Teste da XRE 300 A com ABS

Texto : Carlos (Bitenca) Bittencourt

O Motonline® acredita que desta maneira pode auxiliar efetivamente para que os Motonliners façam uma escolha mais consciente, com base em uma avaliação real do uso da motocicleta e façam uma escolha mais adequada às suas necessidades.

A XRE 300 foi feita para trafegar em três ambientes e está em um segmento de mercado onde concorrem muitas marcas, inclusive a Honda, com a Varadero, mas que está em outro patamar de cilindrada e preço. Ela veio para substituir a antiga Falcon e também a Tornado, que não são mais produzidas. Parte significativa do público deste segmento diz estar sem opção. Porém, uma análise mais atenta permite perceber uma evolução da Honda na forma de atendê-lo.

Se o usuário quisesse uma motocicleta de trilha, motocross ou enduro, antes do lançamento da CRF 230 era obrigado a comprar uma Tornado ou ainda a própria Falcon, motos de trail, e modificá-las para o uso específico. Mas com isso perdia a opção de usá-las na rua por causa dos acessórios de uso específico que teria que instalar. Hoje isso mudou. Há a CRF 230, que já vem pronta para o uso a um preço mais conveniente, sem ter que pagar por um monte de peças que teria que guardar para depois recolocar na hora de vender, até que o próximo dono provavelmente fizesse a mesma coisa. Por outro lado, ao comprar uma Tornado ou Falcon (menos nesse caso), tinha um modelo bem apropriado ao uso off-road, mas que raramente aproveitaria.

Com essa explicação queremos mostrar que a XRE 300 está sim, muito bem posicionada no mercado. Ela é na verdade uma moto para uso on-off, mas na classe aventura, de pequena cilindrada. Não pertence a nenhuma classe de competição, trilha ou lazer. Essa moto foi feita para um uso tranqüilo em viagens até longas, mas sem ter que escolher o terreno e também para um deslocamento rápido, com agilidade, no trânsito urbano.

Assim, o conforto ao conduzir se torna uma das premissas mais importantes no desenvolvimento do modelo, com uma boa distribuição de peso e o conjunto de suspensões, transmissão e motor compõe um mix de desempenho harmônico.

O motor é uma evolução daquele que equipava a Tornado-Twister, principalmente pelo aumento do diâmetro do cilindro e pistão. Houve melhora em potência e torque, notadamente torque, porque a relação entre diâmetro e curso é alterada quando o aumento de cilindrada se dá apenas no diâmetro. Para um mesmo curso, quanto maior o diâmetro, maior será o ganho em torque e menor o ganho em potência.

Se fosse aumentada a cilindrada mantendo-se a mesma relação diâmetro x curso (aumentando os dois por igual), o aumento seria maior em potência e a curva de torque permaneceria praticamente igual, acentuando o pico de potência.

Então essa alteração facilitou bastante a condução porque a elasticidade do motor ficou maior por causa do torque. Essa característica permite o uso de cada marcha por muito mais tempo e em condições mais diversas. Um item importante na facilidade de conduzir a moto, mesmo que o ganho não tenha sido maior no pico de potência.

O câmbio teve seu trabalho simplificado, uma vez que a elasticidade do motor melhorou bastante e o maior torque elimina a necessidade de mudanças freqüentes. Pudemos notar que a pilotagem em diferentes condições – cidade, estradas sinuosas, subidas de serra, saídas de curvas – dispensa muitas trocas de marcha, o que destaca o conforto até serviu de argumento para retirarem a sexta marcha. Esta sexta marcha, aliás, na maioria das ocasiões não fez falta, mas em estradas onde se permitem velocidades maiores o regime que o motor fica em velocidade de cruzeiro para longas viagens pode prejudicá-lo.

Claro que quanto menor um motor a velocidade máxima estará sempre em rotação mais alta, mas com o aumento de cilindrada da XRE e a condição de aceleração que o motor permite em todas as marchas, a sexta marcha em rotação menor e velocidade de cruzeiro (digamos em 120 Km/h no velocímetro), daria ao motor um descanso pois rodaria em rotação mais baixa.

Se você usa um motor sempre a 90% da sua faixa útil de rotação a sua vida pode ser melhorada significativamente se passar a andar a 75%. Essa diferença pode-se notar em relação à extinta Falcon.

As suspensões são bem adequadas às propostas da moto e completam bem o conjunto com o banco e posição do piloto. A traseira, mono amortecida, tem curso mais do que suficiente para carregar garupa e trafegar por terrenos acidentados. A frente, bastante leve por causa da fixação do farol na carenagem, também proporciona manobras rápidas e controladas porque os amortecedores sempre mantêm a roda em contato com o piso, absorvendo com muita competência as irregularidades.

No uso normal, não notamos nenhum movimento parasita ou aspereza característica de uma moto off-road. Não espere desempenho de moto especial, mas pode contar com um conforto extremo em condições bem ruins de percurso.

A ciclística completa o pacote da XRE 300, uma moto que responde com precisa rapidez e equilíbrio em todas as manobras. Pilotá-la transmite confiança por causa da previsibilidade que o chassi proporciona, aliado às respostas competentes da suspensão. Realmente marca uma evolução sobre os modelos anteriores.

Vê-se cuidado no posicionamento dos eixos da roda, virabrequim, balança e roda traseira de forma a proporcionar uma geometria neutra e eficiente, seguindo os padrões mais atuais. A curta distância entre eixos amplifica as respostas rápidas nas curvas e a geometria da frente deixa a moto sempre na mão. A motocicleta vai exatamente para onde você aponta a roda e isso é muito facilitado pela leveza da frente, que tem todo equipamento do painel e farol presos no chassi.

O acabamento mostra cuidado na formação das peças e encaixes. Harmonia é uma palavra que pode resumir bem a Honda XRE 300. Todos seus sistemas funcionam de forma a colaborar com o funcionamento do conjunto. Por exemplo, a suspensão colabora no resultado da ciclística que por sua vez soma com a boa ergonomia aplicada no triângulo, guidão, assento e pedaleiras. Padrão da Honda.

Os freios da XRE 300 contam com um novo sistema chamado Combined ABS, que agora marca a sua presença no Brasil. É uma nova geração de sistemas de freio para motocicletas onde o freio traseiro aciona além de sua própria pinça, também o cilindro central, dos três que estão no caliper dianteiro.

A isso, alia-se a ação de um sistema anti-travamento (ABS) que responde numa velocidade bem maior do que os antigos sistemas e assim não há grande distância entre a ação de um piloto experiente e o sistema automatizado.

Percebe-se a roda traseira no limite de tração, em qualquer tipo de piso, mas não só isso. Com o acionamento parcial do dianteiro a moto mantém um equilíbrio que às vezes pode ser perdido, agora sim, por um piloto inexperiente. Porém, isso não representa limitação em nenhuma manobra cotidiana (seria um excesso, no cotidiano, travar a roda traseira num cavalo-de-pau, por exemplo).

No dianteiro, apenas o ABS funciona, mas com a mesma precisão. Não há grande distância no resultado da frenagem feita pela mordida da pinça acionada por um piloto com boa modulação do manete, em relação ao resultado da frenagem administrada pelo sistema. Muito bom. Imagine descer uma ladeira cheia de pedras roliças e agarrar nos freios. Nada acontece, a moto nem cai de uma pedra em que passa por cima, mas aplica o freio como pode.

No nosso teste verificamos que essa moto representa um novo patamar, de novo, determinado pela Honda. Depois do lançamento das pioneiras Yamahas injetadas a Honda apressou-se e atualizou a sua linha, inclusive adicionando os modelos Mix. Mas agora, com o Combined ABS, a Honda volta a liderar a corrida da tecnologia aplicada nas nacionais. A bola agora está na quadra dos adversários, que na verdade podem dois ou mais, pois entrou mais uma nipônica verde no jogo. Aguardamos o próximo lance.

 

 

Ficha técnica
Dimensões:
Comprimento total 2.171 mm
Largura total 830 mm
Distância entre eixos 1.417 mm
Distância mínima do solo 259 mm
Altura do assento 860 mm
Peso
Peso seco (XRE 300) 144,5 Kg
Peso seco (XRE 300 A) com ABS 151,0 Kg
Capacidades
Tanque de combustível 12,4 litros
Reserva (aprox) 2,3 litros
Capacidade máxima de carga 155 Kg
Motor
Tipo 4 tempos arrefecido a ar com radiador de óleo, DOHC, 4 válvulas
Diâmetro e curso 79,0 x 59,5 mm
cilindrada 291,3 cm3
Sistema de alimentação Injeção eletrônica PGM-Fi
Relação de compressão 9,0 : 1
Potência máxima 26,1 CV a 7.500 rpm
Torque máximo 2,81 Kgm.f a 6.000 rpm
Chassi – Suspensão
Cáster – Trail 26°48’ / 109,7 mm
Pneu dianteiro 90/90 – 21M/C54S
Pneu traseiro 120/80 – 18M/C 62S
Suspensão dianteira – curso garfo telescópico 245 mm
Suspensão traseira – curso Pro-link 225 mm
Freios dianteiro – traseiro A disco – acionamento hidráulico
Sistema Elétrico
Bateria 12 v 5 Ah
Sistema de ignição Eletrônica
Alternador 275 W a 5000 rpm
Preço sugerido
XRE – 300 R$ 12.890,00
XRE – 300 A (com C – ABS) R$ 15.390,00

Tabela de consumo

Hodômetro Km rodado litros Km/litro obs
1094 início da medição
1301 207 8.40 24.64 Trecho urbano e em rodovia.
1593 292 9.52 30.67 Uso em rodovia expressa até 75% da faixa útil de rpm subida de serra
1845 252 10.84 23.25 Descida de serra de terra, asfalto e uso na estrada nível do mar
2015 170 5.66 30.04 Trecho urbano e em rodovia. Até 75% da faixa útil de rpm
2157 142 6.20 22.90 Trecho urbano e em rodovia. Até 95% da faixa útil de rpm
2329 172 10.27 16.75 Rodovia expressa, até 95% da faixa útil de rpm
2542 213 10.54 20.21 Rodovia expressa, até 95% da faixa útil de rpm
2771 229 11.10 20.63 Estrada de asfalto e terra
2970 199 10.75 18.51 Rodovia expressa, até 95% da faixa útil de rpm gasolina premium
3136 166 6.83 24.30 Trecho urbano e em rodovia.
Total 2042 90.11 22.66 Km/litro – média

 

Tabela de Avaliação

Tópico Média geral André Garcia
Bitenca
Claudinei
Motor 8.8 9.0 Está bem acertado, regimes lineares. 9.5 Muito melhorado o motor, nota-se o torque que facilita muito pilotar em qualquer terreno 8.0 Bom torque em baixa. Vibração excessiva acima de 7 mil RPM (120km/h)
Câmbio 8.7 8.5 Suave, bem escalonado, mas poderia ter a 6ª marcha que propiciaria ao motor trabalhar num regime mais baixo em rodovias. 8.0 Cambio muito bom, bem escalonado mas me demandou atenção nas trocas para evitar falso neutro, que ocorreu algumas vezes no teste 9.5 Engates precisos e macios. Falta uma 6ª marcha longa
Suspensão 9.5 10.0 Bem acertada visando conforto no trecho urbano, rodovia ou leve trilha 10.0 Excepcional essa suspensão, prima pelo conforto e controle no piso irregular de nossas cidades. Muito bem acertada. 8.5 Ótima nos buracos das vias urbanas. Em curvas mais radicais mostra molejo na traseira para meus 1,84m e 98kg.
Ciclística 9.3 9.0 Muito boa. Não senti em momento algum torção do chassi. 10.0 A curta distância entre eixos promove manobras rápidas e muita facilidade nas curvas, coisa incomum nas trail. A suspensão participa bastante desse resultado. 9.0 Muito ágil nas mudanças de direção. Não são sentidas torções do quadro
Conforto 8.8 8.5 o banco é muito bom, mas a manopla é sofrível, especialmente, para longos trechos. 9.5 Na composição desse novo modelo ficou evidente a importância que a Honda deu ao conforto em toda ergonomia. O banco largo acomoda bem o piloto e não se esqueceram do garupa que fica um pouco mais alto. 8.5 Posicionamento e banco muito confortável para meus 1,84m e 98kg. Falta lampejador do farol.
Acabamento 8.3 7.5 Pelo estilo da moto e preço o acabemento poderia ser melhor – manopla, botôes. 9.0 Bom acabamento, os sistemas interagem com harmonia. 8.5 Plásticos tem bom encaixe e ótimo acabamento na pintura.
Freios 10.0 10.0 Aqui a Honda se superou. Esse sistema ABS combinado é sensacional. 10.0 Diferente de outros ABS que soltam a moto, não freiam, para evitar o travamento, esse sistema realmente morde os discos como faria um piloto experiente. No limite da tração 10.0 O ABS é muito útil para motociclistas iniciantes e em situações de baixa aderência. O CBS faz com que as frenagens na cidade sejam feitas somente com o pedal de freio
Média 9.07 8.93
9.43
8.86
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