Velas (parte 2)

NÆo ‚ aconselh vel a limpeza da vela com jatos de areia ou banhos qu¡micos, pois os  cidos utilizados na limpeza e “recondicionamento” atacam as partes vitais da vela, causando grandes desgastes, alterando o dimensionamento da vela, que acabar  causando danos na rosca do cabe‡ote, al‚m de for‡ar o sistema de igni‡Æo. Podemos, no entanto, fazer uma manuten‡Æo na vela, retirando o excesso de sujeira depositado na porcelana e nos eletrodos (na parte interna) e regulando a folga entre os eletrodos. Esta limpeza poder  ser feita atrav‚s de raspagem com uma pequena escova de metal.

A vela dever  ser sempre do tamanho correto para cada tipo de motor, pois existem velas com rosca de diƒmetro maior e com maior ou menor comprimento da rosca. Nas velas encontradas no mercado interno (NGK), a primeira letra na primeira casa nos dar  o diƒmetro da rosca. Na segunda letra, ou casa, a caracter¡stica da vela. Na terceira casa, temos o n£mero do grau t‚rmico (menor mais quente, mairo mais frio). Na quarta casa, a letra determinar  o comprimento da rosca. E na quinta casa, a letra determinar  o tipo do eletrodo utilizado.

Atualmente, as motos utilizam uma grande quantidade de componentes eletr“nicos, o que exige a utiliza‡Æo de velas com supressores de ru¡dos e interferˆncias, pois a voltagem que passa pelas velas chega a ser superior a 30.000 volts. Al‚m do ve¡culo, n¢s os humanos tamb‚m utilizamos equipamentos eletroeletr“nicos, como o marca-passo card¡aco, por exemplo, que teria problema se o sistema de igni‡Æo nÆo tivesse funcionamento perfeito. Motos como a RD 350 e DT 200, que possuem sistema eletr“nico para o funcionamento do YPVS, utilizam velas do tipo resistivas.

Al‚m das velas resistivas, temos as velas que possuem eletrodo central de metais preciosos, feitos de uma mistura de ouro e pal dio, que possuem como caracter¡stica principal o eletrodo central extremamente fino, nÆo necessitando assim de tanta voltagem para o funcionamento das velas. Desta forma, teremos partida mais f cil no motor, melhor desempenho, com conseqente economia de combust¡vel. Esta vela ‚ utilizada em motos de motocross como equipamento original, sendo poss¡vel e aconselh vel a sua utiliza‡Æo em motos de uso normal.

Para que possamos verificar o estado das velas e do motor, ‚ importante analisarmos a colora‡Æo apresentada nas velas. A colora‡Æo deve ser verificada na porcelana, pr¢xima aos eletrodos, pois ‚ neste ponto que a temperatura da vela atinge o m ximo. Caso a vela possua cor marrom claro ou cor de pele, tudo vai bem, tanto na vela quanto na carbura‡Æo e no sistema de igni‡Æo. Se a cor estiver muito clara, indo para o branco, ou a vela ‚ muito quente, ou o ponto de igni‡Æo est  muito adiantado, ou a carbura‡Æo est  muito pobre. Esta colora‡Æo poder  aparecer casualmente quando o motor for muito exigido, fora de sua utiliza‡Æo normal. Nesses casos ‚ aconselh vel o uso de uma vela mais fria.

Caso a cor da vela esteja muito escura, indo para o preto-fosco ou preto-brilhante, ou a vela ‚ muito fria, ou o ponto de igni‡Æo esta muito atrasado, ou a carbura‡Æo poder  estar muito rica, ou o filtro de ar sujo, ou poder  haver desgaste dos an‚is do pistÆo ou retentores de v lvulas (motores de 4T) ou a bomba de ¢leo muito aberta (motores 2T). Neste caso ‚ aconselh vel o uso de velas com grau t‚rmico mais quente.

Sendo assim, podemos verificar que, com a simples an lise criteriosa da vela de igni‡Æo, poderemos detectar falhas no sistema de alimenta‡Æo e igni‡Æo de um motor, al‚m de verificarmos se estamos utilizando o ve¡culo de forma correta e adequada. Al‚m disso vale um lembrete: se sua moto for monocil¡ndrica (usar uma s¢ vela), ‚ aconselh vel deixar com as ferramentas, sempre uma vela nova de reserva. Quanto …s velas usadas, jog -las fora ‚ o mais indicado, pois na hora da necessidade a mesma poder  se apresentar oxidada, e neste caso nÆo funcionar .

Aten‡Æo: quando em uma emergˆncia nos deparamos com uma vela em curto, e que nÆo apresente fa¡sca entre os eletrodos, ‚ aconselh vel a quebra da parte interna da porcelana a fim de deixarmos o eletrodo interno totalmente exposto (na parte interna da vela), isto far  com que o eletrodo se aque‡a rapidamente, eliminando o carvÆo que provoca o curto na vela. Mas lembre-se: isto far  com que a vela tenha um grau t‚rmico muito elevado, podendo danificar o motor em uso prolongado, sendo que esta solu‡Æo s¢ dever  ser efetuada em casos de emergˆncia, devagar e por poucos km.

Competi‡Æo, a vela ‚ tudo
Depois de correr de kart e moto 2T por 22 anos aprendi a lidar e interpretar as velas. O motor 2T recebe ¢leo na mistura e isso precisa ser feito com uma precisÆo cir£rgica para evitar excesso ou falta de ¢leo. Para saber como est  a mistura, a vela ‚ a figura mais importante. A cada regulagem da mistura era preciso testar e “ler” a cor da vela. Na minha inata e absoluta incapacidade de ver nuances de cores, sempre contava com algum auxiliar. Al‚m disso havia uma tabela de cores para facilitar esse trabalho. Era preciso sair, dar uma ou duas voltas at‚ o motor atingir a temperatura de funcionamento, depois “esticar” uma marcha at‚ a rota‡Æo m xima, puxar a embreagem e cortar a igni‡Æo. EntÆo o mecƒnico retirava a vela e ficava minutos olhando, como se estivesse analisando um achado arqueol¢gico, munido at‚ de lente de aumento. Depois pegava a chave de fenda e dava 1/64 volta no parafuso de ar e l  ia eu de volta pra pista. Ap¢s repetir essa rotina algumas dezenas de vezes por treino eu adquiri um ¢dio visceral por velas. Felizmente a tecnologia substituiu tudo isso por v rios aparelhinhos que medem a temperatura da vela, conta o n£mero de detona‡äes, abertura de acelerador, acionamento dos freios etc. Ainda bem que parei de correr, j  pensou esse dedo-duro ligado o tempo todo! (Tite)