Quando falamos em motos com placa preta, logo pensamos numa CG ‘Bolinha’, 1976, laranja. Mas o universo dos colecionadores vai mundo além de antigos modelos Honda – e acabou de acolher novas opções. Por isso, separamos 7 motos incríveis que podem receber placa preta em 2026. Se você é fã de veículos antigos, aproveite.
O que é uma moto com placa preta?
No Brasil, os veículos têm suas placas divididas por categorias, como ‘particular’, ‘oficial’ e ‘diplomática’, com suas respectivas cores. Assim, motos e carros de coleção são identificados com a famosa placa preta. Mais que uma mera cor, é um símbolo: ela significa que você diante de um veículo com história, preservado ao longo das décadas em exemplar estado de conservação. É patrimônio automobilístico. É status.
Para estar apto a receber placa preta, há regras. A principal é: ter 30 anos de fabricação ou mais. Além disso, é preciso manter pelo menos 80% de originalidade, o que inclui motor, chassi, rodas, suspensão, freios e acessórios originais da época. Depois, é preciso estar filiado a um clube membro da FBVA (Federação Brasileira de Veículos Antigos), que irá reconhecer a originalidade do seu xodó. Se tudo der certo, você recebe o Certificado de Veículo de Coleção (CVC) e, após ir ao Detran, enfim pode desfilar com sua moto de placa preta por aí.
Legal, né? Além da exclusividade, outra vantagem de ter placa preta é, claro, a valorização do seu bem. Uma coisa é ‘uma moto antiga conservada’, outra, bem diferente, é ‘uma moto antiga preservada o suficiente para receber uma certificação de veículo de colecionador atribuída pela Federação Brasileira’. Isso vale muito. Literalmente.

Motos que podem ter placa preta em 2026
Você piscou e 1996 foi há 30 anos. Por isso, listamos motos que chegaram ao Brasil há três décadas e que se tornaram aptas a receber placa preta em 2026. Na lista, há desde modelos populares até raras motos importadas que, por si só, já são considerados itens de colecionador.
1. Honda XLR 125
Não tem CG, mas tem Honda 125. A XLR era uma evolução da XL 125 S, com visual mais moderno (inspirado em famílias maiores), suspensão traseira Pro-Link e compartilhou o motor mais atual da época, da CG 125 Titan. Ficou em produção até 2003, quando deu lugar a outra trail de baixa cilindrada que logo se tornaria um fenômeno de vendas: a Bros.

2. Yamaha XT 225
Outra moto clássica brasileira. A XT 225 era a ‘nossa’ representante da Yamaha Serow 225, já consolidada como um sucesso no exterior. Dividindo espaço nas lojas com as bem-sucedidas DT, a XT tentou levar o sucesso da Yamaha com as motos trail ao universo das motos 4 tempos.

Tinha motor de 223 cm³, 4 tempos, SOHC, monocilíndrico e refrigerado a ar, que entregava 19 cv e 1,9 kgf.m. O câmbio era de 6 velocidades. As suspensões de longo curso trabalhavam junto de rodas 18″ e 21″, numa moto ágil e que pesava menos de 120 kg. Apesar dos vários atributos, perdeu o fôlego com a chegada da Honda XR 250 Tornado ao mercado. Para revidar, a Yamaha aposentou a XT e lançou a XTZ 250 Lander, que segue em produção até hoje.
3. BMW R 1100 RT
Das motos nacionais de baixa cilindrada, para os ícones globais de conforto e tecnologia. A BMW R 1100 RT foi lançada mundialmente em 1995 e chegou por aqui cerca de um ano depois. Era uma moto touring de alta cilindrada, criada para longas viagens com conforto, estabilidade e tecnologia avançada para a época.

Entre os destaques, as famosas suspensões Telelever (dianteira) e Paralever (traseira), freios ABS, pára-brisa ajustável e malas laterais como itens de fábrica. O motor era um boxer de 2 cilindros opostos, de 1.085 cc, refrigerado a ar, que gerava 90 cv e 9,7 kgf.m de torque. Também disponível na Europa, Estados Unidos e Japão, vendeu mais de 50 mil unidades até sua aposentadoria, em 2001.
Veja também:
Motos chinesas e indianas: 10 modelos para aguardar em 2026
Custo-benefício: 4 motos de até 40 mil para comprar em 2026 e não se arrepender
4 e 5. Suzuki Bandit 600 e Bandit 1200
Agora, desempenho em dose dupla. No meio dos anos 1990, a Suzuki trouxe ao Brasil as novíssimas GSF Bandit, em suas versões de 600 e 1200 cilindradas. Era um novo projeto da marca, de motos versáteis, que levavam o poder dos motores de 4 cilindros (assunto onde a Suzuki se tornou referência na época) para propostas urbanas e estradeiras. Era o início de uma febre chamada ‘naked de 4 cilindros’, que têm resquícios até hoje.

A 600 chegou primeiro, com motor de 4 cilindros em linha, arrefecido a ar e óleo (sistema SACS). Entregava 80 cavalos e 6 kgf.m de torque. A 1200 veio logo depois, com 1.157 cc, 98 cavalos e 9,4 kgf.m de torque – disponíveis logo aos 6.500 rpm. Logo elas receberiam uma versão semi-carenada, a S, e uma com carenagem integral, as GSX-F. A família GSF fez grande sucesso no Brasil e no exterior, que pavimentou o caminho para outro ícone do desempenho que a Suzuki lançaria logo depois: a GSX-R 1300 Hayabusa, em 1999.

6 e 7. Yamaha Thunderace 1000 e 600
Claro que nossa lista de motos que se tornaram aptas a receber placa preta em 2026 também teria raridades. Nos anos 1990, a Yamaha investiu pesado no segmento das esportivas, num processo que culminaria com o lançamento da icônica YZF-R1, em 1998. Mas houve antecessoras.

A YZF 1000 Thunderace chegou ao Brasil em 1996. Tinha motor de 4 cilindros em linha, 998 cc, refrigerado a líquido, com 20 válvulas e sistema EXUP no escape. Sim, 5 válvulas por cilindro. Assim, gerava 145 cv e 10,5 kgf.m de potência e torque, números topo de linha para a época. Ainda contava com chassi Deltabox leve em alumínio.

A YZF 600 Thundercat era a irmã menor, antecessora da YZF-R6. Com motor de 4 cilindros em linha, 599 cc, refrigerado a líquido, comando DOHC e carburadores de 36 mm, entregava 98 cv e 6,1 kgf·m de potência e torque. Enquanto a 1000 tinha um ar ‘sport-touring’, a 600 era totalmente voltada à esportividade.
8. Kawasaki Vulcan 800
A família Vulcan vai, e sempre foi, muito além da 650. No fim dos anos 1990, a Vulcan 800 chegou para ser a representante intermediária, com posição de pilotagem confortável e motor V-Twin de 805 cc, já com arrefecimento a líquido. Entregava 55 cv e 6,4 kgf.m de torque, num conjunto que contava com câmbio de 5 velocidades. À venda em muitos mercados, ficou nas lojas até os anos 2000, quando cedeu espaço à Vulcan 900 – ainda em produção lá fora, mas indisponível no Brasil.

9. Honda Shadow 600
Aqui, uma licença poética. A Shadow 600 chegou ao Brasil em 1995, então já pode receber placa preta desde o ano passado, mas não poderíamos deixá-la de fora da nossa lista. Afinal, estamos falando da moto custom de maior sucesso comercial da história do país. Ninguém vendeu como ela. Nunca.

Por trás do seu êxito, está a união do estilo clássico cruiser com a envergadura da Honda, o que inclui sua gigantesca rede de vendas e assistência técnica, além de boa aceitação de mercado. As primeiras unidades chegaram importadas, com modelos 39 cv e 5,1 kgf.m entregues pelo motor V-Twin de 583 cc. Não emocionava, mas seu torque era suficiente. Diante da avalanche de vendas, foi nacionalizada logo depois, em 1997. Ficou nas lojas até 2005, quando cedeu lugar à Shadow 750.
10. Suzuki GSX-R 750
Nos anos 1990, o mundo se emocionava com uma ‘corrida de desenvolvimento’ entre as motos esportivas. Novas tecnologias, menos peso, mais cilindros, projetos inéditos e muita inovação. Foi neste conceito que a Suzuki apresentou ao mundo mais um modelo que nasceu para fazer sucesso, a GSX-R750. Sim, a primeira Srad.

Equipada com o sistema SRAD (Suzuki Ram Air Direct), se tornou um ícone entre as 750 cc. Não era para menos, pois entregava 150 cv de potência (e 8 kgf.m de torque) com seu motor de 4 cilindros em linha, 749 cc, refrigeração líquida, DOHC e 16 válvulas. Além do sistema SRAD, tinha chassi em alumínio, suspensões ajustáveis e diversos outros componentes voltados ao desempenho e esportividade. Ficou nas lojas do país até 2016.

