Teste Yamaha XTZ 125

A pequena trail da Yamaha gosta de um passeio na terra e não fica devendo em versatilidade e economia. E no dia-a-dia se adapta bem ao trabalho.

Desde que foi lançada, em setembro de 2002 ela já mostrava qualidades estéticas e mecânicas que chamaram a atenção do público. Muita gente achou o motor fraco demais. Para estes a Yamaha tem a XT660 e as especiais de competição. A “xistezinha” é mais esguia, com mais aptidão “off” do que as outras 150 cc da mesma categoria no mercado e, portanto, menos confortável.

Yamaha XTZ 125: uma moto para todas as ocasiões
Yamaha XTZ 125: uma moto para todas as ocasiões

A proposta dessa moto é oferecer uma solução mais barata para o consumidor que gosta do estilo off road, que necessita de uma moto versátil e econômica para o uso urbano, mas que pode abrir mão de um motor mais vigoroso.

A sua maior vocação é urbana e ela vai muito bem no “rally” das ruas bem esburacadas e com piso irregular das grandes cidades brasileiras. Nas estradas e rodovias ela fica devendo. Pouca potência, sofre muito com o arrasto aerodinâmico e o resultado é que a velocidade máxima dificilmente chega a 100 km/h (no GPS). Ou seja, falta a necessária agilidade e velocidade para trafegar com desenvoltura por entre os carros e caminhões nas vias expressas. Definitivamente a xistezinha não é apropriada para esse tipo de uso. Já no off road, a coisa é bem diferente, porque para ter mais destreza na terra a relação das marchas tem um escalonamento estreito para não perder aceleração. Resumo: sua versatilidade se limita ao uso urbano e ao off road.

Na terra

A XTZ 125 vai muito bem nos passios na terra porque ela é leve e o funcionamento do motor é pouco vigoroso

A XTZ 125 vai muito bem nos passeios na terra porque ela é leve mas o motor é pouco vigoroso

O uso na terra pode ser considerado o habitat perfeito para a XTZ 125 porque ela é extremamente leve e bem equilibrada. A eficiência das suspensões se destacam e dão conta do recado. Claro que o motor não cria muita demanda para o chassi e suspensões porque seus componentes são bastante leves e não criam situações críticas na pilotagem. O resultado é um comportamento equilibrado que a torna apta a encarar os mais duros obstáculos, desde que não seja exigido muito motor para isso. Como já foi dito, ela não conta com muito motor.

 

Na cidade

Na cidade a XTZ 125 é muito ágil e tem respostas rápidas na ciclística

Na cidade a XTZ 125 é muito ágil e tem respostas rápidas na ciclística

A mesma coisa se observa no uso na cidade. As manobras são rápidas e muito precisas por causa da ótima geometria do chassi e suspensões competentes. O piloto “veste” a moto e a linguagem corporal é facilmente assimilada pela pela moto. Qualquer movimento e a resposta é imediata, precisa e sem dificuldade. O banco é esteito e duro, a suspensão um pouco ríspida e o piloto deve esquecer o conforto oferecido pelas motos trail de maior cilindrada, com o a Honda Bros, por exemplo. Contudo, no rally urbano de todos os dias pode-se andar em maior velocidade que a buraqueira das ruas mal conservadas passa completamente despercebida por baixo das rodas raiadas da pequena Yamaha.

Nas estradas

Esqueça. Use a XTZ 125 como uma moto urbana, para trabalho e para diversão na terra. Nas vias expressas, se for impossível evitar, ande com atenção e velocidade compatível com o local. Não saia para a esquerda quando o fluxo estiver perto da sua velocidade máxima. Ela não tem motor para isso e deixará o piloto em situação embaraçosa e perigosa.

Avaliação técnica

Ciclística

A Yamaha XTZ 125 tem geometria propria para off-road

A Yamaha XTZ 125 tem geometria propria para off-road

O chassi tem a configuração diamond (duplo triângulo) com o motor fazendo parte da estrutura dianteira inferior. No triângulo traseiro duplo a bateria e caixa de ar dividem o espaço sob o banco. Essa é uma estrutura clássica para motos 4t trail e no caso da Yamaha XTZ 125 ela se apresenta com uma estrutura muito leve, que aceita bem as tensões na dinâmica do seu funcionamento, sem nenhuma flexão importante que afete a pilotagem.

Suspensões

Suspensão traseira não tem link

Suspensão traseira não tem link

Leve e progressiva na dianteira conta também com bom amortecimento mesmo em impactos maiores, mas a traseira sente um pouco a falta de progressividade por causa da fixação direta do amortecedor na balança. Apesar disso, com um pouco de peso, (acima de 80 Kg) a traseira já se acomoda com um bom sag (curso negativo) e esse problema desaparece.

Motor

Com 500 Km a moto parou por entupimento do carburador - Falta um filtro de gasolina

Com 500 Km a moto parou por entupimento do carburador - Falta um filtro de gasolina

O filtro de ar lavável tem boas dimensões e protege bem o motor

O filtro de ar lavável tem boas dimensões e protege bem o motor

Bom motor, com boa aceleração. A curva de potência é bastante plana e acelera sem sustos, por toda faixa de rotação. Para uma 125 moderna entretanto poderia ter mais potência. Talvez uma injeção eletrônica fizesse essa diferença.

Transmissão

Cambio tem cinco marchas e engates precisos

Cambio tem cinco marchas e engates precisos

O câmbio de cinco marchas tem escalonamento perfeito para o motor de forma que sempre tem uma marcha própria para cada situação. As trocas são bem definidas, mas poderia ser menos barulhenta. A relação final por corrente é bastante leve e silenciosa. poucos ajustes são necessários em uso urbano.

Freios

Os freios tem boa pegada, notadamente o dianteiro. Com leve pressão imobiliza a moto com determinação e controle, muito bem modulável. Já o traseiro sofre com a movimentação da suspensão que muda a modulação do freio por causa da geometria do varão. O carburador a vácuo mantém as emissões baixasCausa um certo descontrole da frenagem em descidas acidentadas.

Tecnologia

Para uso na terra o motor precisa de proteção no carter. Foram produzidas 17.606 unidades em 2010.

Para uso na terra o motor precisa de proteção no carter

Para a cilindrada de 1/8 de litro como essa 125 cc a Yamaha XTZ 125 se encontra  no limite da tecnologia, uma vez que muitos motores dessa cilindrada já contam com injeção eletrônica. O carburador CV (ou Velocidade Constante), dessa moto tem o acionamento do acelerador proporcional ao vácuo produzido pelo motor e isso garante uma combustão limpa e uma progressividade constante no acelerador, que permite ser homologado no PROMOT3. Porém, a entrega de potência fica limitada ao crescer do vácuo do coletor de admissão e a aceleração e potência máxima também ficam limitadas.

Equipamentos

Para uma moto trail a XTZ 125 conta com todos os equipamentos necessários. Mas falta como na maioria das motos atuais dessa categoria, o protetor de carter que antes equipava esse tipo de moto.

Acabamento

O acabamento é condizente com o preço do produto um pouco alto. Os encaixes das peças são perfeitos, a boa pintura e soldas no chassi primam pela conformidade.

Para uma moto lançada em 2002 a XTZ 125 da Yamaha ainda se mantém atualizada. Apesar de usar carburador consegue regular as emissões de poluentes aos níveis aceitáveis atuais e ao preço de R$7.410,00 (modelo K – partida a pedal) e R$8.158,00 (modelo E – partida elétrica), ambos preços de tabela Fipe em 21/03/2011, continua a ser uma boa opção para quem gosta de uma moto trail sem compromisso na terra e capaz de trafegar com facilidade e economia pelas cidades.

Ficha técnica

Motor

Quatro tempos, OHC , refrigerado a ar, 2 válvulas

Quantidade de cilindros 1 cilindro
Cilindrada 125 cm3
Diâmetro x curso 54 x 54 mm
Taxa de compressão 10,0 : 1
Potência máxima 10 CV a 7.500 RPM
Torque máximo 1,0 kgf.m a 6.000 RPM
Sistema de partida Elétrica (modelo E) – Pedal (modelo K)
Sistema de lubrificação Cárter úmido
Alimentação Carburador BS 25 Mikuni

Transmissão

5 velocidades, engrenamento constante

Embreagem Multidisco banhado a óleo
transmissão primária Engrenagens
transmissão secundária corrente

Parte Elétrica

Sistema de ignição CDI
Bateria 12 V x 5 Ah

Dimensões

Comprimento total 2.090 mm
Largura total 810 mm
Altura total 1.125 mm
Altura do assento 840 mm
Distância entre eixos 1.340 mm
Altura mínima do solo 265 mm
Peso seco 104 Kg
Raio mínimo de giro 2,1m

Chassi

Quadro Diamond
Rake 27,5°
Trail 106 mm
Pneu dianteiro 80/90 – 21 48T MT90
Pneu traseiro 110/80 – 18 58T MT90
Freio dianteiro Disco de 220 mm de diâmetro,acionamento hidráulico, 2 pistões
Freio traseiro Tambor de 130 mm de diâmetro
Suspensão dianteira Garfo telescópico, mola e óleo
Suspensão traseira Braço oscilante, único amortecedor com mola a óleo e gás, Active Monocross
Curso da suspensão dianteira 180 mm
Curso da suspensão traseira 180 mm
Painel de Instrumentos Velocímetro, hodômetro total, hodômetro parcial, indicador de farol alto, indicador de pisca, Luz indicadora de anomalia da ignição, indicador de neutro
Erro do velocímetro +12%

Cores Azul, preta, vermelha

Preço

tabela Fipe 24-03-2011

XTZ 125 K (pedal) R$7.410,00
XTZ 125 E (elétrica) R$8.158,00

Consumo

Trecho Km percorrido Consumo (litro) Km/litro
Uso urbano/estrada 198,4 6,01 33,01
Uso urbano 231,2 6,4 36,13
Uso urbano 210,7 5,68 37,08
Uso urbano/estrada 197,2 5,17 38,13
Total/média 837,5 23,26 36,13
óleo trocado com 530 Km

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Outras matérias:

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