A MotoGP em Goiânia foi um show do público, mas com problemas na organização. E a mídia internacional não perdoou; veja críticas

O GP do Brasil de MotoGP 2026 era um dos eventos mais esperados do calendário esportivo mundial. Depois de mais de três décadas sem receber a categoria, Goiânia abriu as portas do Autódromo Internacional Ayrton Senna para uma multidão apaixonada e aos melhores pilotos do planeta. Entretanto, fora das arquibancadas, o fim de semana deixou pontos difíceis de ignorar: um asfalto que literalmente se desfez, mais de 30 quedas registradas em uma única curva e uma série de decisões da organização que não agradaram nem aos pilotos nem à imprensa internacional.

 

O que a mídia americana disse sobre o GP do Brasil

O portal norte-americano RideApart, uma das maiores referências do motojornalismo nos Estados Unidos, publicou uma análise direta e crítica sobre o evento. O texto não poupou palavras: chamou o GP do Brasil de “farsa” e apontou falhas tanto nos fatores que estavam fora do controle da organização quanto naqueles que eram responsabilidade dela. Para o portal, o fim de semana reuniu elementos suficientes para que a corrida tivesse sido cancelada, ou ao menos gerenciada de forma muito mais cuidadosa.

motogp goiania reuniu quase 150 mil pessoas

Entre os pontos levantados pela publicação americana, o mais grave foi a forma como os pilotos foram informados sobre a redução de voltas da corrida. Em vez de comunicar a todos ao mesmo tempo, a organização avisou os competidores um a um, da frente para o fundo do grid. Isso deu tempo para pilotos nas primeiras posições, como Pedro Acosta, trocarem para pneus mais macios antes da largada, enquanto os que estavam atrás não tiveram a mesma oportunidade. Para o portal, a decisão foi não apenas injusta, mas incompatível com o que se espera do principal campeonato de motovelocidade do mundo.

 

Os problemas da MotoGP no Brasil, do começo ao fim

O fim de semana começou sob forte chuva, que chegou a colocar em risco a realização do evento. A equipe de pista trabalhou horas extras para remover as poças d’água da superfície e viabilizar as sessões. Mas os problemas não terminaram com o tempo. Houve o grande buraco que apareceu na reta principal, forçando a interrupção da programação para reparos de emergência. Um claro sinal de que ‘algo estava errado com o asfalto’.

tamanho do buraco na pista da motogp brasil 2026
– Reprodução

Para o portal, a degradação da pista foi progressiva e assustadora. Segundo a crítica, na sexta-feira, nove quedas foram registradas na curva 4. No sábado, o mesmo trecho acumulou 32 quedas, e pilotos relataram que o asfalto estava literalmente mudando de cor à medida que se desintegrava. O material arrancado pelos pneus nas curvas 11 e 12 virou projétil: Álex Rins sofreu um corte no dedo, com suspeita inicial de fratura, e Álex Márquez foi atingido no braço por detritos. No domingo, a corrida foi encurtada de 31 para 23 voltas para evitar que a pista colapsasse completamente durante a prova. O número de voltas foi suficiente para que a prova contasse como resultado oficial com pontos completos, mas o contexto deixou evidente que a situação estava fora do controle. Ou seja, a mídia estadunidense não poupou críticas ao evento brasileiro.

motogp brasil pista molhada

 

Um ano para acertar as contas

Fato é que a própria MotoGP abriu uma investigação sobre o que aconteceu em Goiânia, prometendo correções para 2027. O evento tem contrato até 2030, e o Brasil tem tudo para ser uma das etapas mais marcantes do calendário mundial: torcida apaixonada, circuito histórico e um piloto da casa na categoria principal, Diogo Moreira. Mas a edição de estreia deixou um recado claro: o amor do público brasileiro não pode ser maior do que a responsabilidade da organização com a segurança dos pilotos e a integridade da competição.

motogp brasil 2026 goiania

Enquanto Goiânia tem um ano para se redimir, a tensão agora se volta para outra etapa. Em 2027, a MotoGP fará sua primeira corrida de rua da história, em Adelaide, na Austrália. Depois do que aconteceu no Brasil, a pergunta que fica no ar é inevitável: será que a organização está preparada para os desafios que uma pista urbana impõe?

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@guilhermeaugusto.moto | Apaixonado por motos, criador de conteúdo, estabanado, profissional de comunicação.
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