VW refina direção automatizada

Um conceito amplo e ultra-avançado para automatizar porções do ciclo de direção está sendo estudado a fundo em Ehra Lessin, local do campo de provas da Volkswagen na Alemanha. O conceito envolve a utilização tanto de tecnologias já existentes entre os carros topo de linha da empresa, como alguns que já se sabe que provavelmente nunca entrarão em produção normal.

A visão VW a esse respeito é simples e direta: nada de direção automática, e sim ajuda em situações problemáticas.

Antes de qualquer -pedaço- dessas tecnologias ser eleito para produção, o sistema automatizado em si terá de enxergar e reagir como um verdadeiro motorista.

O iCar (Intelligent Car) da Volkswagen terá -aprendido- com o Stanley, um dos carros conceito da marca que já competiu no Desafio DARPA, e com o veículo de pesquisas Golf 53. A DARPA, como já mostrado neste site, é a agência de projetos de pesquisas de defesa americana, que desafia grupos de engenharia a construir um veículo capaz de andar sozinho.

O Stanley venceu a competição em 2005 e o Golf 53, originalmente feito para ajudar nos testes da DARPA, dois anos atrás andou a 240 km/h em duas pistas alemãs sem ninguém ao volante. O Passat é ideal para isso, na opinião dos engenheiros alemães, porque já possui direção eletromecânica, acelerador eletrônico e freio de estacionamento elétrico que pode ser comandado por computador. Sua transmissão de duas embreagens também contribui para sua eficiência neste desafio.

O iCar já tem todas essas tecnologias – mas diversamente do carro DARPA, todo o hardware está no seu porta-malas. Suas câmaras que cobrem 360 graus, seus radares e sensores não são externamente visíveis. Um só atuador comanda acelerador, freios e direção.

Há uma grande diferença entre o que a VW está fazendo e seus concorrentes: nas palavras de Arne Bartels, chefe do programa, — Estamos de olho em nossos clientes, enquanto eles estão de olho no conhecimento puro–.

O iCar não faz tudo aquilo que Stanley faz. Durante um test-drive com a imprensa, o engenheiro no banco do motorista tira suas mãos do volante ao mesmo tempo que o tráfego à frente pára. O iCar freia suavemente sem problemas, seguindo o esquema o tráfego à frente. A 130 km/h (na Aleanha, lembrem-se), o iCar apoxima-se de uma curva , seus quatro computadores amassam dados e o sistema de navegação automaticamente diminui sua velocidade para 85 km/h e faz a curva maciamente – sem desviar um centímetro de onde deveria estar.

É cada vez mais comum ver-se motoristas fazendo tarefas secundárias, tipo comendo ou falando ao celular. A idéia do iCar é justamente dar uma ferramenta que permita que eles façam essas tarefas secundárias sem entrarem em risco. Mas a VW chama atenção para o fato de que, no futuro previsível, o motorista ainda será responsável pela maior parte do percurso.

O maior problema são os pedestres – e para o futuro previsível, a direção automatizada somente será exeqüível fora dos centros urbanos.

José Luis Vieira


José Luiz Vieira, Diretor, engenheiro automotivo e jornalista. Foi editor do caderno de veículos do jornal O Estado de S. Paulo; dirigiu durante oito anos a revista Motor3, atuou como consultor de empresas como a Translor e Scania. É editor do site: www.techtalk.com.br e www.classiccars.com.br; diretor de redação da revista Carga & Transporte. –