Desde o seu lançamento em abril de 2025, Monster Energy Supercross 25 , da Milestone, tenta capturar a complexidade e a técnica do Supercross, uma das modalidades mais exigentes do motociclismo esportivo. Construído sobre a Unreal Engine 5, o título representa o esforço mais ambicioso da franquia para aproximar o videogame da experiência real, misturando desafio, física detalhada e pistas em constante transformação.
Em Monster Energy Supercross 25 o foco está na pilotagem técnica, que exige controle preciso e habilidade para dominar saltos, curvas e aterrissagens. O jogo replica fielmente a sensação de um Supercross real, em que erros custam caro e o terreno se modifica com o tempo. Essa demanda torna a experiência mais envolvente, mas impossibilita que seja um título casual.
Física dinâmica que desafia a adaptação
O maior diferencial está na evolução do terreno: as pistas se deformam com o passar das motos, criando sulcos e elevações que afetam a condução. As suspensões respondem aos impactos e o controle exige constantes ajustes, elevando a sensação de realismo. Ainda assim, imperfeições técnicas como quedas abruptas e bugs ocasionais na física incomodam parte da comunidade.
Um ponto interessante é a resposta fiel das suspensões a cada salto e impacto, que traz uma sensação mais próxima da pilotagem real. A sensação de “moto viva” é fortalecida pela necessidade de dominar técnicas reais do esporte, como os “scrubs” e “whips”, usados para controlar aterrissagens e manter velocidade.
Porém, a complexidade da física pode não agradar a todos. Muitos relatos apontam quedas repentinas sem causa aparente, teletransportes e inconsistências físicas que quebram a imersão e frustram a competitividade. Alguns jogadores mencionam situações em que curvas aparentemente viáveis são consideradas atalhos ilegais, levando a recuos inesperados na corrida.
A dificuldade da física se revela volátil: enquanto o modo iniciante oferece certa margem de erro, os níveis avançados exigem domínio absoluto e punem severamente pequenos deslizes. Isso traz uma experiência intensa, mas que pode afastar jogadores casuais ou menos experientes pela rigidez.
O jogo também carece de tutoriais aprofundados para ensinar essas nuances, o que faria a transição para a física mais realista menos dolorosa.
Realismo visual e limites gráficos
Visualmente, o jogo aproveita as vantagens da Unreal Engine 5 para entregar iluminação mais realista, texturas detalhadas e efeitos de partículas que valorizam cada lamaçal. Estádios iluminados e o público animado ajudam a criar o clima da competição. Porém, certas animações continuam rígidas e algumas texturas parecem reutilizadas, indicando que o salto gráfico ficou aquém das expectativas.
A ambientação dos estádios é destacada como um ponto forte, com luzes em movimento, público animado e partículas de lama e terra que aumentam a imersão. Jogadores relatam que a sensação visual durante as corridas é vibrante, especialmente nas cenas em que se vê a lama sendo levantada e as motos reagindo ao ambiente dinâmico.
No entanto, a experiência gráfica não é isenta de críticas. Muitas análises apontam que, apesar do avanço, algumas animações continuam rígidas, especialmente no comportamento dos pilotos fora das motos, quebrando um pouco a suspensão da descrença. Os rostos dos pilotos são frequentemente citados como pouco expressivos, o que contrasta com a qualidade mais trabalhada do restante do jogo.
Certas texturas aparentam ser reaproveitadas de versões anteriores, o que causa uma sensação de que o salto visual não é tão revolucionário quanto esperado para um jogo que aposta em uma nova engine.
Modo carreira e multiplayer em evidência
O modo carreira ganha um novo formato, dividido em capítulos com missões e gestão de aspectos sociais, como patrocinadores e rivalidades. Apesar de ter mais profundidade, a narrativa ainda é básica e deixa a desejar em roteiro. O multiplayer sustenta a diversão com partidas estáveis, cross-play entre plataformas e um editor de pistas robusto, embora bugs e matchmaking possam atrapalhar a experiência.
Entre acertos e controvérsias
Monster Energy Supercross 25 chega como o marco mais ambicioso da franquia, trazendo avanços visuais e de jogabilidade que chamam a atenção dos fãs dedicados. A física dinâmica, pistas deformáveis e a nova inteligência artificial neural são apontadas como grandes pontos positivos, entregando uma experiência imersiva e próxima do mundo real do Supercross.
No entanto, a rigidez da jogabilidade se transforma em barreira para muitos jogadores menos experientes. A curva de aprendizado foi descrita como “brutal” em várias análises, e a ausência de um tutorial robusto para lidar com a complexidade da física e das mecânicas de pilotagem contribui para a frustração inicial. Alguns relatos falam de quedas inexplicáveis e bugs que atrapalham principalmente no multiplayer competitivo.
Desde o lançamento em abril de 2025, a Milestone tem lançado atualizações mensais para corrigir bugs, melhorar o matchmaking e ajustar a experiência de pilotagem, além de adicionar conteúdo como DLCs, novas pistas e desafios sazonais. Essas atualizações melhoraram a estabilidade e a base de jogadores ativos, embora críticas à inconsistência da física e falta de profundidade no modo carreira persistam.



