O Brasil esperou 22 anos. Quando a MotoGP finalmente voltou — e foi para Goiânia pela primeira vez desde 1989 —, entregou um fim de semana que ninguém vai esquecer tão cedo. Não foi só corrida. Foi buraco na pista, corrida reduzida de última hora, ultrapassagem no limite, brasileiro no top 10 e recorde histórico da Aprilia. Aqui estão os sete momentos que definiram o GP do Brasil 2026.
1. O buraco que parou o campeonato
O maior susto do fim de semana não aconteceu na pista — aconteceu debaixo dela. Na sexta-feira, após as chuvas torrenciais dos dias anteriores, um buraco profundo abriu na reta principal do Autódromo Internacional Ayrton Senna. A causa foi a movimentação do solo encharcado embaixo do asfalto recém-pavimentado.
O resultado imediato: sessões suspensas, máquinas pesadas mobilizadas, serras disco cortando asfalto e um caminhão betoneira entrando na pista para fazer o reparo de emergência. Tudo ao vivo, com 148 mil pessoas acompanhando o fim de semana. Foi o aviso de que a estreia não seria tranquila — e foi o prelúdio perfeito para o que viria no domingo.
2. Di Giannantonio arranca a pole que ninguém esperava
Depois de quatro anos sem uma pole position no MotoGP — a última havia sido em Mugello, em 2022 —, Fabio Di Giannantonio foi o mais rápido na classificação e colocou a Pertamina Enduro VR46 na primeira posição do grid no Brasil. O italiano bateu Bezzecchi e Marquez para conquistar a segunda pole da carreira. Para um piloto que chegou à temporada sem o status de favorito, foi uma declaração de intenções.
3. Marquez caça Di Giannantonio e vence o sprint na penúltima volta
O sprint do sábado foi um duelo cirúrgico. Di Giannantonio liderou a maior parte da corrida, construindo vantagem e se defendendo com inteligência. Mas Marquez, que largou em terceiro, foi paciente como poucos sabem ser. Esperou o momento exato — um erro de Di Giannantonio na entrada da reta principal, a duas voltas do fim — e atacou sem hesitar.
Foi a primeira vitória de Marquez desde a cirurgia no ombro. Seco, preciso e com o timing de sempre. O sprint terminou com Marquez na frente, Martín em terceiro e Diogo Moreira em décimo — um resultado que fez a torcida brasileira ir ao delírio.
4. A corrida reduzida de 31 para 23 voltas — minutos antes da largada
Domingo, minutos antes da largada da corrida principal. O Hino Nacional acabou de ser cantado por Gusttavo Lima. Os pilotos estão na grid. E então: a direção de prova anuncia que a corrida foi reduzida de 31 para 23 voltas por causa do desgaste acelerado do asfalto, causado pelas chuvas da semana. A temperatura na pista chegava a 55°C.
A decisão provocou reação imediata no paddock. Pedro Acosta, que havia chegado a Goiânia como líder do campeonato, trocou o pneu traseiro médio pelo macio na hora. Vários outros pilotos fizeram o mesmo. Jack Miller, da Pramac, foi um dos poucos que manteve o médio — e pagou caro: caiu já na segunda volta, em sua 200ª corrida no MotoGP.
5. Bezzecchi lidera todas as voltas e faz história para a Aprilia
Marco Bezzecchi não deixou suspense algum na corrida principal. Superou Di Giannantonio ainda na primeira curva, assumiu a liderança e não a soltou mais. Vinte e três voltas depois, cruzou a linha de chegada com quase dois segundos de vantagem e recebeu a bandeirada do governador Ronaldo Caiado.
Foi a quarta vitória consecutiva do italiano — duas no final da temporada passada, em Portimão e Valência, e agora as duas primeiras de 2026, na Tailândia e no Brasil. Para a Aprilia, foi história: nunca uma moto da marca havia vencido quatro corridas seguidas. Bezzecchi assumiu a liderança do campeonato com 56 pontos.
6. Diogo Moreira faz o Brasil vibrar duas vezes
O único brasileiro do grid não veio para fazer número. No sprint do sábado, Diogo Moreira chegou a ocupar a nona posição — dentro da zona de pontuação —, bateu seu resultado da Tailândia e terminou em décimo. No domingo, cruzou em 13º numa corrida caótica, marcada por quedas e por uma decisão de pneu que pegou muita gente de surpresa.
O resultado não é de quem briga pela frente — mas é de quem está aprendendo na velocidade certa. Moreira acumula seis pontos no campeonato, está em 15º na classificação geral e, mais importante, mostrou ao Brasil que tem o que fazer no MotoGP.
7. Gusttavo Lima, 148 mil pessoas e o recomeço de uma era
Não foi só o que aconteceu na pista que marcou o GP do Brasil 2026. Foi a atmosfera inteira. O Hino Nacional cantado por Gusttavo Lima antes da largada. As arquibancadas lotadas desde a sexta-feira de manhã. Os 148.384 ingressos vendidos ao longo do fim de semana. O governador de Goiás entregando a bandeirada ao vencedor.
Depois de 22 anos fora do calendário — e 37 anos sem passar por Goiânia —, a MotoGP voltou ao Brasil de um jeito que o país não vai esquecer. O contrato é de cinco anos, até 2030. Se a primeira edição foi o teste, o teste passou.
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