianteira SHOWA 43mm c/ 200mm curso multiplas regulagem de mola e click (sag de 5 cm).
Traseira Rebaixada 4 cm, Amortecedor revalvulado, alteração de curso (sag de 8 cm).
Balança Aluminio laminado liga 7000 no barramento. Eixo em aluminio forjado – comprimento 3 cm a mais do original. Ajuste da corrente por meio de peça excentrica.

Freios

Dianteiro Discos flutuantes duplos de 380mm de diâmetro e pinças Nissin de 4 pistões.
Traseiro Disco simples, com 220mm de diâmetro

Pneus e rodas

Pneu Dianteiro Michelin 120×70-17
  Roda ENKEY Largura e diâmetro. 3,5 x 17 polegadas
Pneu Traseiro Michelin 200×60-17
  Roda ENKEY Largura e diâmetro. 5.5 x 17 polegadas

 

Obs.: Para facilitar a discussão sobre esse assunto, além da área de comentários abaixo, criamos um tópico no fórum para os motonliners que preferem este formato. Clique aqui para acessar o tópico



Pioneiro no Motocross e no off-road com motocicletas no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista), que organizou a 1ª prova de enduro tipo FIM (Enduro da Mentira). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas. É editor técnico e consultor no Motonline.