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Yamaha Fazer 250 2018: em time vencedor também se mexe

Os consumidores já cobravam há bastante tempo uma mudança mais significativa na Fazer 250, a street que sempre manteve bom desempenho no mercado brasileiro. Desde seu lançamento em 2006 – na verdade ela foi apresentada no final de 2005 – a moto não tinha recebido mudanças significativas, exceto no seu design.

Mas agora os engenheiros da Yamaha buscaram aperfeiçoamentos não apenas estéticos, mas técnicos também, para manter a moto competitiva nos mercados onde ela é vendida, sobretudo o brasileiro. O projeto desta nova Fazer 250 2018 tem a mão de engenheiros brasileiros, indianos e japoneses, deixando para cada mercado onde a moto é vendida pequenas diferenças meramente estéticas.

A Yamaha apresenta a nova Yamaha Fazer 250 num momento extremamente positivo para a marca no Brasil. Depois de muitos anos sem crescimento real de participação no mercado, a Yamaha finalmente vai avançar e crescer algo perto de 5% este ano em vendas em relação a 2016, algo bem especial sobretudo porque o mercado brasileiro de motos vai encolher 8% em 2017 também comparado com 2016. Outro número importante é o da produção, que cresce para a Yamaha este ano 32% e o mercado diminui 8%.

Um dos fatores que impedem que a Yamaha cresça mais e mais rápido é sua fraca atuação no mercado do Nordeste do Brasil, onde a concorrente Honda domina a cena. Para que essa realidade mude é preciso que a Yamaha consiga desenvolver sua rede de concessionárias. “Nosso crescimento deste ano é real e já é fruto de uma reestruturação não apenas na linha de produtos mas principalmente na nossa rede de concessionárias”, explica Ricardo Susini, diretor comercial da Yamaha.

Essa explicação do diretor da Yamaha indica que desta vez parece que as coisas estão acontecendo de verdade, diferentemente do que já aconteceu no passado quando outros executivos disseram que a empresa estava mudando para voltar a crescer. Essa nova mentalidade combina bem com a nova Fazer 250, que deve ter papel importante nesse caminho de mudança e volta ao crescimento.

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No comunicado oficial sobre a nova Fazer 250, a Yamaha usou a expressão surpreendente para definir a nova moto. O test-ride que fizemos com ela por sinuosas estradas na região de Campos do Jordão (SP), mostrou que a palavra mais adequada seria aperfeiçoada, já que a Fazer 250 já era uma moto que agradava seus consumidores e até parecia difícil melhorá-la muito sem mexer no seu competitivo preço. Mas o grupo multinacional de engenheiros da Yamaha conseguiu aperfeiçoar a moto para que ela mantenha seu bom desempenho de mercado e siga sendo venerada por uma legião de fãs. Mas o preço subiu um pouco: R$ 14.990,00.

Mudou o chassi e com ele o design e o comportamento da Fazer 250. Uma nova posição de pilotagem surgiu e ela mistura esportividade com conforto, fruto das pedaleiras ligeiramente colocadas para trás e de um guidão em posição mais alta. O resultado prático disso tudo é uma moto mais rápida nas respostas aos comandos do piloto para mudanças de direção da moto. Outra pequena mudança está no motor, que ganhou uma caixa de ar muito maior, que alimenta melhor a mistura ar/combustível e melhora a resposta do motor.

Colabora para isso também o novo escapamento, que permite melhor fluxo de gazes na saída e gera um ronco mais grave e encorpado, o que resulta em 0,6 cv a mais na potência da moto, algo pouco perceptível na velocidade final, mas muito sensível nas respostas em rotações mais baixas. A moto realmente ficou muito mais esperta do que ela já era antes. Essa combinação de torque melhor distribuído e que aparece antes e um chassi com geometria mais rápida torna a moto melhor para o uso no dia-a-dia e, segundo a fábrica, mantém os bons níveis de consumo de combustível.

O maior apelo da Fazer 250 quando foi lançada em 2005 foi o inédito (para a época) sistema de injeção eletrônica de combustível para uma moto equipada com motor de 250 cc de capacidade cúbica fabricada no Brasil. Desta vez a Yamaha surpreende positivamente outra vez ao adotar na nova Fazer 250 2018 o ABS como item de série, o que na principal concorrente ainda é item da versão top de linha. Outro detalhe importante que merece destaque é a garantia de 4 anos oferecida para a nova moto.

Estética renovada na nova Fazer 250

As mudanças estéticas na Fazer 250 foram inspiradas na Yamaha XJ6 e procuram dar à moto uma silhueta mais arrojada e futurista, com recortes, pontas, ângulos retos e muitas peças aparentes, o que lhe dá mais porte e fica a impressão de uma moto maior. O banco em dois estágios e mais largo reforça essa impressão, assim como o novo pneu traseiro mais largo. Mudou também o farol dianteiro e lanterna traseira, ambos em LED, dando um ar mais moderno à moto e que consomem menos energia da bateria, além de iluminarem melhor.

O design mudou bastante, deixando a moto com um aspecto mais robusto

O design mudou bastante, deixando a moto com um aspecto mais robusto

O painel é totalmente digital e o destaque fica por conta dos novos indicadores de consumo instantâneo e média de consumo. Outras funções disponíveis são o velocímetro, o hodômetro total e dois parciais (trip-1 e trip-2) e “Fuel Trip” (que indica a quilometragem rodada na reserva), relógio, tacômetro de fácil leitura e também as luzes indicadoras de piscas, farol alto, neutro e alerta de motor e do sistema Blueflex.

O novo chassi mudou completamente e é ele o maior responsável pelos 4 kg a menos no peso total da Fazer 250. Antes do tipo berço duplo, agora ele é do tipo diamante, com o motor fazendo parte da estrutura. Fabricado em tubos de aço, as mudanças no chassi procuraram melhorar a resistência e a rigidez do conjunto. Outra melhora notável é o equilíbrio da moto, que mesmo exigida em trechos sinuosos, permite absoluto controle e agilidade, seja em manobras rápidas ou em baixa velocidade. A mudança do chassi diminuiu ângulo de caster e trail, que agora são de 24,5° e 98 mm (26,5º e 104 mm na Fazer 250 anterior) –, o que explica o bom resultado da nova moto.

Duas pequenas mudanças nas suspensões melhoraram o conforto. Na dianteira o garfo telescópico com tubos de 41 mm de diâmetro (antes eram de 37 mm) agora tem 130 mm de curso (antes com 120 mm) e na traseira o amortecedor único tem agora sete posições de ajuste para a pré-carga da mola. Estas duas alterações melhoraram a capacidade de neutralizar o efeito das irregularidades do piso, mas sem deixar a moto muito macia. As rodas de liga leve agora tem 10 raios e também estão mais largas, passando de 2,15 para 2,5 polegadas na dianteira, e de 3,0 polegadas na traseira, para 4,0. Os pneus são os Pirelli Sport Demon medida 100/80-17 na dianteira e na traseira aumentou de 130/70-17 do modelo anterior, para 140/70-17.

O motor que equipa a Fazer 250 é o mesmo que equipa a XTZ Ténéré 250 e a Lander e havia a expectativa de que a Yamaha pudesse mudar o motor de forma mais radical, com a adoção de arrefecimento líquido e soluções que lhe dessem mais potência. No entanto, para não colocar em risco o principal atributo deste consagrado motor, ele segue sendo o mesmo confiável e resistente monocilíndrico, de arrefecimento misto (ar e óleo) com 249,5 cm³ de capacidade cúbica e com duas válvulas acionadas por comando simples no cabeçote (SOHC – Single Over Head Camshaft).

Postura de pilotagem mistura esportividade com conforto

Postura de pilotagem mistura esportividade com conforto

Este motor gera 21,3 cv (gasolina) e 21,5 cv (etanol) ambos atingidos a 8.000 rpm. O torque é o mesmo – 2,1 kgf.m a 6.500 rpm – independente do combustível ou da mistura que estiver no tanque, agora menor que sua antecessora, com 14 litros, quando a Fazer anterior tinha capacidade de 18,5 litros no tanque. Outro detalhe que ajuda nesse desempenho positivo do motor é o sistema de injeção que segue o padrão de motos de alta cilindrada, com injetor de 10 furos. Segundo a explicação técnica da Yamaha este “refinamento” técnico permite que a atomização da mistura ar e combustível injetado no interior da câmara de combustão seja mais eficiente e que gera menos poluentes e com maior economia de combustível.

Ela segue como o bom câmbio de 5 marchas e a transmissão secundária por corrente, com coroa e pinhão de 46 e 22 dentes respectivamente. A Yamaha destaca sua confiança na nova moto com a garantia de 4 anos, a maior do mercado de motocicletas no Brasil. Apresentada em versão única, a nova Yamaha Fazer 250 ABS tem quatro opções de cores, azul metálico, branco metálico, preto sólido e vermelho com acabamento fosco, e estará disponível nos Concessionários Yamaha a partir da segunda quinzena de novembro de 2017 ao preço sugerido de R$ 14.990,00 + frete.

Ficha Técnica Yamaha Fazer 250 ABS 2018

Motor Um cilindro, SOHC, 2 válvulas, arrefecido a Ar, 4 Tempos
Cilindrada 249,5 cc
Diâmetro x Curso 74,0 x 58,0 mm
Potência Máxima 21,3 cv/8.000 rpm (Gasolina) – 21,5 cv/8.000 rpm (Etanol)
Torque Máximo 2,1 kgf.m/6.500 rpm (Gasolina) – 2,1 kgf.m/6.500 rpm (Etanol)
Alimentação Injeção Eletrônica
Taxa de compressão 9,8:1
Peso Líquido 149 kg
Câmbio 5 velocidades
Dianteira Garfo telescópico
Curso da Suspensão Dianteira 130 mm
Traseira Balança traseira tipo Monocross
Curso da Suspensão Traseira 120 mm
Dianteiro Disco hidráulico de 282 mm com sistema anti bloqueio (ABS)
Traseiro Disco hidráulico de 220 mm com sistema anti bloqueio (ABS)
Altura do assento 790 mm
Comprimento total 2015 mm
Largura Total 770 mm
Altura Total 1070 mm
Altura mínima do solo 160 mm
Distância entre eixos 1360 mm
Tanque de Combustível 14 litros (3,2 litros reserva)



Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.