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Injetada
(Continuação) Texto e fotos: geraldo
Tite Simões
Rodando
Chega de firulas e vamos dar um rolê. Que maravilha dar na partida e sair
rodando. Nunca mais afogador, nunca mais aqueles engasgos irritantes nos primeiros
quilômetros. É só ligar e sair rodando. A posição
de pilotagem não é muito diferente do da Twister, com guidão
um pouco mais alto e pedaleiras recuadas. Para minha estatura (1,70m) ele serve
como uma luva. Para os maiores de 1,80m os pés ficarão dobrados
demais.
Assim que aciono o motor na ignição dura e difícil
de inserir a chave, ouve-se um ruído biiiiiiiimmmm para
avisar que a injeção está OK. O motor e escapamento
são extremamente silenciosos, aliás toda a moto é silenciosa.
As maiores reclamações em cima da Twister são
com relação ao motor muito barulhento e à corrente
de transmissão que faz uma zoeira infernal. Bom, o motor
da Fazer com comando simples e duas válvulas é naturalmente
mais silencioso do que o duplo comando multiválvulas da
Twister. Quanto à corrente, a Yamaha optou por uma 428,
enquanto a Honda usa uma 520. Quem prefere uma corrente mais durável
e confiável terá de agüentar o maior ruído.
Já quem prefere uma moto mais silenciosa terá de
levar junto uma corrente que exigirá troca mais cedo e
menos resistente. É a tal lei da compensação.
As respostas em baixa velocidade são imediatas e progressivas.
Fiz um costumeiro teste que repito em todas as motos: deixo a rotação
cair em última marcha até quase chegar na rotação
de marcha lenta. Depois abro todo acelerador para ver como reage.
Nas motos carburadas percebe-se claramente uma dificuldade para
subir de giros. Nas motos injetadas (todas), a resposta é gradual
e constante. A economia de gasolina vem daí, da facilidade
de retomar a velocidade, sem exigir demais do câmbio.
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Protetor
pequeno |
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Farol |
Falando em câmbio, normalmente a última marcha (seja
qual for o veículo) funciona como uma overdrive, ou seja,
uma marcha de relação longa que tem a finalidade
de manter o motor estável em uma rotação mais
baixa na velocidade de cruzeiro para economizar gasolina. Só que,
por ser uma redução “longa”, o overdrive é uma
relação que não otimiza a retomada de velocidade.
Por isso é comum recorrer à quinta marcha para aumentar
a velocidade quando se pilota uma Twister, já que a sexta é a
overdrive dela. Na Fazer, a quinta marcha faz o papel de overdrive,
porém, por ser mais curta favorece a retomada, mas “mata” o
motor em alta rotação. A relação final
de transmissão secundária da Fazer é exatos
3:1 (coroa 45 e pinhão 15). Já na Twister, a relação
secundária é mais longa: 2,846:1, por isso a Twister
se mostra mais econômica na estrada e a Fazer leva vantagem
na cidade.
Tive a chance de rodar à noite e confirmar que a iluminação
do painel é muito bem balanceada e bonita. O duro é agüentar
a lâmpada de 35/35W. Para se ter uma idéia é exatamente
a mesma da CG 125 Fan e da Sundown Hunter 90. Para uma 250 de 10
paus podíamos esperar algo mais potente. Pior ainda quando
se sabe que a TDM 225 tinha lâmpada de 60W! A favor do farol
da Fazer é seu visual bem mais moderno, maior e lente mais
difusa em relação à TDM.
Como sempre, meu roteiro obrigatoriamente é cheio de curvas,
meu prato favorito no cardápio motociclístico. Como
eu já havia rodado na pista da Pirelli, após a realização
dos testes da Moto do Ano, sabia que os pneus Pirelli Sport Demon
têm um comportamento mais esportivo – embora necessariamente
gasta com mais rapidez e custa mais caro na reposição.
Também sabia que os pinos limitadores das pedaleiras são
muito longos e raspam no asfalto com facilidade. O que é uma
tremenda incoerência: adotam um pneu esportivo, mas limitam
a inclinação! Para não devolver a Fazer detonada
ao meu brother, tirei os pinos e controlei a inclinação
no feeling mesmo. Todo pneu “avisa” quando o maluco
inclina demais, basta ter a sensibilidade suficiente para “ouvir” este
aviso. Nem adianta me perguntar como é isso, porque sensação
não se ensina, se adquire com a experiência.
A opção da suspensão traseira por elos progressivos
foi outro acerto. Ironicamente, a Honda que tem a marca Pro-Link
não usa elos progressivos, mas a Yamaha, que sempre foi
conhecida por Monocross, usa este sistema. Vai entender estes japoneses.
Aqui também vale uma explicação. No começo,
nas primeiras suspensões monoamortecidas, os elos progressivos
serviam para auxiliar o amortecedor. Mais tarde percebeu-se que
um bom amortecedor substitui a necessidade dos elos, como fez,
por exemplo, a KTM com suas motocross e algumas esportivas. Ou
seja, ter, ou não, elos progressivos é só uma
questão de opção por um amortecedor mais elaborado
ou não. Como a Honda é dona da Showa, uma das maiores
especialistas em suspensão do mundo, optou por uma suspensão
traseira com amortecedor direto na balança de alumínio.
Já a Yamaha, talvez na esperança de economizar e
compensar o investimento no motor injetado, optou por amortecedor
mais simples com elos. No final das contas funciona bem e a motoca é bem
firma nas curvas e confortável nas ondulações.
A economia da Fazer está presente também na escolha
por algumas peças da YBR, como manoplas, comandos elétricos
e até a tampa do tanque de gasolina. A contensão
de custos conseguiu colocar a Fazer em um preço pouco abaixo
da Twister. O apelo de marketing é apresentar um produto
pretensamente mais avançado por um preço mais baixo.
Parece que está funcionando, porque no primeiro mês
completo de venda a Yamaha conseguiu vender 3.028 unidades contra
3.679 Twister. Para a a tradicional diferença de vendas
entre as duas marcas no Brasil pode-se até considerar um
empate técnico. Vamos ver como o mercado vai reagir à chegada
da Twister 2006 que começou a ser faturada agora em dezembro.
Em termos gerais, esperava-se mais da Yamaha ao provocar a concorrência
na faixa de 250 cc. A estratégia da injeção
foi acertada, até por ser o primeiro motor 250 da marca
com este sistema de alimentação. Muito provavelmente
a Yamaha do Brasil começará a exportar este motor
para equipar outras 250 no resto do mundo, aproveitando os benefícios
da Zona Franca de Manaus. Só faltou mais cuidado na escolha
de alguns componentes, um estilo mais moderno e acabamento mais
apurado. A Honda correu para entregar uma Twister 2006 com visual
mais moderno e faz campanha em cima dos 24 cv, mas é bom
começar a preparar uma Twister 2007 para chegar às
lojas ainda em 2006 para não correr o risco de abrir um
espaço muito grande à concorrente.
Yamaha YS 250 Fazer
| VELOCIDADE MÁXIMA |
Efetiva |
128,7 km/h |
| CONSUMO |
máximo |
16,7 km/l |
| mínimo |
34,8 km/l |
| médio |
25,75 km/l |
Ficha
Técnica |
| DIMENSÕES /CAPACIDADES |
Tanque de combustível |
19,2 litros |
Comprimento |
2.025
mm |
Largura |
745
mm |
Entreeixos |
1.360
mm |
Altura do assento |
805
mm |
Peso (a seco) |
137
kg |
Capacidade de carga |
167 kg |
| CHASSI
|
Quadro |
berço
duplo de aço |
Suspensão
dianteira / curso |
garfo
telescópico/120 mm |
Suspensão
traseira / curso |
monoamortecedor
com link/120
mm
|
| Cáster |
26,5° |
| Trail |
104,5 mm |
| Freio dianteiro |
disco simples |
| Freio traseiro |
tambor |
Pneu dianteiro |
Pirelli
Sport Demon 100/80-17M/C 52S (33PSi) |
Pneu traseiro |
Pirelli
Sport Demon 130/70-17M/C 62S (36 PSi) |
| MOTOR
|
Tipo |
4 tempos |
| Cilindros |
1 |
| Disposição |
vertical |
| Potência declarada |
21 cv a 7.500 rpm |
| Torque declaradi |
2,1 kglm a 6.500
rpm |
| Comando |
SOHC |
| Válvulas por cilindro |
duas |
| Refrigeração |
ar+óleo |
Diâmetro e Curso |
74 x
58,0 mm |
Cilindrada |
249,45
cm3 |
Taxa de compressão |
9,8:
1 |
| Alimentação |
injeção
Denso AZ 112100-2710 |
| Lubrificação |
cárter úmido
+ radiador |
| Ignição |
eletrônica |
| Sistema elétrico |
12V-6Ah |
| Partida |
elética |
| Vela |
NGK DR8EA |
| Transmissão primária |
engrenagens de dente
reto (3,083:1) |
| Transmissão final |
corrente 428K (3:1) |
| Embreagem |
multidisco em banho
de óleo |
Câmbio |
5 marchas |
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