Combustível com 30% de etanol gera preocupações técnicas, mas promete benefícios ambientais e econômicos

Desde o dia 1º de agosto os brasileiros passaram a abastecer com a nova gasolina E30, que conta com 30% de etanol anidro em sua composição. A equipe do Motonline foi atrás de especialistas para saber quais impactos que o novo combustível deve ter nas motos (principalmente as mais antigas).

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Nenhum teste foi feito com motos fabricadas antes de 2004 – Foto: divulgação

Apenas 30% das motos são preparadas para a gasolina E30

Segundo Gilberto Pose, especialista em combustíveis da Shell, licenciada pela Raízen no Brasil, o cenário atual das motocicletas brasileiras apresenta um desafio significativo: “Atualmente, no Brasil, apenas 30% do total de motocicletas em uso possui motorização Flex, cerca de 9 milhões em 30 milhões de unidades”.

Para os veículos não-flex, Pose alerta que “o aumento da participação do etanol anidro na gasolina pode ocasionar comprometimento da vida útil do filtro de combustível e das peças produzidas em resina”.

 

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O especialista também destaca um problema específico que os modelos carburados podem ter com a gasolina E30: “As juntas utilizadas nos carburadores também merecem atenção quanto a provável ressecamento, que pode ocasionar vazamento de combustível”. Por isso, recomenda que os proprietários “busquem informações mais específicas junto à Montadora ou ao representante da marca da motocicleta”.

“Quanto mais antigo o motor, maior será sua sensibilidade ao aumento do percentual de etanol anidro”, explica o especialista da Shell. A Abraciclo corrobora esta informação, afirmando que “as motocicletas mais antigas movidas exclusivamente a gasolina e com tecnologias menos atuais podem ser mais impactadas”.

 

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Testes revelam problemas na partida e dirigibilidade

A Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas) apresenta dados preocupantes baseados em testes da gasolina E30 realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. A entidade confirma que foram identificadas “mudanças na dirigibilidade em alguns modelos de motocicletas movidas a gasolina, como maior dificuldade na partida a frio e retomada de velocidade”.

Sobre a durabilidade dos componentes com a gasolina  E30, a Abraciclo é cautelosa: “Há a necessidade de estudos mais aprofundados, uma vez que este quesito não foi objeto da avaliação” dos testes realizados.

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Apresentação gasolina E30 – Foto: reprodução

Durante os ensaios, três das 13 motocicletas testadas apresentaram falhas na partida a frio com gasolina de concentração ainda maior (E32). Mesmo assim, o Instituto Mauá conclui que “as diferenças encontradas nos testes realizados não são empecilhos para a adoção do combustível E30”. Um ponto que merece atenção é que os testes do Instituto Mauá não incluíram motocicletas fabricadas antes de 2004

Benefícios da gasolina E30

Pose destaca duas vantagens principais da nova composição: “Maior equilíbrio na balança comercial brasileira, pois importamos algum volume de gasolina para suprir a demanda nacional” e “contribuição para redução de emissões de gases de efeito estufa, sendo os principais: CO2 – dióxido de carbono, CH4 – metano, N2O – óxido nitroso, e O3 – ozônio, entre outros”.

Do ponto de vista social, o especialista vê potencial com a gasolina E30 para “maiores investimentos em produção de etanol, o que pode contribuir para a elevação de oferta de empregos em toda cadeia produtiva”. Ecologicamente, enfatiza “a contribuição na redução de emissão de gases de efeito estufa pelos motores, e o maior uso de combustíveis renováveis na matriz energética brasileira”.

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Os veículos flex não devem ter maiores complicações com a gasolina E30 – Foto: divulgação

No entanto, a Abraciclo apresenta uma perspectiva mais conservadora baseada nos ensaios técnicos: “Do ponto de vista técnico, não foram observadas vantagens significativas em nenhum dos quesitos avaliados”. 

Premium permanece como alternativa

Para consumidores preocupados com a compatibilidade, Pose informa que “a gasolina Premium, que possui maior octanagem que a gasolina comum, não teve esse aumento e permanece com 25% de etanol anidro em sua composição”.

O especialista recomenda o Premium especialmente para “veículos que possuem motores de alto desempenho e demandam octanagem acima de 98 RON, e que são mais sensíveis à presença de etanol na gasolina”.

 

 

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