CBR 600RR: últimas mudanças da moto chegaram em 2014

CBR 600RR: fim da produção na Europa e possível adeus no Brasil

A Honda CBR 600RR possui uma história gloriosa. Criada em 2003, teve seu projeto inspirado na lendária Honda RC 211V, primeiro protótipo da marca na era dos motores quatro tempos (até aí eram os barulhentos e ágeis motores de dois tempos) no mundial de motovelocidade. Foi com ela que Valentino Rossi abocanhou seus dois primeiros títulos da MotoGP, em 2002 e 2003. Trazendo o conceito de supersportiva para as ruas, em forma de uma motocicleta média de 600cc (a da MotoGP tinha 990cc), a Honda criou a CBR 600RR. Uma linda história de amor entre motos de pista e de rua que está perto de escrever suas últimas linhas.

Modelo surgiu em 2003, produzido no Japão

Modelo surgiu em 2003, produzido no Japão

Sabemos que as marcas estão tendo trabalho para adaptar projetos antigos às novas leis ambientais no Brasil, impostas pela segunda fase do Promot 4 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares) – como aconteceu com a nova e recém testada XRE 300. Aliás, em novembro de 2015 falamos aqui no Motonline que alguns modelos acabariam saindo de linha por não se adequarem às novas regras, o que acabou acontecendo com as Honda’s NX 400i, Shadow e Transalp, entre outros modelos e marcas. A Europa também possui um programa para regulamentar a emissão de poluentes de suas motocicletas, e adivinhe quem reprovou no teste: exatamente, a CBR 600RR.

RC211v, campeã na MotoGP pelas mãos de Valentino Rossi, serviu de base para construção da CBR 600RR

RC211v, campeã na MotoGP pelas mãos de Valentino Rossi, serviu de base para construção da CBR 600RR

Fim da linha

A Honda ainda não se posicionou oficialmente sobre o caso por aqui, mas diversos sites de motociclismo da Europa trazem a informação de que a empresa pontuou o encerramento da produção do modelo por lá. Em janeiro de 2017, entrará em vigor no Velho Continente a totalidade das novas normas da Euro4, através da qual todas as motocicletas e similares comercializados terão de cumprir os exigentes padrões de emissões de ruído e poluentes do programa, bem similar ao que acontece no Brasil com o Promot 4. Acontece que como alguns modelos não possuem um volume de venda expressivo que compensaria os investimentos em tecnologia para adequá-los às novas regras, estes acabam saindo de linha. Por lá, além da CBR 600RR, foi confirmado o encerramento da produção de modelos como a XT 660 Ténéré. Como o modelo esportivo da Honda é produzido apenas no Japão e exportado aos demais países, o encerramento da comercialização em um país significa o fim da produção em nível global.

CBR 600RR:  relembre a história

Se você é fã de esportivas, é natural lastimar uma notícia assim referente a um modelo icônico nas esportivas de média cilindrada. Se já teve a oportunidade de acelerar uma CBR 600RR em um track day, enxugue as lágrimas. Vamos relembrar a história do modelo através de notícias já publicadas aqui no Motonline, o maior portal de motos do Brasil e em atividade desde 1999, quatro anos antes da Honda anunciar a chegada da CBR.

Escapamento abaixo do banco: tradição do modelo

Escapamento abaixo do banco: tradição do modelo

Como já dito, a moto foi criada em 2003 com base na RC211V, das pistas. A semelhança de design das duas foi proposital e a CBR 600RR foi a primeira moto de produção a guardar, sob a carenagem tecnologias derivadas diretamente da MotoGP, como  injeção Dual Stage Fuel (PGM- DSFI) e unidade Pro-Link na suspensão traseira. Além disso, contava com sistema de escape centro-up, braço oscilante avançado e posição de pilotagem agressiva, fazendo jus à sigla RR (Replica Race). Em 2005, recebeu alterações, tanto mecânicas quanto estéticas. Entraram na lista suspensão dianteira invertida, freios a disco com quatro pinças, motor e escapamento aperfeiçoados e quadro mais leve, em alumínio.

Em 2007 veio a renovação mais significativa do modelo e, claro, noticiamos com detalhes tudo o que estava chegando ao mercado. A moto vinha oito quilos mais leve, com novo motor e chassi. Também houve mudanças na suspensão, escapamento e estéticas. Enfim, uma “nova CBR” surgiu. A moto estava com números de venda – e importação, pois sempre foi produzida no Japão – expressivos, o que levou nossa equipe a colocar ela lado a lado com esportivas maiores, de 750 e 1000 cc, auxiliando o leitor a encontrar a moto que melhor encaixava no seu perfil e entrar para o mundo mágico da felicidade acima dos 10.000 rpm. Na ocasião, ela foi comparada com a Suzuki GSX-R 750 e Yamaha YZF 1000 R1, e você pode conferir o resultado aqui.

Líder de vendas da categoria, nova CBR 2007 foi colocada à prova ao lado de esportivas maiores

Líder de vendas da categoria, nova CBR 2007 foi colocada à prova ao lado de esportivas maiores

No ano seguinte, em 2008, o modelo passou por novos aperfeiçoamentos, menos drásticos que em 2007. Mesmo assim, apesar de pequenas, diversas mudanças ocorreram e nós, mais uma vez, informamos tudo o que havia de novo em uma matéria publicada em janeiro daquele ano. Dois anos mais tarde, em 2010, mais alterações importantes e sutis na mecânica e novo visual. A notícia está aqui. Além disto, também naquele ano, a CBR 600RR passou a contar com o imprescindível sistema de freios ABS.

CBR 600RR recebeu uma versão Repsol, em 2013, já com novo visual

CBR 600RR recebeu uma versão Repsol, em 2013, já com novo visual

Como a moto foi inspirada nas pistas e sempre contou com diversos elementos made in racetrack, nada mais justo do que uma versão Repsol, que chegou em 2013. O modelo já  trazia um novo visual, com faróis e carenagem bem diferentes da versão 2010, que seria um dos pontos altos da próxima – e última – renovação pela qual passaria a CBR 600RR, em 2014. O modelo é o que permanece em produção até hoje, e nós o anunciamos em reportagem publicada em junho daquele ano.

CBR 600RR: últimas mudanças da moto chegaram em 2014

CBR 600RR: últimas mudanças da moto chegaram em 2014

Títulos na SuperSport

Com seu DNA na motovelocidade, subir na CBR 600RR sempre foi um convite para aproveitar o rendimento de seu motor de alta rotação em pistas, seja em track days ou em competições. Entre 2003 e 2010, o modelo conquistou oito (ou seja, todos), os títulos de construtores no Mundial de Supersport, e seis (2003 a 2008) troféus com pilotos. Além disto, o modelo é figura presente em competições como o SuperBike Brasil.

Legado CBR no Brasil

Icônica por sua representatividade na motovelocidade, a sigla CBR virou sinônimo de status e poder dentro do mercado de duas rodas, tanto que se espalhou por modelos com diferentes características, capacidades cúbicas e preços. Hoje a família inicia na CBR 500R, que foi renovada recentemente, junto de suas irmãs F e X. Com 50,4 cv a 8.500 rpm e 4,55 kgf.m a 7.000 rpm de torque, ele custa R$ 29 mil. Acima, há a CBR 650F, mais próxima de uma sport touring do que de uma moto de pista, equilibrando esportividade com conforto para viagens e estradas. Dividindo o mesmo motor e outros elementos com sua irmã sem carenagem, a CB 650F, ela possui 87 cv a 11 mil rpm e 6,4 kgf.m e custa R$ 33  mil sem ABS, e R$ 35.400,00, com o sistema.

Nova CBR 500R desembarcou com aqui no mês passado. Preto com laranja é cor exclusiva ao mercado brasileiro

Nova CBR 500R desembarcou com aqui no mês passado. Preto com laranja é cor exclusiva ao mercado brasileiro

Tanto a 500 quanto a 650 são produzidas no Brasil, ao contrário das importadas CBR 600RR e CBR 1000RR, que complementam a família. A 600 ainda está disponível no site oficial da marca. Ela possui motor DOHC de quatro cilindros, que produzem 120 cv a 13.500 rpm, e 6,73 kgf.m de torque a 11.500 rpm, que tem a missão de impulsionar 169 kg de peso a seco. Atualmente, ela custa R$ 49.500,00. A CBR 1000RR Fireblade tem um preço um tanto mais salgado, mas é o que se paga para ter 180,8 cv e 11,6 kgf.m de torque ao torcer do punho. Disponível apenas com ABS, ela custa R$ 66.500,00 na cor branca e R$ 69.900,00 em laranja, com pintura Repsol.

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Guilherme Augusto

@obomguiaugusto >> Amante de motos em todas suas formas e sons (se for de 2T, melhor). Fã de viagens, competições, do Hugh Jackman e de praias. Viciado em café desde quando comecei a escrever



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