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Teste Honda CB 300R

Postado por motonline em 17 de fevereiro de 2012 às 7:42 em Testes de motos | Comentários desabilitados

No último Salão Duas Rodas, em outubro do ano passado, a Honda apresentou uma CB 300R como versão limitada e comemorativa para os 40 anos de atuação comercial da marca no Brasil. Mas essa moto poderia muito bem ser comemorativa ao seu próprio sucesso. É essa moto que Motonline apresenta neste teste completo.

Honda CB 300R traz a receita vencedora: identidade da marca, moderna, confiável, confortável e versátil [1]

Honda CB 300R traz a receita vencedora: identidade da marca, moderna, confiável, confortável e versátil

Lançada em junho de 2009 como substituta da Twister 250, a CB 300R é uma moto que segue os passos da antecessora, que acabou sepultada por conta da entrada em vigor do Promot 3. Ela surgiu moderna naquele momento e continuou oferecendo “mais do mesmo”. Como dizem os filósofos do futebol, “em time que está ganhando não se mexe”. A Honda manteve a CB 300 urbana, confortável, rápida, resistente e confiável. além de ser capaz de levar tudo isso para as estradas também, com limites de velocidades bem alinhados com as letras da legislação. Para o consumidor, a conclusão é: “Comprar mais pra quê?”. Simples assim.

E os números de venda do modelo provam que a fábrica acertou. Desde seu lançamento, em junho de 2009, ela atrai muitos consumidores que deixam a categoria de entrada para dar um passo adiante na escala natural dos motociclistas. A Honda CB 300 tem sido a preferida, mas as qualidades da rival Yamaha são inegáveis e seus números também são bons, vendendo tudo o que produz. Fica a dúvida: se a Yamaha oferecesse mais da sua Fazer 250 ao mercado, tiraria consumidores da Honda CB 300R?

Média consistente de vendas para as duas rivais: segundo degrau na escala [2]

Média consistente de vendas para as duas rivais: segundo degrau na escala

Na mexida geral que a Honda deu em 2009, foi adicionado um sistema de catalizador no escapamento e um sistema de injeção eletrônica para atender o controle mais rígido. Essa adição, entretanto, forçou a engenharia da Honda a aumentar a cilindrada, pois  só a injeção eletrônica não seria suficiente para manter o mesmo desempenho, já que a restrição que o catalizador faz no fluxo de gases tem que ser compensada de alguma maneira. Daí a nova denominação – CB 300R.

Outras características se destacam na CB 300 R. Maior e parecendo mais pesada, dá uma primeira impressão que é muito pesada. Nada disso. Qualquer piloto já se sente a vontade e com muita confiança logo de saída. A posição ereta, mas levemente abaixada mostra a atitude urbana da moto, mas que pode dar boas incursões pelas estradas. Ela é o que se pode chamar de “moto amigável”. Não se exige muita experiência para sair pilotando ela por aí sem qualquer enrosco. Ela é capaz de agradar inclusive os pilotos mais experientes e mais pesados, que normalmente reclamam de falta de força. O torque está lá sempre e ela se sai muito bem em qualquer situação.

CB 300R em Versão limitada com pintura especial [3]

CB 300R em Versão limitada com pintura especial

Nas cidades [4]

O desempenho nas cidades é exemplar. A CB 300R é uma moto muito ágil. De fato, o torque em baixas rotações facilita nas retomadas e manobras no meio do trânsito, sem ter que trabalhar tanto na embreagem. A relação das marchas também ajuda nisso: primeira e segunda é tudo que você usa no trânsito lento e pesado e por isso facilita mais ainda.

Os pneus mais largos em rodas de liga leve adicionam em conforto e segurança, contando com a colaboração da suspensão mais bem calibrada. O assento do piloto e a ergonomia ajudam bastante. Nesse banco cabe um garupa razoavelmente bem acomodado. Há duas boas alças que podem auxiliar na amarração de carga. Se houver o garupa, há necessidade de colocar um bauleto para levar bagagem.

Nas estradas [5]

O desempenho nas estradas compara-se a qualquer outra 250. Ela é mais forte que a Twister e mantém quase a mesma velocidade final. Porém, a aceleração e torque melhoraram muito. Afinal, os 50cc a mais não fazem tanta diferença quando se adiciona o catalizador no escapamento. Esse é o preço a pagar para uma atmosfera mais limpa.

Esse motor fica mais confortável em velocidades médias de cruzeiro, mas ainda assim em rotação alta, o que não é muito conveniente manter por longas horas em qualquer tipo de moto. O ideal é manter uma velocidade entre 80 e 90 Km/h. Aí ela fica numa rotação mais confortável que vai promover maior durabilidade. Mas isso não quer dizer que ela não mantenha velocidades maiores com facilidade.

Em estradas mais travadas, como nas vicinais ela se destaca. O bom torque permite rodar com poucas trocas de marcha e tem aceleração adequada para arrancadas mais prezeirosas entre as curvas de baixa velocidade. Aí também se percebe como a ciclística favorece a pilotagem, com a colaboração estreita das suspensões bem calibradas, que aguentam bastante abuso. Pode-se entrar em curvas com superfície irregular que as boas respostas da ciclística ajudam a manter a trajetória, sem grandes interferências.

Técnica

Ciclística [6]

 

A CB 300 R é uma moto confortável, com uma ciclística bem amigável [7]

A CB 300 R é uma moto confortável, com uma ciclística bem amigável

A CB300 R tem uma construção muito similar à sua antecessora, inclusive compartilha de várias peças. O chassi é em tubos de aço formando um berço semi duplo com um monotubo por cima do motor. A seção traseira, em tubos mais finos, é soldada no módulo principal e a suspensão traseira continua conectada diretamente na balança, sem outras peças móveis.

A altura do banco é suficiente para a maioria das pessoas de estatura média e dá bom conforto para piloto e garupa. As pedaleiras, como na antiga Twister, permanecem muito próximas uma da outra. Calçando 42, o piloto sente o pouco espaço disponível para os comandos do freio e câmbio. Com garupa então, a interferência aumenta, com os dois disputando espaço para os pés e eventualmente dando “topadas” um com o outro.

Ela se mostra dinamicamente como uma moto rápida pela leveza que proporciona ao condutor e os números mostram como é obtido esse resultado. Um rake [8] baixo, de apenas 25º14′ por sí só seria provocativo a instabilidades em linha reta, querendo entrar em curvas com uma leve ação do condutor e que poderia resultar em “shimmy”. Porém o trail proporcionalmente longo de 97mm neutraliza esse efeito, mesmo com a distância entre eixos ainda pequena, mas já maior do que a Twister. O resultado é uma moto com respostas previsíveis, mas que tem boa maneabilidade para uma condução descompromissada.

Suspensão [9]

Quase a mesma, teve nova calibração para se adaptar às características do produto. Tem 130mm de curso na dianteira com tubos de 37mm de diâmetro no garfo. Já na traseira um amortecedor único inclinado e acoplado diretamente na balança traseira da conta do recado.

Motor [9]

Motor musculoso para a categoria, com torque sempre disponível [10]

Motor musculoso para a categoria, com torque sempre disponível

Já era bom na Twister e na CB 300R melhorou mais. Como o aumento da cilindrada foi conseguido através do aumento do diâmetro do pistão, o maior ganho foi no torque em médias e baixas rotações. Mas assim mesmo o resultado final foi que a redução da relação peso/potência de 7 Kg/cv para 5,4 Kg/cv na nova moto. Um número que resulta em grande melhoria (30%) nas acelerações, retomadas e controle do motor sobre a ciclística da moto como um todo, sem perder na resistência do conjunto propulsor.
Esse aliás apresentava nas primeiras unidades da série, um pequeno vazamento na tampa do cabeçote, que não implicava em maiores problemas do que um motor sujo e eventual perda de lubrificante, quando era excessivo. Esse problema foi resolvido com alterações na junta que veda essa peça.

Transmissão [11]

Transmissão por corrente bem dimensionada [12]

Transmissão por corrente, bem dimensionada

O trabalho do câmbio na condução da moto ficou mais fácil, sendo possível dispensar uma velocidade. Na CB 300R são 5 velocidades no câmbio. Há quem ache falta da sexta que havia na Twister, mas na verdade a maior elasticidade do motor pode de fato dispensar essa sexta marcha. Verdade também é que se mantivessem o mesmo número de marchas, o custo poderia não ser compensador para a fábrica e mais marchas representa uma pilotagem mais trabalhosa. Entretanto, a sexta marcha poderia ser uma boa solução para adequar melhor o motor a uma velocidade de cruzeiro maior, colocando as rotações do motor num regime de trabalho mais confortável, econômico e proporcionando maior durabilidade ao motor.

Nas estradas e vias expressas seria melhor, mesmo que exigisse baixar uma quinta para ultrapassagens e vencer aclives maiores nas vias rápidas. A embreagem de múltiplos discos em banho de óleo se mostrou irrepreensível, muito controlável, macia e resistente. Nunca mudou seu ajuste durante o teste, mesmo quando quente. A corrente permanece um pouco barulhenta como na versão antiga, mas corresponde com a dimensão da moto e características da transmissão, promovendo boa durabilidade. Uma corrente menor seria mais silenciosa porém, menos durável.

Freios [9]

Novo freio a disco na traseira [13]

Novo freio a disco na traseira

Muito eficientes e agora que conta com disco também na traseira ficou muito mais controlável nas frenagens mais intensas e mais modulável para ajustes de trajetória. Passa a responder com muito mais precisão. O já consagrado Combined ABS é item opcional nessa moto e faz bastante diferença, principalmente para condutores menos experientes. O dianteiro é composto de um disco simples de 276 mm de diâmetro com pinça de pistão duplo e o traseiro conta com com o disco com pistão único. Na versão C-ABS a pinça dianteira tem um pistão que trabalha combinado com o freio traseiro, trazendo parte da ação desse dispositivo para a frente. Assim há uma ação mais equilibrada na frenagem.

Acabamento [9]

Típico Honda, o acabamento da CB 300R mostra como a empresa dá importância a esse quesito. Pintura impecável, materiais de primeira qualidade nas peças plásticas agregando um conjunto bonito que mantém essas qualidades por bastante tempo. Materiais de primeira linha fazem essa diferença.

Equipamentos [9]

Painel completo e de fácil visualização [14]

Painel completo e de fácil visualização

Numa moto street os equipamentos normalmente são os mais básicos, com a intenção da maior simplicidade e custo. Entretanto, na CB300R os equipamentos são acima da média. No painel tem um grande conta-giros analógico e um pequeno quadro digital para o velocímetro em números grandes. Outras informações aparecem nesse quadro: nível de combustível, relógio, odômetro parcial e total.

Tecnologia [9]

Não se pode negar o investimento da fábrica em melhorias tecnológicas nessa motocicleta. A injeção PGM-FI, o painel eletrônico e a disponibilidade do C-ABS faz muita diferença. E com dois anos em produção já ganhou confiabilidade. Fica muito difícil perceber o que ainda pode melhorar. Mas isso já é um problema para a fábrica.

[15]

[16]Obs.: Para facilitar a discussão sobre esse assunto, criamos um tópico no fórum para os motonliners. Clique aqui [17] para acessar o tópico ou faça seu comentário abaixo


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[11] Imagem: http://www.motonline.com.br/wp-content/uploads/2011/06/4-5_small2.gif

[12] Imagem: http://www.motonline.com.br/wp-content/uploads/2012/02/transmissão_400x.jpg

[13] Imagem: http://www.motonline.com.br/wp-content/uploads/2012/02/freio-a-disco-na-traseira.jpg

[14] Imagem: http://www.motonline.com.br/wp-content/uploads/2012/02/painel.jpg

[15] Imagem: http://www.motonline.com.br/wp-content/uploads/2012/02/consumo-CB300-R-2012.jpg

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