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Duas motos, dois comportamentos
bem diferentes
Finalmente chegou o momento tão esperado de colocar
lado a lado as duas motos nacionais mais velozes, durante
uma Aventura-Teste até o Foz do Iguaçu, PR,
fronteira com o Paraguai. A idéia era experimentar,
na prática, a Yamaha RD350LC e a Honda CBX 750F. Pela
primeira vez no Brasil os dois modelos que colocamos lado
a lado eram de série, ou seja, que podem ser encontrados
em qualquer revenda e não as versões pré-série
como as testadas anteriormente por Duas Rodas.
Eu estava ansioso há mais de 20 dias esperando pela
entrega da RD, mas problemas com a fábrica (veja quadro)
fizeram nossa viagem atrasar. Quando pegamos a moto, a Yamaha
fez questão de frisar que nestes 20 dias estava "preparando
e revisando" a moto, mas assim que o Geraldo Simões
(conhecido internamente como Tite), pilotou a moto por poucos
quilômetro já foi possível sentir os
efeitos da "revisão". A cerca de 160 Km/h
a moto balançava a frente de tal modo que assustou
até a mim, que vinha atrás com a CBX. Voltar
para a fábrica significaria atrasar mais ainda, então
decidimos minimizar o problema, levando a moto a um revenda
para localizar e, se possível, consertar os defeitos.
Foi constatado que o eixo da roda dianteira estava solto,
a mesa superior e coluna de direção estavam
muito apertadas e o pneu descalibrado. Mesmo assim a roda
foi balanceada. Este foi o primeiro erro: jamais deve se
proceder várias alterações ao mesmo
tempo, mas uma de cada vez, testando para saber o que melhorou
e o que piorou.
As medições
Quando fui pegar a moto para fazer mediações,
constatei que o pneu havia esvaziado um pouco, ou seja, havia
um pequeno furo ou defeito que fazia o pneu perder ar lentamente.
O mais impressionante é que um representante da Yamaha
confessou saber dos problemas da moto porque havia feito
uma viagem com ela durante o período de "preparação
e revisão". Por tratar-se de questão interna
da empresa, e como oficialmente ela nos foi entregue "em
ordem", só nos restava prosseguir o teste. Afinal,
a fábrica nos garantia que são essas as motos
que irão para as revendas.
Com um calibrador à mão, fui para o teste
de consumo e um outro problema ficou evidente: numa faixa
entre 5.000 e 7.0000 rpm o motor falhava, perdendo torque
e solicitando uma redução da marcha. Como conseqüência,
os resultados foram piores em relação ao modelo
pré-série. Naquela versão, considerada
pela fábrica como não ideal para teste, a moto
fez 17,7 Km/litro a 100 Km/h e a média geral durante
os testes foi de 10,7 Km/litro. O consumo em estrada ficou
em 16,3 Km/litro.
Já o modelo normal de série fez 14,7 Km/litro
a 100 Km/h; 11,4 Km/litro na estrada. Aliás todos
os resultados obtidos com esta moto foram piores em relação à pré-série.
A aceleração de zero a 100 Km/h foi de 5,9
seg., 3 décimos de segundo mais lenta que a anterior.
A velocidade máxima piorou: 185,2 Km/h em quatro passagens,
contra 193,05 da pré-série. Ou seja, aquela
unidade, que tinha número de chassi 000.007 era melhor
do que esta, número 000.106.
A viagem
As duas motos desta aventura já eram bem conhecidas
minhas, porém nas versões importadas. A Honda
CBX 750F me acompanhou até Porto Seguro, BA, (Duas
Rodas nº 131) e a Yamaha RD 350LC me levou
até a cidade de Guaíra, PR, fronteira com o
Paraguai, (Duas Rodas n° 120). As motos
têm características bem distintas. A CBX possui
motor quatro tempos, refrigerado a ar, 747cc (67 x 53 mm),
quatro cilindros, pesa 229 quilos e desenvolve uma potência
de 82 CV a 9.500 rpm. Já a RD, tem motor dois tempos,
refrigerados a água, 347cc (64 x 54 mm), dois cilindros,
pesa 176 Kg e desenvolve potência máxima de
55 CV a 9.000 rpm.
Mas mal iniciei a viagem, pude constatar que aquela RD
350LC que conheci em uma outra viagem também ao Paraguai,
não estava ali. Pelo contrário, essa agora
não oferecia segurança nas curvas, em parte
pelos pneus nacionais, em parte pelas suspensões nacionalizadas.
Em cada irregularidade no asfalto, era preciso aliviar o
acelerador. Mas o pior era nas retas. Para tentar acompanhar
o Tite na CBX, eu abaixava atrás da carenagem e acelerava
tudo. Aconteciam duas coisas: à cerca de 140 Km/h
a trepidação era tanta que pensei que fosse
perder as obturações dos dentes; passando desta
velocidade, ela entrava em ressonância iniciando um
shimmy violento. Enquanto isso o Tite ia tranqüilo,
a mais de 200 Km/h com o Landau (apelido que demos a CBX).
Porcas em fuga
Com a vibração, alguns componentes da moto
se soltaram. Os principais parafusos que prendem a carenagem
perderam suas porcas e caso os parafusos também tivessem
desistido da viagem eu iria atropelar a carenagem, o painel
e o farol porque eles ficariam presos apenas por alguns parafusos
secundários. Outra peça fugitiva foi o esticador
de corrente, que só demos por sua falta já em
São Paulo, na hora de lavar a moto.
Na RD 350LC importada, os comandos nos punhos eram simplesmente
perfeitos. Já na RD nacional esses punhos foram substituídos
pelos da Yamaha AD-Z 125, que devem ter sido projetadospor
alguém que nunca ouviu falar em ergonomia. O comando
da buzina e lampejador estão num único botão,
dificultando o acionamento. O botão do pisca não
tem sensibilidade e para saber se está ligado deve-se
olhar para o painel ou apalpar o botão.
A volta de Landau
Depois de 1.200 Km com a RD 350LC, eu merecia a mesma quilometragem
com o Landau (CBX). Realmente a CBX é uma moto para
viagens. As paradas para descanso podem ser menos freqüentes
graças à posição de pilotagem
mais ereta. Eu não quero dizer que a RD é uma
moto ruim ou errada, apenas ela não tem o compromisso
de levar alguém por mil Km num dia, principalmente
em estradas esburacadas. Ela foi feita para dar prazer
em estradas sinuosas de uma serra européia, onde
o asfalto é melhor.
Foi na volta que eu comecei a comparar as duas motos. O
motor mais elástico da CBX permite ultrapassagens
sem troca de marchas, enquanto na RD é preciso reduzir
até terceira para "recuperar" o fôlego
do motor. Aliás a RD é que necessita de uma
luz "Top" existente na CBX indicando a sexta marcha,
porque a quinta da RD pode atingir quase a velocidade máxima
sem que o piloto perceba.
Mas a CBX também tem seus problemas. O primeiro é o
marcador de combustível que não tem precisão.
Graças a isto, o Tite ficou "a pé" quando
estava saindo de sua casa para me encontrar na saída
de São Paulo. Outro detalhe que literalmente enche
o saco é a luz "Top" indicando sexta marcha
engatada. Além de desnecessária, esta luz fica à noite
iluminando a cara do piloto, que se estiver de viseira molhada
verá uma linda estrela violeta à sua frente.
Outra coisa que incomoda é a bóia do marcador
de combustível, ela fica batendo dentro do tanque
como se tivessem esquecido alguma ferramenta lá dentro.
Depois de 2.500 Km e muitos litros de chuva, cheguei à conclusão
de que a CBX fica mais à vontade em viagens longas.
Não se pode negar as qualidades da AD, mas também
não podemos dizer que ela é igual ou melhor
que a CBX. Nessa questão entra preço, manutenção,
conforto, peso, esportividade e gosto pessoal.
O consumo da CBX nesta viagem foi no máximo de 10,3
Km/litro para uma velocidade média de 160 Km/h, enquanto
a RD andando junto fez 11.4 Km/litro. Mas em velocidades
menores, o motor mais elástico da CBX leva vantagem.
A média urbana da CBX ficou 17,8 Km/litro, enquanto
a RD fez 15,6 Km/litro. Durante toda a viagem a CBX consumiu
176,0 litros de gasolina. enquanto a RD consumiu 186,5 litros,
o que corresponde a uma média de 14,2 Km/litro para
a CBX e 13.4 Km/lilro para a RD.
O fato da CBX custar quase o dobro da RD (Cz$ 137 mil na
tabela contra Cz$ 75 mil) não quer dizer que ela seja
duas vezes mais moto. O encarecimento está em detalhes
da construção e de acabamento. Enquanto a CBX
possui um acabamento mais luxuoso, adequado a uma moto 750cc
estradeira, a Yamaha RD foi concebida para pilotos que amam
a esportividade, que gostam de motos leves e velozes, mesmo
que isso signifique fios aparecendo ou soldas mal acabadas.
O importante na RD 350LC é a emoção.
Chegando em São Paulo, tive a sensação
de que poderia rodar mais no mesmo dia com a CBX, enquanto
pela expressão "desgastada" do Tite, parecia
que ele não chegaria nem em casa. Para chegar inteiro
com a RD era preciso reduzir a quilometragem percorrida e
os buracos na estrada. Além disso poderia reduzir
os dias de "preparação e revisão" da
moto na própria fábrica, pois desta vez, pelo
menos ficou bem claro que eles não adiantaram nada.
Gabriel Marazzi
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Uma moto perfeita. Essa era a promessa da Yamaha?
Em agosto de 1986 Duas Rodas realizava para sua
edição de setembro, o teste com uma Yamaha RD 350LC
pré-série. Prometia a seus leitores que, em seguida,
faria uma avaliação mais exata com a RD já de
linha, sem as limitações usuais de um “protótipo”.
Ao contrário do que esperávamos, e de muitas cobranças à Yamaha,
a moto de série demorava.
Finalmente, no início de novembro, surgiu a notícia
de que as RD 350LC estariam chegando às revendas. Era, portanto,
hora de efetivamente testar a moto que o motociclista poderia comprar
na loja. Começou então uma verdadeira maratona com
a Yamaha. Durante mais de 20 dias os telefonemas foram diários,
falando com diversos escalões da fábrica, e a resposta
era sempre a mesma: "ainda não temos data exata de
entrega. Mas quando a RD for para Duas Rodas estará absolutamente
perfeita. em condições de passar por todos os testes".
Quando finalmente a RD 350LC tão esperada e preparada saiu
da fábrica não foi preciso mais de 100 metros para
constatar que era uma motocicleta com problemas. "Shimava" (balançava)
a frente em reta, estava "horrível de curvas",
vibrando demais entre diversos outros problemas como pode ser conferido
no teste.
Mesmo assim, oficialmente Duas Rodas recebeu
essa unidade "em perfeitas condições de teste" e é dentro
desse critério que a motocicleta foi julgada. Agora, se
for com motocicletas assim que o mercado será alimentado,
só temos a lamentar. De todos os testes que fizemos com
os vários protótipos da RD 350LC, e já foram
vários, a pior unidade foi justamente a considerada "perfeita" pelo
fabricante.
Se isso não parece fazer muito sentido, um "release" (notícia
para divulgação) da própria Yamaha mostrou-se "coerente":
noticiava que a Yamaha RD 350LC havia sido eleita a "Moto
do Ano" por um júri formado por jornalistas especializados
do Rio Grande do Sul e supervisionado por uma revista chamada Moto
Auto. O estranho dessa notícia, divulgada pela própria
Yamaha, vale lembrar, é que um veículo só pode
ser considerado "do ano" quando alguém respeitado
já andou nele e assim pode julgar suas virtudes. Como na
ocasião os jornalistas do júri só poderiam
ter experimentado protótipos, já que a moto não
havia chegado às revendas. Mas em um ponto a Yamaha está cheia
de razão. É quando seu diretor comercial, Hiroshi
Ukon, afirma que a principal preocupação de sua empresa
deve ser com o controle de qualidade.
Roberto Araújo
Fichas Técnicas
Medições
Especificações
Técnicas
| |
|
HONDA
CBX75F |
YAMAHA
RD350CL |
| Motor |
TIPO |
quatro
cilindros em linha quatro tempos, refrigerado a ar. duplo
comando de válvulas nos cabeçote, quatro válvulas
por cilindro. |
bicilíndrico
de dois tempos refrigerado a água, com circuito selado,
cilindros paralelos inclinados para a frente. Torque Induction.
sistema YPVS controlado por microcomputador. |
| CILINDRADA |
747cc
(67,0 mm de diâmetro e 53,0 mm de curso) |
347cc
(diâmetro de 64 mm e curso de 54 mm) |
| TAXA
DE COMPRESSÃO |
8,8:1 |
5,0:
1 |
| ALIMENTAÇÃO |
quatro
carburadores Keihin VE 64B de 34 mm de venturi. Diagrama de válvulas
- admissão abre 10° antes do PMS e fecha 40° depois
do PMS; escape abre 45° antes do PMS e fecha 5° depois
do PMS. |
dois
carburadores VM Mikuni com 26 mm de venturi bicromatizado |
| POTÊNCIA
MÁXIMA |
82,0
CV a 9.500 rpm |
55
CVa 9.000 rpm |
| TORQUE
MÁXIMO |
6,5
Kgf.m a 8.000 rpm |
4,74
Kgf.m a 8.500 rpm |
| Câmbio |
|
seis velocidades |
6 velocidades, de engrenamento
constante, transmissão secundária por corrente,
partida a pedal |
| RELAÇÕES DE REDUÇÃO |
1) 3,000:1; .2) 2,235:1; 3) 1,750;
4) 1,434:1; 5) 1,240. 1; 6) 1,115:1 |
1) 36/14 - 2,571:1; 2) 32/18 -
1,778:1; 3) 29/22 - 1.311p; 4) 26/24 - 1.003:1; 5)25/26 - 0.962:1;
6)24/27 -0.889:1 |
| EMBREAGEM |
multidisco em banho de óleo
com acionamento hidráulico. Discos com dispositivo antibloqueio
da roda traseira |
multidisco em banho de óleo.
com acionamento “Push lever" |
| RELAÇÃO
PRIMÁRIA |
por engrenagem, relação
de 1,780:1 |
66/23 - 2,87 |
| RELAÇÃO
SECUNDÁRIA |
transmissão
por corrente, relação de 2,812:1 |
Coroa
39 dentes, pinhão 17 dentes (relação
de transmissão 2,294) |
| Dimensões |
COMPRIMENTO |
2.185 mm |
2.120 mm |
| LARGURA |
740 mm |
690 mm |
| ALTURA |
1.240 mm (sem os retrovisores) |
1.190 mm |
| DISTÂNCIA ENTRE EIXOS |
1.490 m |
1.385 mm |
| ALTURA DO BANCO |
830 mm |
780 mm |
| VÃO LIVRE |
145 mm |
165 mm |
| PESO LÍQUIDO |
229 Kg |
176 Kg |
| Capacidades |
TANQUE DE COMBUSTÍVEL |
22,0 litros |
18 litros, incluindo 4,3 litros de reserva |
| ÓLEO LUBRIFICANTE |
4,5 litros |
|
| ÓLEO 2 TEMPOS |
- |
1,56 litro |
| ÓLEO DO CÂMBIO |
|
1,70 litro |
| AMORTECEDORES DIANTEIROS |
esquerdo 376cc; direito 366cc |
|
| Quadro |
TIPO |
tubular de aço duplo berço,
viga central única |
tubular em berço duplo,
com fixação ortogonal do motor |
| Cáster |
Cáster - 27° |
26° |
| Trail |
trail - 101 mm |
96
mm |
| Suspensões |
DIANTEIRA |
garfo telescópico de 39
mm de diâmetro com amortecedores óleopneumáticos;
curso 150 mm |
garfo telescópico hidropneumático.
de ação progressiva. com sistema "Variable
Damper""; Capacidade de óleo em cada bengala
- 287cc; Curso de - 150 mm |
| TRASEIRA |
balança oscilante de aço
com amortecedor central único sistema Pro-Link; curso
103 mm |
monoamortecimento
central de choque único Monocross, regulável
em sete posições: Curso do amortecedor - 40
mm; Curso da Roda - 100 mm; |
| Pneus |
DIANTEIRO |
Pirelli Phanton 100/90 H18 56H
com câmara de ar |
Pirelli 90/90-18 51 H; Pressão
- 28 libras |
| TRASEIRO |
Pirelli Phanton 130/80 H18 66H
com câmara de ar |
Pirelli
110/80-18 58 H; Pressão 32 libras |
| Freios |
DIANTEIRO |
a duplo disco com pinças
duplas e acionamento hidráulico |
duplo disco de acionamento hidráulico,
com pistões contrapostos, pastilhas semi-metálicas |
| TRASEIRO |
um disco com pinça dupla
e acionamento hidráulico |
disco simples, de acionamento
hidráulico, com pistões contrapostos, pastilhas
semi-metálicas |
| DIÂMETRO DOS DISCOS |
276 mm |
267 mm |
| ESPESSURA DOS DISCOS |
5 mm |
- |
| Sistema elétrico |
IGNIÇÃO |
eletrônica sem platinado |
eletrônica CDI (Ignição
por descarga capacitiva), 12 Volts, com magneto e bateria |
| PARTIDA |
elétrica |
por pedal |
| ALTERNADOR |
320 Watts a 5.000 rpm |
182 Watts |
| BATERIA |
12 V; 14 Ah |
12 Volts e 5,5 Amperes/hora |
| VELAS |
NGK DPR 8 EA 9, NDX24 EPR U9 |
NGK BR8ES. Obs - vela com resistência
para não Interferir no microcomputador |
| FUSÍVEIS |
tipo faca |
- |
| FAROL |
|
12
Volts, 6OW/55W (bulbo de quartzo). |
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