viagem de moto ao pantanal

Viagem de moto ao pantanal, em busca da onça pintada

Existem viagens de moto que são aventuras genuínas, gravando com poeira, sorrisos e lembranças para sempre nossas memórias. Esta é mais uma destas, que proporciona uma experiência inesquecível: viagem de moto de São Paulo ao Pantanal, com 2.500 km de chão e uma missão: encontrar um dos felinos mais incríveis do mundo – e o maior das Américas-, a onça pintada. Suba na carona da Yamaha Crosser e desbrave este destino!

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A autora deste relato é a motociclista Eliana Malizia, piloto de testes de motos, repórter de mototurismo e lifestyle. Hoje seu escritório é tanto na pista quanto na estrada, desde que em cima de uma moto. Ela cursou fotojornalismo e Educação Física, fez MBA em Marketing e cursos extensivos em Los Angeles e também já passou por revistas especializadas, sites, e jornais. Hoje, relata suas histórias de viagens e reconhecimento profissional no seu site pessoal, o Acelerada e também na revista Playboy.

Uma experiência sensorial única. Suba na garupa desta 150 cc e viva a aventura

Uma experiência sensorial única. Suba na garupa desta 150 cc e viva a aventura

Em busca da onça pintada – por Eliana Malizia

Esta foi uma das minhas maiores aventuras de moto, uma viagem de superação, desafio, aprendizado e momentos emocionantes. Sem dúvida, 99% das minhas viagens eu realizo sozinha; dificilmente viajo em grupo, anda mais em se tratando de um percurso de 2.500 quilômetros. Porém, desta vez, “supertopei”: formamos um grupo de seis motociclistas, cada um a bordo de uma Yamaha Crosser 150 cc.

Eliana Malizia, acompanhada por outros jornalistas e pilotos, narra a aventura em busca da onça pintada. Mais de 2.500 km com uma XTZ Crosser 150

Eliana Malizia, acompanhada por outros jornalistas e pilotos, narra a aventura em busca da onça pintada. Mais de 2.500 km com uma XTZ Crosser 150

A viagem teve um nome, o Tour Interativo Crosser, nome dado porque, durante toda a viagem, seguidores e clientes Yamaha puderam nos acompanhar em tempo real, através de um site e das redes sociais. A missão da nossa viagem? Encontrar a onça pintada! E aí, será que encontramos?

Viagem de moto ao Pantanal: Lá vamos nós!

Chegou a hora! E lá estava eu, ansiosa, pronta para a partida, com os meus cinco amigos motociclistas: Jorge Negretti, Lawrence Wahba, Tiago Toricelli, Glauber Leite e Teo Mascarenhas. Partimos da capital de Sampa, com a meta de chegar ao Pantanal, no Mato Grosso, em busca do maior felino das Américas, a onça pintada.

Asfalto, terra, areia... pontes e jacarés! Para desbravar o percurso é preciso coragem

Asfalto, terra, areia… pontes e jacarés! Para desbravar o percurso é preciso coragem

Logo no primeiro dia, rodamos 450 km e pernoitamos na cidade de Assis, ainda no estado de São Paulo. No segundo dia, aceleramos mais 460 km; atravessamos a divisa para o Mato Grosso do Sul e dormimos em Nova Alvorada do Sul. A próxima parada foi em Campo Grande, capital do estado, onde conhecemos um aquário que ainda está fechado ao público. Olha que legal, fomos o primeiro grupo de privilegiados a conhecer o local! Que, por sinal, é o máximo!

Seguimos então até Coxim. Neste dia, rodamos mais de 500 km, e foi quando passei pelo meu primeiro desafio. Além de pilotar à noite em uma estrada sem iluminação, ventava muito e, muitas vezes, tive a sensação que, com o vento, seria jogada da moto.

Se não bastasse a escuridão e a ventania, a luz do combustível acendeu, o que me deixou ainda mais tensa. Não havia posto de gasolina neste trecho e eu estava praticamente sozinha. Alguns dos meninos estavam à frente e o restante muito atrás. Mas foi assim, até chegar ao hotel. No fim, deu tudo certo. Graças ao tanque reserva da Crosser é possível pilotar uma média de 100 km. O consumo médio dela é de 35 km/por litro.

Este foi um dia de superação… Mas ganhei um presente! Durante o trajeto, presenciei um pôr do sol maravilhoso e, por vários momentos, tucanos atravessavam a estrada!

De Coxim (MS) a Rondonópolis (MT)

O quarto dia chegou. Nosso trajeto nele era de Coxim até Rondonópolis. Naquele momento, o coração já começava a apertar, pois estávamos cada vez mais próximos do Pantanal e da nossa grande missão de encontrar a onça pintada. Antes de chegar em Rondonópolis, paramos em Alcinópolis, onde fomos recebidos por Ildomar Carneiro Fernandes, o prefeito da cidade, e a equipe dele, que nos guiou até a principal atração local, o Parque Natural Municipal Templo dos Pilares.

Olha a onça aí gente, no clique de Johanes Duarte!

Olha a onça aí gente, no clique de Johanes Duarte!

O que até então eu não sabia era que, para chegar lá, teríamos de percorrer cerca de 30 km de estrada de chão de areia fofa. Logo no início, comecei a balançar a cabeça, como quem diz “será impossível, não vou conseguir”. Me deu até vontade de chorar, pois senti que não conseguiria seguir em frente, que poderia cair e estragar a viagem de todos. São tantos anos de experiência de motos e estradas, mas eu nunca havia passado por terrenos desta situação. Nesta viagem, pilotava uma moto de pneu misto, e, além da minha falta de prática na areia, achei que a Crosser não aguentaria o terreno… Mas aos poucos fui relaxando, me concentrando e pegando dicas dos mais experientes e… Não é que eu consegui chegar?

Me surpreendi com a moto e, claro, fiquei contente comigo, também. No caminho, até levei um tombinho e faço outra confissão: adorei cair na areia fofa! Às vezes, acho que sou um pouco maluca, afinal, quem gosta de cair? Mas, sim, achei divertidíssimas as sensações das derrapadas e de cair na areia. Faz parte da aventura, faz parte do off road.

O Parque Natural Municipal Tempo dos Pilares

Parque Natural Municipal Tempo dos Pilares é um dos muitos locais a se conhecer na região

Parque Natural Municipal Tempo dos Pilares é um dos muitos locais a se conhecer na região

Chegando ao parque, a grande surpresa! Presenciamos vestígios de uma civilização que habitou a região há 11 mil anos, em um abrigo natural sob grandes rochas de arenito, onde foi possível apreciar artes rupestres. O Parque fica em uma área de reserva de uma fazenda, por isso só é permitido chegar lá com guia e horário marcado com a empresa Ecos Parques Tour.

Depois do passeio no Parque, fomos recebidos com um delicioso almoço. Neste, o curioso pra mim foi provar o pequi, que, na língua indígena, significa “casca espinhenta”. O pequi, fruto do pequizeiro, é nativo do cerrado brasileiro e conhecido como um fruto afrodisíaco. Adorei o sabor exótico, mas adianto… É daqueles sabores que ou você ama, ou odeia.

Lindas estradas

Partimos então para Rondonópolis, no Mato Grosso, onde pernoitamos. No dia seguinte, o destino foi Poconé. Nestes trechos, passamos por uma estrada MA-RA-VI-LHO-SA, um dos pontos altos da viagem! Era uma estrada tão perfeita que mais parecia um cenário. Por ela não passavam carros, não havia comércio, nem postes de luz. Só tinha a gente ali e, assim, conseguimos curtir o silêncio e o show de pássaros de diversas espécies que voavam muito próximos de nós. Senti, em diversos momentos, a sensação de estar levitando… Eu, literalmente, viajei naqueles momentos!

O momento pediu uma oração de agradecimento, que fiz ali, de dentro do capacete. Senti uma paz indescritível, e chorei de felicidade. Como viver e saber viver é magnifico, não é mesmo? Como é bom poder compartilhar de tal alegria e beleza junto de amigos; é gratificante!

Ela entrou para um banho e saiu para o almoço

Ela entrou para um banho e saiu para o almoço

Poconé (MT)

A partir daí, parei de marcar quantos quilômetros estávamos percorrendo por dia, pois estava começando a ficar ansiosa. Agora, o foco era encontrar a onça pintada. Era o nosso quinto dia de viagem e o pernoite foi em Poconé, onde dormimos pouco, afinal, ali já havia a chance de encontrar a onça. Entusiasmados, acordamos às 5 horas da manhã para começar a busca. Saímos com o carro-safari do hotel e, em menos de 15 minutos, encontramos pegadas de onça pelo caminho. Logo em seguida, demos de cara com uma e seu filhote! Foi mais um momento emocionante pra mim, poder presenciar, tão de perto, um animal selvagem em seu habitat natural, longe do zoológico. Não encontrei ali apenas a beleza de uma onça, mas, sim, a sensação de felicidade de ver um animal livre e independente, do jeito certo de ser.

Tivemos muita sorte, diga-se. Até os nativos da região disseram que fazia tempos que não encontravam uma onça com filhotes – ainda mais em tão pouco tempo de busca. Fomos, realmente, premiados. Aproveitamos o momento para apreciar o nascer do sol multicolorido e ainda ganhamos outro presente: no caminho de volta, encontramos um tamanduá. É muita sorte em um dia só!

Nesta estada, o que também foi muito bacana, foi a presença de lobos que circulavam pelo hotel, sem se importarem com a nossa presença.

A grande aventura começa

Sexto dia de trip, hora de partir para uma das mais desafiadoras estradas brasileiras, a Transpantaneira. Eu não sabia o que me esperava. Sem exageros, por vários momentos, me senti no filme de ação Indiana Jones! Foram 140 km de terra, com mais de 90 pontes em situações precárias, esburacadas, com madeiras soltas e, embaixo delas, centenas de jacarés. Havia chovido forte e passamos por trechos de lamas grudentas, e, claro, todos nós atolamos. A Yamaha Crosser não tem pneus 100% off road. Mas, mesmo assim, a moto nos permitiu vencer mais um desafio: conseguimos passar por toda lamaceira e também por grandes poças d’água, que foi a parte refrescante do trecho. Foi uma forma de aliviar um pouco o calor, pois a temperatura naquele dia passava dos 40ºC.

Definitivamente, uma viagem para corajosos - independente de seu sexo ou cilindrada de sua moto

Definitivamente, uma viagem para corajosos – independente de seu sexo ou cilindrada de sua moto

Os trechos da estrada foram, sim, muito difíceis. Mas o tempo todo fomos recompensados com a beleza da natureza, de diversos animais, inclusive de uma onça – o que nos deu um pouco de medo, pois não sabíamos se ela poderia se assustar com as motos e, talvez, até querer nos atacar. Mas, enfim, chegamos vivos, salvos e felizes ao nosso destino final, o Porto Jofre. Foram 2.500 km percorridos a bordo de uma moto de 150cc e com grandes desafios. Chegamos em clima de comemoração!

Dois dias de descanso

Já no Hotel em Porto Jofre, no interior do Pantanal, foi o momento de relaxar, de sair em passeios de barco em busca de mais onças. A partir daí, vimos mais seis delas e todas as vezes era motivo de comemorar. Em minha opinião, a onça é o animal mais lindo e exuberante que existe. Apaixonada por animais que sou, encontrar uma onça no habitat natural dela foi bastante emocionante.

Pantanal, até breve

Esta viagem foi um grande desafio. Mesmo com mais de 15 anos de experiência em viagens de moto, esta foi daquelas que lembrarei sempre com alegria e lágrimas nos olhos. A companhia dos amigos motociclistas foi perfeita. Cada um com a sua personalidade: a elegância do Téo, a calma e gentileza do Tiago, as piadas do Negretti, o humor do Glauber, o amor pelos animais do Lawrence; e eu, como a única mulher, tive o respeito de todos. Nós nos completamos nesta trip; foi a combinação perfeita! Foi uma das melhores viagens da minha vida!

Escalação para o Tour Interativo Crosser: Jorge Negretti (lenda do motocross e freestyle), Lawrence Wahba (explorador e documentarista de vida selvagem), Glauber Leite (autor da “Jornada 9 de julho”, onde percorreu 45 mil quilômetros por 7 países com uma Yamaha Ténéré 250), Teo Mascarenhas (“O Estado de Minas” e “Vrumm”), Eliana Malizia (site “Acelerada” e revista “Playboy”) e Tiago Toricelli (Yamaha Motor do Brasil).

Escalação para o Tour Interativo Crosser: Jorge Negretti (lenda do motocross e freestyle), Lawrence Wahba (explorador e documentarista de vida selvagem), Glauber Leite (autor da “Jornada 9 de julho”, onde percorreu 45 mil quilômetros por 7 países com uma Yamaha Ténéré 250), Teo Mascarenhas (“O Estado de Minas” e “Vrumm”), Eliana Malizia (site “Acelerada” e revista “Playboy”) e Tiago Toricelli (Yamaha Motor do Brasil).

E quanto as dificuldades que enfrentamos: não é para qualquer um. Viajar com uma moto de alta cilindrada teria sido bem mais fácil… Por isso, adorei vivenciar o desafio de uma aventura dessas pilotando uma 150 cc. A Crosser me impressionou, não teve problema algum, durante toda a viagem.

Este roteiro é, com toda certeza, maravilhoso com qualquer tipo de veículo. No entanto, por ter sido concluído com uma moto de baixa potência, fez desta jornada uma GRANDE aventura. Uma aventura que durou pouco – nove dias –, mas o pouco tempo que durou foi o suficiente para deixar lembranças inesquecíveis! Viagem incrível, pantanal incrível, motociclistas incríveis!

Voltarei mais vezes e, se me perguntarem se eu voltaria para o Pantanal pilotando uma 150cc, podem ter certeza que sim: eu faria tudo de novo!

Onde ficar

Pantanal Mato Grosso Hotel, em Poconé / http://www.hotelmt.com.br/pantanalmatogrosso/

Hotel Pantanal Norte – Porto Jofre / http://portojofre.com.br

Fotos: Johanes Duarte/Photo and Road

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