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No
Brasil, alguns desses modelos já estão disponíveis
e a Yamaha decidiu investir nesse segmento com a linha Virago,
formada pelas XV 535, 750 e 1100cc. Essa linha foi lançada
no exterior em 1982, com a versão de 750cc; em 85 saiu a
500cc e finalmente em 88 a linha foi completada com a 1100 e a
535. Para avaliar essa linha Custom rodei 2.000 km com a menor
das Virago, a XV 535, de São Paulo até o litoral
de Santa Catarina.
O roteiro começou em São Paulo, numa bela manhã,
e o destino era Farol de Santa Marta, um bucólico vilarejo
no município de Laguna, SC, retornando a São Paulo.
A Yamaha XV 535 Virago teria de enfrentar as temíveis BR-116
(Régis Bittencourt) até Curitiba, PR e a BR 101 até Laguna,
numa jornada de 10 horas de estrada. Um teste para moto e motociclista.
No primeiro contato com a XV 535, uma das "Harley-covers",
a Virago pareceu ser a que mais se aproxima da original. A semelhança
deve-se principalmente ao motor de dois cilindros em V, quatro
tempos, 535cc, com comando simples, duas válvulas por cilindro
e refrigeração a ar (única entre as custom
japonesas). Justamente a refrigeração a ar reforça
essa semelhança por proporcionar um ruído mecânico
maior do que nos motores de refrigeração líquida.
Mesmo assim, o motor da Virago não é do tipo barulhento,
simplesmente reproduz mais fielmente o "ruído das Harley",
um som bem agradável.
Já nos primeiros quilômetros nota-se que a potência
não é o forte desse motor. São 46,2 cv a 7.500
rpm, com um bom torque de 4,8 kgfm a 6.000 rpm. Só para
ilustrar, a Honda CB 450DX, com 447 cc, desenvolve 43,3 cv a 8.500
rpm. Para compensar a falta de potência, a Virago XV 535
conta com o motor extremamente elástico, respondendo rapidamente
ao comando do acelerador nas retomadas de velocidade. Para rodar
na sinuosa BR-116, com seus incontáveis caminhões,
essa retomada é fantástica. Basta girar o acelerador
a 60 ou 80 km/h, sem reduzir marcha, que a XV 535 dispara até os
100 ou 120 km/h com muita rapidez. Nas primeiras ultrapassagens
chega-se até a reuzir para quarta (o câmbio tem cinco
archas), mas diante da gritaria do motor percebe-se que é desnecessário.
A posição de pilotagem é com os pés
lá na frente e o peso aqui em baixo. No modelo importado
para o Brasil o guidão é do tipo "chifre de
boi", enquanto nos modelos exportados para Europa o guidão é reto.
Sorte nossa, porque a posição de pilotagem é excelente
com o nosso guidão. O corpo fica reto, com os braços
esticados e as mãos repousam em manoplas de borracha macia.
Mas quem pilotar esse tipo de moto deve lembrar que o vento pega
em cheio o corpo e que, acima de 120 km/h a ventania é tão
forte que é preciso grudar nas manoplas. A melhor dica é usar
casaco de couro, botas de cano alto e uma boa luva, para evitar
que o farfalhar do vento na roupa provoque cansaço. Nesta
Custom é até possível um pára-brisa,
só que assim a velocidade de cruzeiro não passa muito
de 100 km/h.
Uma das vantagens da XV 535 é a pequena altura do banco
ao solo: apenas 720 mm, ou seja, 75 mm mais baixa que a CB 450DX.
Essa característica faz com que o centro de gravidade fique
concentrado bem mais baixo do que numa moto "normal".
Mesmo com os 182kg de peso, ela é muito fácil de
pilotar, inclusive no trânsito intenso. Motociclistas de
baixa estatura (e/ou excesso de peso etc) podem também encontrar
na Virago 535 uma ótima opção em duas rodas.
Mesmo as mulheres, que acabam optando por pequenas motos com partida
elétrica, mas reclamam da falta de potência, podem
pilotar esta Custom com tranqüilidade.
DETALHES BRILHANTES
Uma custom autêntica precisa ter alguns detalhes: cromados
em abundância são obrigatórios. As tampas dos
cabeçotes receberam uma capa cromada para impedir uma eventual
queimadura, assim como as curvas do escapamento, que passam perto
da perna do piloto (aliás, perto demais). As rodas são
raiadas, as tampas dos filtros de ar parecem espelhos, assim como
a capa do farol e dos piscas, que refletem a estrada. E o que não é cromado
brilha da mesma forma, como o enorme e eficiente tambor do freio
traseiro. Sem cair no exagero, os cromados deixam a Virago 535
com tanto ar de clássica que ninguém fica alheio à moto.
Mas esses cromados se mostraram sensíveis a ação
do tempo e com apenas dois dias a beira-mar já surgiram
alguns pequenos pontos de ferrugem.
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Todo esse brilho gera comentários curiosos. A maioria que
se aproxima pergunta o ano, pensando se tratar de uma antiga. A
cena mais engraçada foi na travessia da balsa de Laguna
para o Farol de Santa Marta, quando um senhor perguntou quem havia
feito a restauração da Indian (um modelo americano
com dois cilindros em V, cuja fabricação foi interrompida
em 1963).
No primeiro abastecimento uma surpresa. Apesar dos 535 cc, o consumo
foi bem comedido, fazendo até 19,1 km/litro na estrada e
15,3 na cidade. À primeira vista o tanque dá a impressão
de pouca capacidade, mas o segredo está no segundo tanque,
colocado sob o banco, que eleva a capacidade total para 13,5 litros,
proporcionando uma autonomia de aproximadamente 240 km. Como a
saída de gasolina fica abaixo do nível dos dois carburadores,
ela conta com uma bomba elétrica e não existe torneira
de gasolina. Quando o nível de gasolina chega na reserva
(com dois litros), é preciso acionar um botão no
punho direito para abrir a reserva. Uma recomendação:
nunca roda com tanque muito vazio pois força a bomba e pode
queimá-la.
CURVAS SINUOSAS
Basta olhar o estilo da Virago para imaginar que fica meio difícil
de levar bagagem. Nessa viagem a solução foi apelar
para as bolsas laterais e que foram desenhadas especialmente para
as customs. O pequeno banco do garupa é suficiente para
trajetos curtos, porque, além de uma espuma pouco densa,
obriga a ficar com a perna muito dobrada, cansando rapidamente.
Sob esse pequeno banco se localiza um porta-ferramentas. Já nas
Virago XV 750 o banco do garupa recebe mais espuma e tem mais jeitão
de banco mesmo. Na 1100 o garupa conta até com encosto,
melhorando muito o conforto.
Nos três modelos o banco do piloto garante conforto de sobra.
Dá para rodar uma "tancada" fácil. Na viagem-teste,
os 850 km de São Paulo a Laguna foram feitos em 10 horas,
sem pressa, parando basicamente para abastecimento. O único
item de desconforto fica pela rigidez da suspensão traseira
bichoque. Em estradas bem pavimentadas até que se pode
tentar uma jornada do tipo One Thousand Mile Day (mil milhas por
dia, ou 1.600 km em um dia), diversão dos motociclistas
americanos. Mas nos Estados Unidos não tem BR-116...
Quando a moto pega um buraco grande, parte do tranco é transferida
para a coluna do piloto. Talvez fosse melhor deixar de lado a fidelidade
ao estilo custom e adotar uma suspensão mais progressiva
em nome do conforto. A suspensão dianteira é macia
e garante uma viagem bem agradável.
As custom foram feitas para engolir quilômetros, mas de
preferência em linha reta. A vantagem do baixo centro de
gravidade, que melhora a estabilidade, é parcialmente anulada
pela grande distância entre-eixos. O quadro é do tipo
monotrave superior de berço aberto, com motor pendurado
fazendo parte da estrutura, bem ao estilo das motos antigas. Nas
curvas de baixa velocidade, as pedaleiras raspam no chão
e, nas curvas de alta, a frente parece querer ir para um lado e
a traseira para outro. Ou seja, um percurso de serra deve ser feito
com muito cuidado.
FORA DA ESTRADA
Na cidade, a XV 535 roda muito bem entre os carros. A pequena altura
permite colocar os dois pés no chão, facilitando
muito as manobras, daí sua preferência entre as
mulheres. Uma boa característica desse motor dois cilindros
em V a 70° é o torque plano, com boas respostas em
qualquer rotação do motor. Quase não se
usa o câmbio e mesmo que precisasse isto seria fácil,
já que o acionamento é suave e silencioso para
engatar as cinco marchas. Silencioso também é o
motor, que produz um ruído bem "harlista",
abafado em parte pela imensa, mas bem escondida, marmita atrás
do motor. A transmissão por cardã também
colabora para uma rodagem silenciosa, além de diminuir
muito as preocupações com manutenção.
Outra surpresa agradável foi o desempenho na terra e areia.
Para chegar ao Farol de Santa Marta é preciso percorrer
cerca de 30 km de terra, com alguns trechos de areião. Obviamente
que a XV 535 não passou pelo areião como uma trail,
mas na pista de terra pode-se manter boa velocidade. Os dois pára-lamas
mostraram-se mais decorativos do que funcionais, jogando areia
tanto pela frente, quanto pelas costas. A mesma coisa se repete
no molhado. Entre uma pancada de chuva e outra, deu para notar
que o pneu traseiro jogava água nas costas do piloto. Além
disso, na XV 535 avaliada surgiram dois pequenos problemas: o farol
não ficava na regulagem correta e quebrou o cabo de velocímetro.
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Farol de Santa Maria |
Ao preço de US$ 11.000, a Yamaha XV 535 Virago concorre
no mercado com a Honda CBX 750F Indy. Mas a briga vai ser mesmo
entre as outras custom, as Kawasaki Vulcan 500, 750 e 1500 e as
Suzuki Intruder VS 800 e 1340, além, é claro, das
Harley Davidson. A irmã caçula da Yamaha leva vantagem
pelas dimensões reduzidas. Será uma briga bem interessante,
já que esse segmento de mercado vem atraindo cada vez mais
motociclistas. Na Europa, por exemplo, as custom estão em
alta, tanto que a moto mais vendida na Itália no primeiro
semestre de 93 foi a Honda VT 600 Shadow que, por enquanto, não
está sendo importada para o Brasil.
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Farol de Santa Maria |
Yamaha
Virago 535
Ficha Técnica |
DIMENSÕES /CAPACIDADES |
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Tanque de combustível |
13,5 litros |
Comprimento |
2.285 mm |
Largura |
1.070 mm |
Altura |
1.095 mm |
Distância entre eixos |
1.520 mm |
Altura do assento |
720 mm |
Distância mínima
do solo |
n.d. |
Peso seco |
182 kg |
CHASSI |
Tipo |
Monotrave de berço
aberto |
Suspensão dianteira/curso/diâmetro |
garfo telescópico/150
mm/36 mm |
Suspensão traseira/curso |
duplo amortecedor/85mm |
Freio dianteiro/diâmetro |
A disco, com acionamento hidráulico,
cáliper / 264 mm |
Freio traseiro/diâmetro |
A tambor, 200 mm |
Pneu dianteiro |
3.00x18 |
Pneu traseiro |
140/90x15 |
Cáster/trail |
31,5°/125 mm |
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MOTOR |
Tipo |
OHC, 4 tempos,
arrefecido a ar, 2 cilindros em V a 70°, com 2 válvulas
por cilindro; 76 x 59 mm |
Cilindrada |
535 cm3 |
Alimentação/diâmetro
de venturi |
2 carburadores
Mikuni 80S/ 34 mm |
Potência máxima |
46,2 cv a 7.500
rpm |
Torque máximo |
4,8 kgf.m a 6.000
rpm |
Taxa de compressão |
9:1 |
Transmissão final/câmbio/embreagem |
eixo cardã/5
marchas/multidisco em banho de óleo |
Sistema de partida |
elétrica |
Relação final |
3,071:1 |
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