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Vias cicláveis é o novo projeto do Soluções para Cidades da ABCP

A Associação, que já atua com alternativas para melhorar a mobilidade urbana, passa a fomentar o tema infraestrutura cicloviária, oferecendo auxílio técnico a prefeituras e gestores públicos para aumento da malha

Um projeto piloto desenvolvido em São Sebastião do Paraíso/MG, envolvendo futuros arquitetos e urbanistas e com premiação prevista para o dia 2 de setembro, durante o Concrete Show, marca o ponta-pé inicial da ABCP em atuar junto a prefeituras em projetos que contemplam o desenvolvimento urbano pela multiplicação de vias cicláveis (ciclovias, ciclofaixas e vias compartilhadas). O tema passa a compor o programa Soluções para Cidades, que desde o ano passado desenvolve ações de apoio à administração pública na superação de desafios do crescimento urbano, como a mobilidade urbana e projetos relacionados à habitação de interesse social e saneamento básico.

O desdobramento do Soluções para Cidades é um incentivo aos gestores públicos que querem implantar vias cicláveis em suas cidades como meio de transporte alternativo e ambientalmente amigável. A ABCP pode contribuir com a especificação de materiais e capacitação de mão de obra para a execução de pavimentos à base de cimento.

Sistemas como concreto moldado in loco, pavimento intertravado e placas de concreto, segundo Cristiane Bastos, arquiteta e urbanista da ABCP, são soluções de alta durabilidade com baixo custo de manutenção e excelente conforto de rolamento para os ciclistas.

A arquiteta diz que as peças de concreto são recomendadas porque sua coloração clara reduz a absorção de calor na superfície do pavimento, melhorando o conforto térmico e diminuindo a formação de ilhas de calor, causadas pela impermeabilização do solo. A redução pode chegar a 20ºC. A qualidade da superfície, menos vulnerável ao surgimento de buracos, também reforça a segurança dos ciclistas, prevenindo a ocorrência de acidentes, diz Cristiane. “O concreto desempenado moldado in loco e as placas de concreto proporcionam conforto de rolamento, sem deixar a superfície lisa e escorregadia”, explica Cristiane.

No caso do pavimento intertravado, sua aplicação levaria em conta funcionalidades como reduzir a velocidade, principalmente em cruzamentos, além de permitir a sinalização horizontal. “Os três sistemas permitem pigmentação, diferenciando visualmente a via ciclável, fator importante para a segurança do ciclista”, afirma a arquiteta. 

Outro fator é a viabilidade técnico-econômica: o pavimento requer poucos gastos com manutenção, tem ampla vida útil e proporciona uma economia com energia elétrica em razão da alta reflexão do concreto.

Falta de infraestrutura inibe uso da bicicleta
Enquanto uma população valoriza cada vez mais o uso de meios de transporte de baixo custo, ambientalmente corretos e que oferecem facilidades para locomoção, o gargalo de uma infraestrutura urbana ideal, que ofereça segurança aos ciclistas, chamou a atenção da ABCP para incorporar o tema ao programa Soluções para Cidades. “Existe uma demanda reprimida de ciclistas e isso se dá pela falta de vias de trânsito seguras para o uso da bicicleta. Resolver esse problema requer uma ação planejada, capaz de diminuir a vulnerabilidade do ciclista, e integrada, que favoreça o acesso a outros modais. Com infraestrutura diversa, as pessoas terão a chance de escolher o meio de transporte que seja mais favorável a elas”, afirma Cristiane.

Ainda são poucos os municípios com planos cicloviários abrangentes, que englobam toda a cidade. Segundo a arquiteta, apenas Porto Alegre, Salvador, Rio Branco, Vitória, Sorocaba, Belo Horizonte, Aracaju, Santos e Rio de Janeiro possuem esse planejamento.

O Brasil conta, hoje, com 600 km de ciclovias, sendo o Rio de Janeiro a cidade com a maior malha cicloviária do País, com cerca de 160km. A capital paulista, segundo dados do Plano Regional Estratégico (PRE) e da Agenda 2012, possui um plano que prioriza áreas periféricas e, segundo ele, deveria terminar o ano de 2012 com 522 km de ciclovias. A distância entre o que já existe (35,7 km, cerca de 7% do que foi planejado) e a meta traçada dá a dimensão do quanto ainda se tem por fazer. Os números brasileiros são bastante tímidos. Copenhagen, na Dinamarca, por exemplo, tem 340 km de vias cicláveis.

Ciclovia, via compartilhada ou ciclofaixa?
Nas grandes metrópoles, a segurança e o conforto do ciclista demandam uma infraestrutura que permita integrar o usuário da bicicleta ao tráfego, longe de vias saturadas ou de alta velocidade, alerta Cristiane. Segundo ela, em grandes avenidas, é importante segregar o ciclista de veículos automotores e a solução para isso é a ciclovia. “No caso da ciclovia, além da necessidade do elemento segregador, é preciso considerar se a ciclovia é unidirecional ou bidirecional, para determinar o espaço livre para o ciclista, para a sarjeta e ultrapassagem.”

Em cidades de médio e pequeno portes, o condutor do veículo motorizado convive melhor com o usuário da bicicleta, mas é importante avaliar as características de cada cidade, desde movimentação da via até o relevo da cidade. No caso de vias compartilhadas e ciclofaixas, o uso do pavimento de concreto também gera ganhos. Por não sofrer deformação plástica ou trilhas de rodas, o pavimento é fator de maior conforto e segurança para todos os usuários.

Além de o pavimento ser uma variável importante para se evitar acidentes, bem como a sinalização vertical e horizontal, a educação no trânsito também é ponto-chave para a segurança no trânsito.