Teste Kasinski GT650 R

Um motor V2 em 90º como este da GT 650 R fez sucesso em seguidas versões, desde que foi lançada a primeira em 1972, quando Fabio Taglioni colocou um protótipo em Imola.

 

O som de uma V2 é algo que fica na memória de todo motociclista. Grave e compassado, é fácil identificar do que se trata sem precisar dar uma olhada.

Kasinski GKasinski GT 650 R - A alma de uma campeã num projeto coreano em versão brasileira

Kasinski GT 650 R : alma de uma campeã num projeto coreano em versão brasileira

Em vez de potência pura e bruta, as Ducati V2  garantem uma dirigibilidade excepcional em altas velocidades e essas características foram as que mais provocaram o grande sucesso que essas motos obtiveram no Superbike e no MotoGP. Essa teoria evoluiu para o BigBang da Honda, quando ela modificou, para maior sucesso, o motor da moto do grande campeão Mick Doohan. Também foi usada pela Yamaha quando fez o seu virabrequim cross-plane.

Essas tecnologias derivam de uma necessidade que tem uma motocicleta de competição. Na hora de entregar toda a potência, deve-se evitar perda de tração e excesso de tensões no chassi. E aí a vantagem é dos V2 que tem uma forma gradual de entregar potência pela sua natureza.

Ducati 750 Supersport, o começo de uma revolução no esporte

Ducati 750 Supersport, o começo de uma revolução no esporte

Com o lançamento das Suzuki TL1000 e da Honda VTL 1000 no fim do século passado, ficou comprovado o sucesso dessa abordagem tecnológica dos V2 a 90º. Então várias outras empresas tentaram seguir a mesma formula, até em variações menores de 650cc. Entre elas a Hyosung, que no Brasil chegou em 2009 trazida pela Kasinski e agora está melhorada na versão 2011.

Ao sentar na Kasinski GT650 R  já se percebe a altura do banco, acima da média por causa da posição do cilindro traseiro, que fica quase vertical. A posição das barras da direção indicam a natureza esportiva da moto e apenas os motociclistas acostumados a essa posição sabem que há vantagens em dirigibilidade, distribuição de peso e adaptação às forças do vento frontal. Dores na coluna para os que não estão acostumados também acontece mas para ajudar nisso as pedaleiras contam com uma segunda furação para  ajustar corretamente a posição do piloto conforme sua estatura e preferência.

Na Cidade  

O belo painel digital e o encaixe mal dimensionado do arremate no parabrisa

O belo painel digital e o encaixe mal dimensionado do arremate no parabrisa

Andando o piloto se posiciona bem avançado sobre as barras da direção e o esforço dos braços é notável para segurar o peso do corpo e apoiar nas barras da direção. Isso faz com que a frente ganhe maior proporção na distribuição de peso, favorecendo nas curvas. Esta característica é acentuada na  Kasinski GT650 R e a vontade de pegar uma estrada sinuosa aumenta porque só assim a pressão sobre as mãos diminui sobre a ação do vento. Por isso ela é uma moto que não estimula o uso contínuo na cidade.

A Kasinski GT 650 R é uma moto leve e o conforto oferecido é razoável, especialmente porque o motor não é explosivo e facilita bastante a pilotagem entre os veículos. Uma coisa que limita o uso na cidade são os batentes da direção que igualmente a qualquer esportiva não permite esterçar muito, contornando carros parados ou manobrando em estacionamentos. Em casos de mudança rápida de direção quando em movimento, ela responde bem mas exige um pouco de força sobre as barras do guidão.

Fora isso ela se comporta bem na cidade e pode funcionar como transporte diário com vantagens por ser razoavelmente estreita, saindo-se bem nos corredores. As suspensões na cidade trabalham bastante e absorvem com eficiência as menores irregularidades. Mas por seu caráter esportivo na resposta a grandes buracos, bem comuns, ela transmite os choques maiores ao condutor e ao garupa. Aliás, pela classe da moto, a posição do garupa é bem confortável no seu assento mais alto e apenas esses grandes choques incomodam mais. Andando sem garupa pode-se usar o espaço como um bom bagageiro pois as alças emborrachadas fazem boa pega aos elásticos que também são facilmente presos tanto nas próprias alças quanto no gancho que há no suporte da pedaleira do garupa. À noite a sinalização é eficiente, com as luzes da traseira em LEDs, e os farois duplos que embelezam a moto e iluminam bem o caminho.

Nas estradas e rodovias 

A Kasinski GT650R gosta mesmo de uma estrada sinuosa

A Kasinski GT650 R gosta mesmo de uma estrada sinuosa

Esse é o seu ambiente preferido, particularmente nas estradas com muitas curvas pois é para isso que essa moto foi desenvolvida: fazer curvas. Aqui, além das boas características do chassi e das suspensões, o motor dotado de extrema elasticidade proporciona uma ampla gama de tipos de condução. Não tem uma autonomia muito grande, mas o suficiente para bons percursos, dependendo do ritmo conferido.

É possível usar o motor nas rotações abaixo de 6000 rpm que a moto anda com suavidade e maior economia com pouca vibração. Acima disso o motor cresce rápido até perto de 9000 rpm, um pouco antes da faixa vermelha, 10500 rpm. Esse é o melhor momento de passar para a marcha mais alta. Andando nessa faixa, numa tocada mais radical o consumo aumenta muito, bem acima da média dos motores dessa categoria e percebe-se que o resultado em aceleração, mesmo até a última marcha, permanece grande e constante. A Kasinski GT650 R recebeu um bom trabalho no acerto da injeção e ignição, mas paga-se um custo alto do aumento do consumo para até 12 Km/litro quando se usa o motor ao máximo.

O chassi mostra também as suas qualidades com uma geometria bem estudada para oferecer grande maneabilidade nas curvas sem perder estabilidade nos terrenos mais acidentados das retas. Há na verdade um pouco de flexão do chassi quando levado a extremos, em aceleração média em trechos ondulados, quando a suspensão tem que trabalhar e o trecho da curva ainda não permite rolar o acelerador. Perto do ápice da curva, se houver ondulação ou buracos sente-se a oscilação do chassi. Uma regulagem mais dura da suspensão pode ajudar, mas vai se traduzir num rodar mais áspero.

Avaliação técnica

Belo chassi treliçado com grossos tubos formando barras periféricas

Belo chassi treliçado com grossos tubos formando barras periféricas

Ciclística 

Para uma moto esportiva a Kasinski GT650 R apresenta características importantes. Um belo chassi treliçado com barras duplas periféricas construidas em tubos de grande secção, utiliza o motor como parte estrutural. Tem soldas bem feitas e pintura semi-fosca bonita e resistente. Sua geometria e distribuição de massas resulta em uma maneabilidade não tão rápida, leve  e precisa como as melhores esportivas do mercado, mas ainda assim apresenta boas características.

Motor V2 a 90° DOHC, 8 válvulas e duplo corpo de borboletas emite um som imponente

Motor V2 a 90° DOHC, 8 válvulas e duplo corpo de borboletas emite um som imponente

Grande caixa de ar abriga filtro de papel que necessita troca ao ficar muito sujo

Grande caixa de ar abriga filtro de papel que necessita troca ao ficar muito sujo

Motor

O motor DOHC com quatro válvulas por clilindro prima pela elasticidade. Entrega bom torque e assim pode ser utilizado com bons resultados desde 3000 rpm até perto da faixa vermelha que fica em 11500 rpm. Mais pelo meio dessa faixa útil de rotações a aceleração cresce com firmeza, mostrando que a curva de potência aumenta bem nessa rotação. O arrefecimento líquido mantém o motor em boa temperatura de trabalho e nem mesmo nos dias mais quentes sofre grande alteração.

A alimentação dos dois corpos borboleta é feita por um injetor para cada um, com a bomba de gasolina imersa no tanque. A caixa de ar, de grande volume, abriga o filtro de papel sob o tanque de gasolina. Este motor não despeja muita potência, mas quando exigido ele cresce rápido e dá muito prazer de pilotar, mas cobra seu preço em consumo elevado. Apesar disso o som do V2 a 90º é uma música para os ouvidos do piloto, sem incomodar quem passa perto.

Câmbio 

Tem escalonamento bem apropriado à faixa útil do motor e as trocas são rápidas e precisas, raramente se erra uma troca. Seu acionamento é bem silencioso e há previsão de ajuste do pedal ao se mover a pedaleira, trocando a haste que liga o pedal ao eixo do acionamento de mudança de marcha. Na sexta marcha o motor fica numa rotação bastante confortável e às vezes pode-se até esquecer de usá-la porque a quinta já oferece uma boa velocidade de cruzeiro.

Freios dianteiros potentes em discos flutuantes

Freios dianteiros potentes em discos flutuantes

Suspensão traseira tem ajuste na pré-carga da mola

Suspensão traseira tem ajuste na pré-carga da mola

Freios

Duplos na dianteira e simples na traseira. Eles são flutuantes na dianteira, com pinças de pistões duplos e permitem boa sensibilidade e potência. Resultam em frenagens poderosas. Na traseira o disco é único, mas a pinça tem pistões duplos. Também oferece grande controle e dificilmente se trava a roda.

Suspensão

Links na suspensão melhora progressividade - escape 2x1 em inox amarela com o calor, normal isso.

Links na suspensão melhora progressividade - escape 2x1 em inox amarela com o calor: normal

Bengalas invertidas agora mais discretas, anodizadas em preto

Bengalas invertidas agora mais discretas, anodizadas em preto

“Up-side down” na dianteira conta com ajuste no retorno hidráulico oferecendo bom controle da frente da moto. Na traseira conta com amortecedor único, com ajuste na pré-carga da mola e o acoplamento da balança é feito por meio de link. Consegue um bom resultado e apenas se exigido ao limite apresenta algum movimento parasita, combinado com flexão no chassi.

Acabamento

O acabamento é bom, a pintura de boa qualidade e de camada de boa cobertura. As peças plásticas poderiam se encaixar melhor, principalmente nas junções do painel com a carenagem. Permanece como na 250 GTR a mesma peça que suporta a parte dianteira do banco e tanque. Poderia ter solda mais bem acabada pois parece que não foi feita na mesma fábrica que o chassi.

Equipamentos 

Os controles são muito bem posicionados e ajuda bastante as pedaleiras ajustáveis como equipamento original.
O painel tem todos os instrumentos necessários e oferece ótima leitura. O quadro de cristal líquido mostra a velocidade em grandes dígitos enquanto o mostrador analógico traz a rotação do motor.

Tecnologia 

A Kasinski GT650 R é uma moto derivada da antiga Comet 650 e conta com a mesma tecnologia básica. Pontos altos são os cabeçotes DOHC do motor com quatro válvulas por cilindro. A injeção eletrônica e todo trabalho em vestir a moto com uma bela carenagem deu uma nova vida ao projeto, mas ainda precisa de alguma melhoria principalmente na injeção. Deve-se conseguir maior economia pois mesmo para uma esportiva, hoje em dia essa questão se torna importante.

Tabela de consumo

 

Tabela de consumo Kasinski GT650 R

Tabela de consumo Kasinski GT650 R

É nítida a evolução tecnológica que a Kasinski GT650 R sofreu. Percebe-se que o fabricante conseguiu corrigir vários pontos deficientes, como a excessiva vibração e detalhes de acabamento. Os números de venda são mantidos em torno de 50 unidades todos os meses. O preço de R$24.700,00 (Tabela Fipe 10/5/2011) é competitivo e aos aficcionados pelo estilo que querem entrar nas médias cilindradas a GT650 R configura-se a opção mais acessível.

Ficha técnica

ficha técnica Kasinski GT 650 R - Motonline

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