Foram
seis meses de expectativa. Desde que a Honda mostrou a CBX 750F
na cor preta e com apenas 700 unidades importadas para "investigação
de mercado", ficava uma pergunta no ar: como seria a CBX 750F
efetivamente nacional? Agora ela chegou.
Tem 40% de nacionalização, a roda dianteira é de
18" e não de 16" como a importada; a carenagem
foi modificada, as suspensões dianteira e traseira perderam
suas regulagens, embora na dianteira permaneça o TRAC (que é o
sistema antimergulhante da Honda); entre várias outras modificações.
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| CBX 750
japonesa |
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| CBX
750, 1986 |
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| CBX
750, 1986 |
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| CBX
750, 1986 |
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| CBX
750, 1988 |
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| CBX
750, 1988 |
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| CBX
750, 1988 |
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As mudancas,
na nossa análise.
São bastante numerosas as mudanças na
CBX 750F versão 1987. Em muitas dessas "novidades
nacionalizadas" a questão pode ser discutida
apenas tecnicamente. Em outras. envolve a opinião
e mesmo o gosto de quem julga. Para saber o que é nacional
e o que é importado na moto, é mais fácil
numerar o que é importado: motor e câmbio
completos, painel de instrumentos completo, caixa de
fusíveis, tampa do tanque de combustível,
torneira do tanque de combustível, corrente de
transmissão, guidão e acrílico da
carenagem. O restante é tudo nacional.
Para determinar na parte que foi nacionalizada o que melhorou.
piorouou é indiferente,a equipe básica de
testes de Duas Rodasse reuniu e colocando lado a lado a
CBX 750F preta 86 ao lado da 87 branca cada um dos itens
foi comparado e analisado. Aqui a média dos resultados
na opinião de Josias Silveira, Roberto Araújo,
Geraldo Simões e Gabriel Marazzi:
Pirelli: "sem câmara é melhor".
Antes do lançamento da CBX 750F nacionalizada circulou
um "boato" de que a nova moto viria com pneu
dianteiro de aro 18", com câmara. A razão
apontada, era porque a Pirelli Brasil não teria
condições de fabricar pneus de aro 16" e
sem câmara, como da moto importada. A Pirelli, porem,
não confirmava essa informação e,
oficialmente, a Honda jamais afirmou que a modificação
se devia a dificuldades de fornecimento da Pirelli.- A
Honda, afirmou Atilio Cepollaro, gerente de produtos originais
da Pirelli, é nosso cliente há muito tempo.
Fizemos exatamente o que nos pediram. Mas poderia ser outro
pneu, ou outra medida. Quanto a pneu com câmara,
ou sem, a Pirelli entende que o pneu sem câmara oferece
maior segurança, sendo um produto mais evoluído.
Opinão
Durante o lançamento da CBX 750F nacional, os representantes
da Honda do Brasil e do Japão não se cansaram
de dizer que a fábrica jamais lançaria um
produto que não fosse seguro. Até aí tudo
bem, mas o pneu sem câmara (tubeless) é comprovadamente
mais seguro do que o com câmara. Não é à toa
que as motos esportivas no Exterior utilizam o tubeless.
A falta de regulagens nos amortecedores dianteiros e traseiro
pode não colocar a segurança do motociclista
em jogo, mas quando se passa numa lombada, com garupa,
o amortecedor traseiro bate no fim do curso e nas curvas
com irregularidades a frente chega a escorregar. Tudo isso
poderia ser amenizado se o motociclista pudesse escolher
a regulagem mais apropriada para a utilização
da moto.
Depois que a moto começa a andar é fácil
esquecer as justificativas “oficiais" e saborear
as boas qualidades mecânicas que foram preserva das,
como o motor dócil e ao mesmo tempo veloz e os freios
supereficientes.
Porém, ao parar a moto novamente, a decepção: "acabaram" com
o acabamento na CBX nacional. Desde arestas de solda no
quadro (brasileiro) até a falta de polimento da
alavanca de câmbio dão a impressão
que o "nosso" controle de qualidade anda meio
sonolento e precisa abrir mais o olho, a exemplo da indústria
japonesa.
Em linhas gerais, a Honda merece o reconhecimento pela
rápida nacionalização de 40% de uma
moto tão complexa, mas por enquanto, ainda "não
senti firmeza" com esta moto. Quando a fábrica
aumentar a "tiragem" talvez as coisas melhorem.
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O motor continua o mesmo quatro tempos, quatro cilindros em linha,
refrigerado a ar, 747 cc (67,OX53,0 mm), com 16 válvulas
(quatro por cilindro), e a potência é de 82 CV a 9.500
rpm. Permanecem portanto as boas características como elasticidade,
crescimento de giro uniforme, respostas e acelerações
rápidas. Nas medições realizadas esta CBX "made
in Brazil" atingiu uma velocidade máxima de 213,9 Km/h
na melhor passagem, contra 209 Km/h da CBX importada e o consumo
médio foi igual, de 10,8 Kmllitro. Ou seja, as possíveis
diferenças de motor são desprezíveis em relação
ao modelo importado, e podem inclusive ser em função
das diferenças normais entre cada unidade.
As principais modificações foram no conjunto dianteiro
de suspensão e roda. A moto nacionalizada está equipada
com aro dianteiro de 18" e perdeu as regulagens de suspensão
e do sistema antimergulhante TRAC. Agora, a moto está mais
simplificada, ao contrário do que anunciou o diretor comercial
da Honda, Reizo Tanaka, na qual ele declara textualmente "a
política da Honda não permite adaptações
na CBX 750F brasileira".
O desenho made in Brazil
Esteticamente, a moto ganhou novo grafismo, combinando as cores
branca, vermelha e preta. A carenagem foi alterada, ficando mais
alta porque os dois semi-guidões ficaram dois centímetros
mais altos, e a bolha acrílica é mais envolvente.
O encosto da carenagem agora é feito por galão
(cantoneira de borracha), enquanto no modelo importado a fixação é feita
por coxim de borracha, com melhor acabamento.
A iluminação continua sendo feita por dois faróis,
mas agora cobertos por apenas uma lente, o que deixou a moto mais
bonita e manteve um importante item de segurança, já que
raramente queimam as duas lâmpadas do farol ao mesmo tempo.
O estilo mais agressivo da versão anterior, toda preta,
sem cromados, deu lugar a um visual colorido com escampamentos
cromados. Toda a "carroceria" da moto, ou seja, carenagem
o tanque, laterais, rabeta e pára-lamas é produzida
aqui, com algumas alterações visando modificar o
conjunto. O escapamento não recebeu o cromo preto por dificuldades
tecnológicas da nossa indústria, em compensação
agora ele é divisível, o que pode representar uma
economia em caso de substituição.
Todo o sistema elétrico permaneceu igual, ou seja, 12 Volts
com bateria de 14 Alh, e alternador com capacidade de 320 Watts
a 5.000 rpm. A ignição é eletrônica
e a moto possui sistema de partida elétrica, eliminando
o pedal de partida. Para quem sentir falta deste acessório,
basta verificar os automóveis que não têm mais
manivelas de partida há muitos anos, e que são muito
mais difíceis de empurrar, quando a bateria está descarregada:
Frente brasileira
Olhando a CBX importada e a nacional percebe-se que a roda dianteira
da japonesa é menor. Automaticamente faz-se uma ligação
com as competições: a roda menor é melhor,
na prática não precisa ser bem assim. Nas pistas,
como as velocidades aumentam cada vez mais, estava ficando difícil
acelerar estupidamente entre uma curva e outra com a moto ainda
inclinada, graças ao efeito giroscópico. É esse
efeito que mantém a moto "em pé" quando
em movimento. Assim, as motos de competição passaram
a adotar a roda dianteira de 16". Como conseqüência,
essas motos ficaram visualmente mais bonitas e agressivas, além
de mais ágeis, criando um modismo para as motos esportivas
de rua.
Outra alteração foi nos pneus, que não são
mais tubeless(sem câmara ). A justificativa oficial da Honda
para a colocação de câmaras foi a dificuldade
de manutenção que o tubeless oferece, já que
poucos borracheiros no Brasil teriam equipamentos para consertar
este tipo de pneu.
Mas o argumento enfrenta dois obstáculos: o primeiro é que
a grande maioria dos carros nacionais já é equipada
com pneus sem câmara, o que faz com que a maioria dos borracheiros
esteja adaptada a esse tipo de manutenção. Segundo,
em entrevista com técnicos da HRDB - Honda Development of
Brazil, que tem sede no Japão, mas cujos técnicos
estiveram no Brasil na época da apresentação
do modelo à imprensa, não se escondeu a razão
real: para usar pneus sem câmara seria preciso usar o mesmo
tipo de roda da CBX importada (Comstar). A roda de alumínio
fundido tem porosidades que eliminam a possibilidade de uso do
pneu sem câmara com segurança.
Como resultado da adoção do aro dianteiro de 18",
a geometria da suspensão dianteira mudou. O curso se manteve
com 150mm, assim como o cáster, com 27° mas o trail
passou de 93 para 101 mm. A distância entre eixos aumentou
de 1.465mm para 1.490mm, aumentando também o comprimento
total da moto de 2.146 para 2.185mm.
A falta de regulagem na suspensão dianteira (e do equalizador
de pressão de ar) foi explicada pela fábrica, como
uma forma de proteger o motociclista brasileiro, já que
desacostumados com regulagens complexas, os brasileiros poderiam
mexer sem conhecimento e piorar a estabilidade da moto. Novamente,
na mesma entrevista com os homens da HRDB, descobriu-se que a Showa
do Brasil, que fornece os amortecedores, não teria condições
tecnológicas para desenvolver a suspensão com regulagem.
Pelo mesmo motivo, eliminou-se as quatro regulagens do sistema
antimergulhante TRAC, que apesar de continuar existindo, está regulado
no que seria a posição 2,5 numa escala de 1 a 4.
A suspensão traseira perdeu as três posições
de regulagem do amortecedor único. Rodando com garupa, a
suspensão chegou a bater no fim do curso (que passou de
115mm para 103mm, na roda), lembrando o comportamento das CB 450.
Os motivos para a eliminação das regulagens estão
no capítulo anterior.
Na posição de pilotagem da moto nacional, não
se percebe o aumento de um centímetro
na altura do banco ao solo. Os instrumentos são importados
e continuam iguais, com velocímetro à esquerda marcando
até 240 Km/h; ao centro está o contagiros com a faixa
vermelha iniciando em 10.000 rpm; à direita, um único
relógio agrupa marcador de nível do combustível
e voltímetro.
No painel (importado), a Honda brasileira fez uma alteração
discutível. No modelo japonês existia uma luz espia
indicando se a lâmpada da lanterna traseira havia se queimado.
Na versão nacionalizada, esta luz não foi utilizada,
por motivos tecnológicos, e para não ficar um buraco,
inventaram a indicação de "Top" , ou seja,
que indica quando a sexta e última marcha foi engatada.
Graças ao motor elástico da CBX, esta luz fica praticamente
acesa a maior parte do tempo, o que pode incomodar em viagens noturnas,
com aquela luzinha cor de violeta sempre "chamando a atenção" do
motociclista.
Os comandos são iguais aos daCBX importada, apenas o corta-corrente
mudou de preto para vermelho. Ao centro dos semi guidões
está a chave de ignição, com trava incorporada
e a caixa de fusíveis, que agora usa fusíveis do
tipo faca, e não de vidro.
.
Rodando
Durante os testes pudemos comparar os rendimentos da versão
importada (emprestada compulsoriamente por Josias Silveira). Foi
aí que todas as justificativas da fábrica foram sendo
conferidas e a primeira descoberta foi de que o aro dianteiro de
18" se dá melhor nos acidentes geográficos que
existem pelas ruas e estradas brasileiras. A segunda foi a de que
regulagens em suspensão dianteira fazem falta, um ajuste
na suspensão sempre torna a pilotagem mais segura e confortável.
Os pneus nacionais com câmara não chegaram a afetar
a estabilidade e nas frenagens as diferenças em relação à importada
são desprezíveis, cabendo às diferenças
normais de um veículo para outro. Em curvas os pneus se
mostraram eficientes mesmo em curvas de alta, feitas "no limite".
O guidão mais alto melhorou a postura e deixou a moto mais
fácil de "costurar" no trânsito urbano.
Mesmo com todas as alterações, a Honda CBX 750F é uma
moto excepcional, que pode ser pilotada a mais de 200 Km/h em uma
estrada segura, com o contagiros chegando perto da faixa vermelha;
ou em uma estrada de terra a 30 Km/h; ou ainda em uma avenida à beira-mar,
numa noite de verão.
Mercado
Desde sua chegada a CBX 750F se tornou recordista brasileira de ágio.
Dos Cz$ 129. 290 (US$ 9.390) tabelados pelo CIP, ela chegou a atingir
Cz$ 450.000 (US$ 32.680) no "mercado paralelo". A razão é simples:
muita procura e pouca oferta. Com apenas 100 motos por mês
distribuídas pelo Brasil, o que sequer dava uma moto por
revenda (são mais de 400 pelo Brasil), foi inevitável
o aumento de preço.
A grande novidade em termos de mercado da nova CBX 750F é o
número de produção. Ele passa a ser de 300
unidades/mês, e seu novo preço de tabela, que foi
autorizado pelo Cip, agora é de Cz$ 137.238 (US$ 9.970).
Mas, na verdade, tudo indica que também esse novo preço é apenas
teórico: pelo menos a curto prazo deve continuar o ágio.
O maior número de unidades que chega ao mercado deve, porém,
fazer com que ele caia gradualmente, conforme o público
que espera por essa moto for tendo acesso ao produto. Mas, de qualquer
forma, um pouco mais cara ou barata, um ponto pode ser festejado:
o Brasil faz, finalmente, uma 750cc.