União, a força contra ataca o crime

A efic cia de pol¡ticas p£blicas no combate ao crime organizado depende de uma mudan‡a de mentalidade dos administradores e da sociedade civil.

Os ataques no Rio de Janeiro e em SÆo Paulo dÆo mostras de que nÆo ‚ mais poss¡vel concentrar os esfor‡os das pol¡cias somente sobre os efeitos da criminalidade. Mais do que nunca, vivemos um momento em que devemos unir for‡as para encontrar as causas que levaram … sensa‡Æo de caos social, impedindo o surgimento de novos grupos pelo Pa¡s.

H  algum tempo, subverteu-se a l¢gica que deveria reger a ordem p£blica, com os bandidos antevendo a atua‡Æo dos policiais. Se esse cen rio nÆo mudar, corremos o risco de assistir … falˆncia definitiva do sistema, tanto na  rea da Seguran‡a P£blica como na administra‡Æo dos pres¡dios. A solu‡Æo passa pelo fortalecimento dos setores de inteligˆncia das for‡as de seguran‡a, que exigem investimento pesado em pessoal especializado e equipamentos de ponta para surpreender os bandidos.

O “modus operandi” adotado pelas organiza‡äes criminosas no Brasil ‚ muito parecido com o de outras partes do mundo. A diferen‡a ‚ que l  fora o trabalho da pol¡cia ‚ mais investigativo e integrado com outros ¢rgÆos governamentais. Nos anos 90, a pol¡cia italiana percebeu que nÆo bastava combater a m fia somente com a prisÆo de seus l¡deres, que eram rapidamente substitu¡dos por outros integrantes. A organiza‡Æo se enfraqueceu quando a pol¡cia concentrou seus esfor‡os na descoberta das contas banc rias utilizadas para financiar os mafiosos, que abasteciam suas contas com o dinheiro do tr fico de drogas e o com‚rcio ilegal de armas.

No Brasil, os criminosos tamb‚m agem na explora‡Æo dos jogos de azar e cobram um “ped gio” de quem est  envolvido com a organiza‡Æo, esteja ele dentro ou fora de uma penitenci ria. Se houvesse o m¡nimo de planejamento, a pol¡cia de SÆo Paulo poderia ter abortado os ataques de maio do ano passado, quando dezenas de pessoas foram mortas. O governo demorou para compreender a situa‡Æo. Com a ajuda da Pol¡cia Federal e do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), conseguiu obter bons resultados no cerco …s contas correntes do PCC.

Pelo discurso adotado, a nova c£pula da Seguran‡a P£blica indica que levar  esse trabalho adiante. Tamb‚m promete criar condi‡äes para fortalecer o elo entre policiais civis e militares, al‚m de liderar um esfor‡o conjunto com outros Estados e a UniÆo para uma atua‡Æo integrada e convergente com as For‡as Armadas.  ver para crer. No Rio, o falat¢rio ‚ o mesmo, ainda mais depois das den£ncias de que membros do alto escalÆo estÆo envolvidos com a m fia que controla as m quinas de jogos de azar eletr“nicos, uma ind£stria que anualmente gera quantias milion rias utilizadas para financiar o crime.

No final do ano, a Assembl‚ia Legislativa de SÆo Paulo aprovou a lei que pro¡be a instala‡Æo e a utiliza‡Æo de m quinas ca‡a-n¡queis, videobingo e videop“quer nos estabelecimentos comerciais do Estado. S¢ para se ter uma dimensÆo do neg¢cio, alguns comerciantes do centro da capital j  amea‡am fechar as portas quando a lei come‡ar a ser aplicada, sob o risco de perder um ganho di rio, por m quina, de at‚ R$ 500. Para ter maior efic cia, a legisla‡Æo depende de regulamenta‡Æo do Executivo, que vai definir os valores das multas e os respons veis pela fiscaliza‡Æo dos estabelecimentos comerciais.

O efeito dessa medida depende do envolvimento da sociedade civil e de autoridades do Executivo, Legislativo, Judici rio e das for‡as de seguran‡a para que a lei seja cumprida. Ningu‚m pode cobrar uma a‡Æo efetiva s¢ da pol¡cia enquanto nÆo colaborar com a a‡Æo da pr¢pria pol¡cia, seja por den£ncias an“nimas ou pelo boicote aos jogos eletr“nicos e ao tr fico de drogas. O joguinho inofensivo de hoje pode ser o combust¡vel para o caos de amanhÆ. Depois, nÆo adianta reclamar da pol¡cia.

* Romeu Tuma ‚ delegado de Classe Especial da Pol¡cia Civil, deputado estadual (PMDB), ex-presidente e atual integrante da ComissÆo de Seguran‡a P£blica, presidente da ComissÆo de Defesa dos Direitos do Consumidor e Corregedor da Assembl‚ia Legislativa de SÆo Paulo e foi delegado Chefe da INTERPOL.