duas

Yamaha Crypton T115 x Honda Biz 125

Pré-leitura – Cada moto possui características específicas e cada pessoa que a utiliza tem diferentes experiências. Por isso cada conjunto piloto-motocicleta resulta em uma experiência única. As pessoas tem preferências e gostos diferentes e por isso o Motonline acredita que a escolha da moto é uma escolha pessoal e que não existe uma moto que seja boa igualmente para todos. Por isso nossos comparativos não trazem uma moto “vencedora”. Motonline procura trazer informações sobre diferentes quesitos das motos – visual, performance, dirigibilidade, consumo, “custo x benefício”, entre outros. O objetivo destas informações é ajudar você a fazer sua escolha e abrir a discussão. O Motonline sempre incentiva a discussão, mas uma discussão construtiva. Sua opinião pode ser diferente da dos demais motociclistas e é isso que enriquece a discussão. Expresse sua opinião, respeite a opinião de todos e Boa leitura!


Essas duas são as maiores representantes da classe de moto que faz o maior sucesso em vendas no mundo. A Honda Super Cub é ainda a moto mais vendida na história e sua dinastia está espalhada por todo o mundo. Tanto sucesso desde 1958 não ficaria só por muito tempo e outras fábricas de motos fizeram a suas versões dentro desta classe – CUB (Cheap Urban Bike – Moto Urbana Barata/Econômica). De construção simples e muito resistentes, em muitos países asiáticos dividem as ruas com os também pequenos scooters, numa espécie de monopólio do mundo das duas rodas.

Duas guerreiras urbanas

Duas guerreiras urbanas

Claro que isso tem a ver com a legislação, que restringe o uso de motos maiores apenas a estradas, mas reflete diretamente no trânsito de muitos destes países, onde estas pequenas motos são maioria nas ruas e usar moto no dia-a-dia faz parte do que hoje chamamos de “mobilidade urbana”. Alguns destes países estimulam o uso das motos como política para diminuir a necessidade de investimento em transporte coletivo urbano. Evidentemente que isso passa por uma oferta a preço muito acessível e no fim das contas, elas vendem muito por isso, mas também porque são versáteis, econômicas e duram muito. Na verdade elas são quase indestrutíveis.

A posição de conduzir na Yamaha lhe coloca com os braços mais baixos

A posição de conduzir na Yamaha lhe coloca com os braços mais baixos

No Brasil apresentamos neste comparativo as duas mais representativas – Biz e Cryton – nas suas versões mais completas. Para muitos aquela moto da Honda emprestou o nome para a categoria, mas o correto é chamá-las de motonetas. Como noutras categorias, a Honda Biz 125 lidera, seguida pela também Honda POP e a terceira é a Yamaha Crypton T115. Há outras no mercado brasileiro, como a Dafra Zig+ e a Kasinski Win, além da Traxx e da Shineray que vendem motonetas nesta categoria, mas cuja participação é incipiente. Porém, se você se interessa por elas, consulte o Guia de Motos do Motonline.

A proposta destas motonetas é urbana e familiar. Assim, serem econômicas é característica, mas a Honda Biz 125 ES Flex deixou a desejar em comparação com a rival Yamaha T115 Crypton. Rodando com etanol a Biz chegou aos 29 km/l e na gasolina alcançou 34 km/l. Já a Crypton, que só roda com gasolina, fez média de 45 km/l, marca 32% melhor. É importante destacar que o mesmo motociclista andou com as duas motos na mesma condição urbana de uso regular, com as motos já amaciadas e abastecidas no mesmo posto de combustível. Aliás, a capacidade do tanque de combustível é pequena (5,5 litros na Biz e 4,2 na Crypton) e a autonomia para as duas motos fica limitada a pouco mais de 150 km.

Para abrir o banco: na biz (esq), na lateral; na Crypton, sob o farol traseiro

Para abrir o banco: na biz (esq), na lateral; na Crypton, sob o farol traseiro

Tendo como ambiente ideal as ruas e avenidas esburacadas das cidades, as rodas grandes nas duas motos são uma vantagem frente aos scooters, por exemplo, que também são urbanos, mas têm as rodas menores. Junto com as suspensões mais compliantes, ambas percorrem com desenvoltura e eficiência a buraqueira das cidades. A Biz é mais encorpada e tem o banco maior e mais macio, trazendo um pouco mais de conforto. A Crypton é mais esguia, mais leve e um pouco mais curta e consegue executar manobras rápidas com leveza e precisão. A diferença para a Biz é bem pequena, mas perceptível para quem usa a moto intensamente.

Na Biz as manobras rápidas e contornos precisos das curvas são possíveis graças à boa integração entre chassi e suspensão. E os pneus não deixam faltar aderência e previsibilidade, mesmo quando abusados. Na Yamaha a sua leveza se torna presente com a extrema facilidade em executar manobras e contornos, o que na Biz deixa a impressão de ser mais estável, mas não é o caso. É que a Crypton, além de ser mais leve, tem uma geometria mais rápida e isso pode dar a impressão de ser menos estável. Quem gosta de fazer curvas rápidas gosta dessa característica. Um pouco mais de esportividade que faz uso de maior habilidade do motociclista.

Painel da Biz (esq) é mais moderno, mas funcionalidade é a mesma; na Crypton tem a mais a luz "top" de última marcha engatada

Painel da Biz (esq) é mais moderno, mas funcionalidade é a mesma; na Crypton tem a mais a luz “top” de última marcha engatada

A roda traseira menor na Biz permite um porta bagagem maior sob o banco. A Honda, aliás, patenteou este padrão nas suas motos deste tipo e nenhuma outra marca pode usar o mesmo recurso (roda menor e espaço maior sob o banco). E esse espaço todo faz boa diferença a favor da Honda Biz, pois cabe um capacete fechado (não todos os modelos) e ainda outros objetos. Na Crypton há um espaço menor por causa da roda maior na traseira, suficiente apenas para pequenos objetos. Nenhuma das duas motonetas tem bagageiro e os fabricantes admitem um pequeno bauleto, mas que levem pouco peso, pois o desequilíbrio na moto é grande e pode ter forte efeito na pilotagem.

Andando nelas você percebe que a Yamaha anda um pouco mais, mas é pelo pouco peso que o motor menos potente carrega. Se o piloto for mais pesado...

Andando nelas você percebe que a Yamaha anda um pouco mais, mas é pelo pouco peso que o motor menos potente carrega. Se o piloto for mais pesado…

Os freios trabalham bem, mesmo nas versões a tambor. Porém, esses requerem manutenção constante para manter o freio bem ajustado e seguro, por isso vai demandar um pouco mais de manutenção. Crypton e Biz trazem a mesma configuração de freios, com disco dianteiro de 220 mm de diâmetro e tambor na traseira. Só que Biz há dois pistões “mordendo” o disco e na Crypton pistão simples. No entanto, com roda menor, o tambor também é menor na Biz (110 mm ). Entretanto, nenhuma destas diferenças são perceptíveis em qualquer condição e as duas motos são bem seguras para frear.

Como nos scooters, nas motonetas é só acelerar e andar, sem precisar acionar embreagem, mas é necessário trocar marchas. A embreagem é automática e os engates são diferentes. Todas as marchas são acionadas pisando na parte da frente do pedal e para retornar pisa-se na parte de trás do pedal. O câmbio é rotativo na Biz e semi-rotativo na Yamaha, o que resulta na prática que na Honda você pode passar da quarta para o neutro, acionando mais uma vez para baixo pedal. Na Crypton é preciso pisar na parte de trás passando por todas as marchas para voltar até o neutro, como  acontece com qualquer moto. Além dessa diferença, o neutro nessas motos fica antes da primeira e não entre a primeira e a segunda marcha como nos câmbios convencionais. É preciso um pouco de atenção no começo, mas logo se acostuma.

Na Biz o câmbio é sequencial, você pode voltar ao neutro com um único toque para frente

Na Biz o câmbio é sequencial, você pode voltar ao neutro com um único toque para frente

Apesar de simples, esse funcionamento exige cuidado. Além da embreagem principal, centrífuga, uma segunda embreagem é anexada ao pedal do câmbio, quando este é acionado. Ao soltar a alavanca a embreagem se acopla, fazendo o motor engatar na roda. Isto quer dizer que se acelerar esse tipo de moto com o pedal de câmbio apertado, a embreagem centrífuga cola, mas a segunda embreagem mantém a roda solta. Se soltar de repente, a moto pode dar um pulo ou uma arrancada forte. Para evitar isso, deve-se ter o cuidado de sempre deixar o motor na marcha lenta, para acionar o câmbio com a moto parada. Por esta característica, há quem considere este tipo de câmbio superado por alternativas mais inteligentes, como o CVT que equipa motonetas e scooters.

Definitivamente, esse tipo de moto, como os pequenos scooters, não é feito para uso rodoviário. Vale destacar os pontos vulneráveis e isso vale para a Biz e para a Crypton. Os pequenos motores não têm potência suficiente para desenvolver velocidade para fluir no tráfego das estradas e rodovias. Mesmo em avenidas expressas o motociclista que usa essas motonetas deve ter muita atenção e ficar ligado nos espelhos para dar passagem aos veículos mais rápidos. Em trechos onde o fluxo se desloca mais lentamente (até 80 km/h), tanto a Biz quanto a Crypton acompanham bem.

O motor da Biz, depois que recebeu a injeção eletrônica melhorou muito, mais ainda quando recebeu a nova configuração flex. Tanto Crypton quanto Biz  tem comando no cabeçote, mas a Biz com diâmetro e curso de 52,4 por 57,9 mm e cilindrada maior, tem uma faixa mais ampla de torque, de forma que o câmbio de 4 marchas acaba por servir bem ao motor. Na Crypton o sistema de alimentação é por carburador e as respostas também são imediatas ao acelerador. Mesma configuração do motor, com exatamente o mesmo curso, mas um diâmetro menor do pistão (50,0 x 57,9 mm) resulta praticamente no mesmo tipo de curva de torque/potência. Mas por causa do menor diâmetro do pistão, a faixa útil fica um pouco reduzida e você vai querer usar uma rotação mais alta na maior parte do tempo para poder manter o motor esperto.

Espaço sob o banco é maior na Biz e cabe até um capacete

Espaço sob o banco é maior na Biz e cabe até um capacete

Espaço sob o banco da Crypton leva apenas pequenos objetos

Espaço sob o banco da Crypton leva apenas pequenos objetos

Nas duas motos, o curso do acelerador é pequeno e você acaba por utilizar pouco as médias acelerações para tirar mais proveito do motor, mas na Biz o uso em baixa rotação é favorecido pela maior suavidade que a injeção proporciona ao motor e o maior torque disponível, por causa da cilindrada maior. Também nas duas motos, a caixa de ar fica na frente do motor em uma posição um pouco vulnerável. Elas recebem bastante poeira e respingos de água de chuva que acabam por contaminar a caixa e sujar precocemente o elemento filtrante, mas na Crypton a proteção do para-lama é um pouco melhor.

Crypton e Biz, as duas motonetas mais vendidas no Brasil

Crypton e Biz, as duas motonetas mais vendidas no Brasil

A Biz tem um chassi composto por monotubo em “U”, com uma configuração que se situa entre uma estrutura de scooter e a de uma motocicleta street, como se fosse um “backbone” que suporta o motor por peças trianguladas. Dessa estrutura também prosseguem os tubos da parte traseira. Na Crypton a abordagem é parecida, mas com o tubo principal mais reto e com uma estrutura traseira mais complexa, porque esse tubo principal é mais curto. A construção, nas duas motos é esmerada, composta por soldas bem feitas, peças estampadas de reforço estrutural com bom acabamento e localização estratégica formando boas triangulações. Mas na suspensão dianteira, os tubos são suportados apenas pela mesa inferior, o que deixa o sistema mais sujeito a flexões. Contudo, na prática nada foi percebido que mereça menção.

Essas motonetas atuais são o resultado ainda do grande sucesso que fez esse tipo de moto nos anos 70. A Biz 125 por um lado conta com a injeção eletrônica que trabalha perfeitamente no controle de emissões e proporciona a utilização de qualquer proporção de álcool e gasolina no combustível. A Crypton, mais simples e apenas a gasolina, usa um carburador que ainda assim consegue passar pelo rígido controle de emissões brasileiro, mas as duas contam com uma transmissão ultrapassada. No geral tem-se ainda um resultado bastante bom e a preço acessível. O sucesso continua.

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Pioneiro no Motocross e no off-road com motos no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas.