A Bajaj está prestes a assumir oficialmente o controle da KTM, e as primeiras declarações do novo comando indicam uma mudança profunda na estratégia da fabricante austríaca. Rajiv Bajaj, CEO da Bajaj Auto, afirmou que a nova gestão deve implementar uma redução de 50% nos gastos gerais, o que pode afetar diretamente a participação da marca nas competições, incluindo a MotoGP.

A autorização final da Comissão Europeia de Aquisições deve ser concedida ainda neste mês de novembro, consolidando a transferência de controle da KTM para a Bajaj Auto. O movimento ocorre após um período de crise na montadora austríaca, que enfrentou dificuldades financeiras nos últimos anos.
Durante entrevista à emissora indiana CNBC-TV18, Rajiv Bajaj destacou que os cortes fazem parte de uma estratégia de recuperação. Segundo ele, a meta é reduzir significativamente as despesas em áreas como pesquisa e desenvolvimento, marketing — que inclui o departamento de corridas, tanto MotoGP quanto competições off-road —, operações e administração.

Críticas à KTM
Rajiv Bajaj foi direto ao apontar falhas na condução da KTM nos últimos anos. O executivo afirmou que os gastos elevados e a falta de foco estratégico levaram a empresa a uma situação insustentável. Com a nova estrutura sob comando da Bajaj Auto, o objetivo é reequilibrar as contas e adotar uma política de gestão mais rigorosa.
A possível redução de investimentos no esporte a motor levanta dúvidas sobre a permanência da KTM na MotoGP e em competições off-road. Embora ainda não haja confirmação oficial sobre cortes diretos no programa de corridas, o impacto financeiro tende a ser expressivo, considerando o plano de enxugamento de 50% anunciado pelo novo CEO.
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Novo motor em processo
Apesar das declarações do executivo indiano, o diretor de esportes a motor da KTM, Pit Beirer, afirmou que a fabricante pretende manter-se na MotoGP ao menos até depois de 2026. O dirigente revelou que o desenvolvimento de um novo motor de 850 cilindradas já está em andamento e que o projeto faz parte da adaptação às novas regras da categoria, previstas para 2027.
Beirer reconheceu que a contenção de despesas é inevitável, mas reforçou que as palavras de Rajiv Bajaj refletem a realidade financeira da empresa. “Não há dúvidas de que Bajaj contribuiu significativamente para salvar a KTM. O controle de custos é uma necessidade, não uma opção”, afirmou em entrevista ao site alemão, Speedweek.

Porém, diretor de esportes salientou que as decisões a respeito das competições foram tomadas em conjunto (com a Bajaj) há muito tempo. Segundo ele, não faria sentido investir em um novo motor, se não irão utilizá-lo. “Estamos na MotoGP e vamos continuar”, completou.
Recentemente, a KTM divulgou o som do novo motor de 850cc, tornando-se a primeira entre as cinco fabricantes da MotoGP a apresentar oficialmente o propulsor que deve equipar as motos a partir de 2027.
O atual contrato de participação da marca no campeonato expira no fim de 2026, e uma eventual renovação com a Dorna, promotora da categoria, dependerá das decisões da nova gestão.

Futuro da KTM e próximos passos da Bajaj
Nos próximos dias, deve ser oficializada a aquisição total da KTM pela Bajaj, que passará a definir os rumos da empresa em competições e no desenvolvimento tecnológico. A expectativa é que as medidas de reestruturação sejam anunciadas em breve, com foco em garantir sustentabilidade financeira e fortalecer a presença global do grupo.
Independentemente do impacto imediato nos esportes, a consolidação da Bajaj como controladora total da KTM marca uma nova fase na indústria motociclística internacional.
