Mesmo com liderança "folgada" no mercado nacional, a Honda Brasil teve modelos com vendas abaixo de 40 unidades no semestre.

Mesmo dominando amplamente o setor de motocicletas no país, a Honda Brasil também tem os modelos que não vendem tão bem assim. No primeiro semestre de 2025, a marca ultrapassou a impressionante marca de 31 milhões de motos produzidas desde 1976 e viu um crescimento de 6% nos emplacamentos em relação ao mesmo período de 2024. Ainda assim, alguns modelos passaram praticamente despercebidos, seja pelo preço alto ou pelo fato de não cair nas graças do brasileiro.

CG 160: mais de 224 mil emplacamentos no semestre - Divulgação
CG 160: mais de 224 mil emplacamentos no semestre – Divulgação

As menos vendidas da líder: um panorama inusitado da Honda Brasil

Segundo os dados mais recentes da Fenabrave, a Honda Brasil detém 67,67% de participação no mercado nacional. Embora esse número já tenha sido mais alto em outras épocas, nenhuma outra montadora sequer ameaça a hegemonia da marca. A CG 160, por exemplo, é hoje o veículo mais vendido do país, superando até mesmo automóveis. Com mais de 224 mil unidades emplacadas apenas neste semestre, ela lidera com folga, seguida pela Biz 125 (131 mil unidades) e pela Pop 110i (113 mil).

Mas o que pouca gente observa são os modelos da Honda Brasil que não “emplacaram” muito. Eles existem, e estão longe de serem insignificantes.

A Tornado 300 não está na lista da menos vendidas pela Honda Brasil - Divulgação
A Tornado 300 não está na lista da menos vendidas pela Honda Brasil – Divulgação

Quando menos é realmente menos

Antes de listar as motos que menos emplacaram, é importante lembrar que estar entre as menos vendidas da Honda Brasil não significa, necessariamente, um fracasso comercial. Em alguns casos, há fatores pontuais que justificam os baixos números.

Mas quais foram as menos vendidas da Honda? Se alguém apostou seco na XR 300L Tornado, perdeu a aposta. Apesar de estar longe de concorrer com a Yamaha Lander 250 ou mesmo uma disputa caseira com a XRE 300 Sahara, a Tornado não configura entre as 7 motos menos emplacadas da Honda.

Pelo que pesquisamos, a Tornado tem uma produção que é pelo menos 3 vezes maior que suas vendas. Ao menos no cenário nacional. Enquanto ela acumula 5.570 unidades vendidas no semestre – novamente, informação da Fenabrave – a produção alcançou 15.190, no mesmo período. Informação de produção da Abraciclo. Acreditamos que a Tornado esteja sendo exportada para nossos vizinhos, como Argentina e Colômbia.

A CB 650R E-Clutch chega nesta segunda metade de 2025 - Divulgação
A CB 650R E-Clutch chega nesta segunda metade de 2025 – Divulgação

Outros modelos aparecem com vendas reduzidas devido à transição de geração. É o caso da CB 650R e da CB 500F, cujas linhas de montagem foram pausadas desde janeiro. Elas aguardam a chegada de versões atualizadas, como a Hornet 500 (que substitui a CB 500F) e uma nova CB 650R com sistema de embreagem eletrônica (E-Clutch).

Por outro lado, a gigante GL 1800 Gold Wing, primeiro lugar entre as menos vendidas, tem o preço como explicação. Poucos podem dispor de mais R$ 300 mil reais para comprar uma moto. Para sermos exatos, os poucos foram 39, neste primeiro semestre.

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As 7 motos menos vendidas da Honda Brasil no 1º semestre de 2025

A seguir, confira a lista dos sete modelos da Honda Brasil com menor número de emplacamentos entre janeiro e junho de 2025. Nenhum deles alcançou 1.000 unidades no acumulado do período.

1. Honda 1800 Gold Wing – 39 unidades

Honda 1800 Gold Wing
Honda 1800 Gold Wing – Divulgação

Modelo premium da marca, a Gold Wing é referência em conforto e tecnologia para longas viagens, mas tem público extremamente específico. Seu preço elevado e proposta touring a tornam uma escolha de nicho.

2. Honda X-ADV 750 – 139 unidades

Honda X-ADV 750
Honda X-ADV 750 – Divulgaçao

Com proposta híbrida entre scooter e aventureira, a X-ADV 750 atraiu poucos consumidores no primeiro semestre. Apesar do design arrojado e da tecnologia embarcada, seu custo elevado pode ser um dos motivos para a baixa adesão.

3. Honda CBR 650R – 140 unidades

Honda CBR 650R - Divulgação
Honda CBR 650R – Divulgação

Esportiva de média cilindrada, a CBR 650R passa por um momento de transição. A marca deve apresentar um modelo renovado em breve, assim como acontece com a versão naked. Mas o preço também é um dos fatores, além de ser um produto também de nicho.

4. Honda CB 1000R – 231 unidades

Honda CB 1000R - Divulgação
Honda CB 1000R – Divulgação

Com desempenho robusto e visual neo retrô, a CB 1000R chegou a liderar o segmento naked no Brasil. Em 2025, suas vendas seguem discretas, refletindo a tendência do público de priorizar modelos mais versáteis ou com menor custo de aquisição.

5. Honda CB 650R – 357 unidades

Honda CB 650R
Honda CB 650R – Divulgação

Também em pausa de produção, a CB 650R aguarda uma nova versão com a esperada embreagem E-Clutch. Enquanto isso, suas vendas caíram.

6. Honda ADV 150 – 639 unidades

Honda ADV 150
Honda ADV 150 – Divulgação

Scooter aventureira de baixa cilindrada, o ADV 150 não conseguiu se firmar entre os consumidores urbanos. Com visual robusto e proposta versátil, ainda assim ficou bem atrás de outros scooters da própria marca.

7. Honda CB 500F – 842 unidades

Honda CB 500F - Divulgação
Honda CB 500F – Divulgação

Assim como a CB 650R, a CB 500F está de saída. A linha de montagem foi descontinuada para dar lugar à nova Hornet 500, o que justifica seu desempenho modesto neste semestre.

Estratégias de mercado e reposicionamento

A presença de modelos em fim de ciclo ou com características de nicho reforça a necessidade de leitura atenta dos números. A Honda Brasil, ciente da diversidade de seu público, trabalha com um portfólio amplo que inclui desde modelos populares até motos premium.

Modelos como a Gold Wing e a CBR 650R não são pensados para grandes volumes de venda.  Mas a substituição da CB 500F pela Hornet 500, por exemplo, aponta para uma possibilidade de novo fôlego nas vendas. O mesmo vale para os próximos lançamentos, já previstos inclusive para o próximo ano.

O desempenho de vendas no segundo semestre pode trazer surpresas. Com a chegada de novos modelos e a retomada da produção de versões atualizadas, algumas dessas motos hoje pouco vendidas podem ganhar tração ou simplesmente dar lugar a projetos mais competitivos.

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Jornalista, web designer, desenvolvedor web e editor ao mesmo. Já fui radialista, publicitário e até metalúrgico metaleiro. Acabei entrando e abraçando o mundo 2 rodas por influencia do meu irmão mais velho.
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