A produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) disparou em agosto e quebrou um jejum de mais de uma década. Segundo dados da Abraciclo, associação que representa o setor, saíram das linhas de montagem 185.952 unidades no mês passado — o maior volume para agosto nos últimos 14 anos. O número representa alta de 13,4% em relação a 2024 e de expressivos 32,6% sobre julho.
No acumulado de janeiro a agosto, as fábricas já entregaram 1,32 milhão de motos, crescimento de 12,5% na comparação anual. Foi o terceiro melhor desempenho da série histórica para os oito primeiros meses do ano, reforçando a força do veículo como solução de mobilidade no Brasil.
Motos ganham espaço na rotina do brasileiro
O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, resume o cenário: a moto consolidou-se como um meio essencial para deslocamentos diários e também como ferramenta de trabalho. O aumento da demanda acompanha o crescimento dos serviços de entrega, além de representar uma alternativa mais econômica frente ao transporte individual em tempos de combustível caro e trânsito pesado.
Produção por categorias
Entre os segmentos, as motos Street lideraram em agosto, responsáveis por mais da metade da produção: 93.597 unidades (50,3%).
Na sequência vieram:
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Trail: 39.109 motocicletas (21%)
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Motonetas: 25.200 unidades (13,6%)
Em relação à cilindrada, o domínio continua com os modelos de baixa capacidade (até 250 cc), que responderam por 78,6% da produção. As médias cilindradas ficaram com 18,5%, enquanto as grandes cilindradas representaram apenas 2,9% do total.
Vendas no varejo: ritmo histórico em 2025
O varejo também mostra fôlego. Foram licenciadas 185.515 motos em agosto, avanço de 13,2% na comparação anual. Houve leve recuo de 4% em relação a julho, mas a média diária manteve-se em patamar elevado, com 8.834 unidades vendidas por dia útil. De janeiro a agosto, o acumulado de 1,4 milhão de emplacamentos é o melhor já registrado na série histórica para o período.
Exportações oscilam, mas seguem positivas
No cenário internacional, o Brasil embarcou 2.942 motocicletas em agosto. O número representou queda de 11,9% frente a 2024, mas aumento de quase 10% em relação a julho. No acumulado do ano, as exportações somam 24.232 unidades, alta de 9,3%.
O que explica o boom das motos em 2025
A retomada de fôlego da indústria não é pontual. A moto encaixa-se em três frentes que definem o mercado atual:
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Mobilidade acessível em grandes centros urbanos.
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Ferramenta de renda no setor de entregas, que segue aquecido após a pandemia.
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Mercado interno resiliente, menos dependente do cenário externo diante das exportações ainda tímidas.
Mais do que números, o desempenho de 2025 comprova: a moto deixou de ser apenas um veículo de nicho e consolidou-se como pilar da mobilidade popular no Brasil.

