Marc Marquez iniciou 2025 como piloto oficial da Ducati, e cinco corridas antes do final da temporada, conquistou seu sétimo título da MotoGP, confirmando uma das maiores reviravoltas do esporte. Depois de alguns anos marcados por cirurgias e incertezas, o espanhol conseguiu recuperar o protagonismo e voltar ao lugar mais alto do pódio, consolidando sua posição como um dos maiores nomes da história do motociclismo.

Marc Márquez #93: a jornada do herói
O caminho até este título, no entanto, foi marcado por altos e baixos. Desde a estreia na categoria principal em 2013 (com apenas 20 anos e 63 dias) até a queda em Jerez, em 2020, Marquez viveu momentos de glória e também enfrentou o que definiu como o período mais difícil de sua carreira. A conquista de 2025 resgata não apenas o talento do piloto, mas a resiliência diante das adversidades.
Ao longo da temporada deste ano, Marc Marquez venceu 11 das 16 primeiras corridas, incluindo uma sequência de sete triunfos consecutivos entre Aragón e Hungria. O título foi confirmado em Motegi, no Japão, em um cenário que simbolizou a superação do espanhol.

Ascensão meteórica
Marc Marquez estreou na MotoGP em 2013, aos 20 anos, e já em sua segunda corrida conquistou a primeira vitória, no GP das Américas, tornando-se o mais jovem vencedor da categoria. Naquele mesmo ano, acumulou seis vitórias e 16 pódios em 18 etapas, somando 334 pontos e garantindo o título de campeão mundial mais jovem da história, feito que mantém até hoje.
Em 2014, repetiu o feito com ainda mais autoridade: venceu as dez primeiras corridas do calendário e terminou a temporada com 13 vitórias e 362 pontos. Esse desempenho consolidou sua reputação como um talento excepcional e inaugurou uma era de domínio.
Até 2019, o espanhol já havia somado oito títulos mundiais — seis na MotoGP — com 83 vitórias no total, sendo 57 na categoria principal. Seu auge foi justamente em 2019, quando venceu 12 das 19 corridas, marcou presença em 18 pódios e acumulou 420 pontos, o maior desempenho da carreira.

Jerez 2020: O acidente que mudou tudo
A virada dramática ocorreu em 2020. Após meses de calendário incerto devido à pandemia, o campeonato começou em Jerez, no GP da Espanha, em 19 de julho. Marquez liderava parte da prova quando sofreu uma queda que resultou em fratura no úmero do braço direito.

Ele chegou a tentar retornar na semana seguinte, no GP da Andaluzia, mas a decisão precipitada comprometeu ainda mais sua recuperação. A placa que sustentava o osso operado rompeu-se durante os treinos, forçando-o a abandonar a temporada.
Nos anos seguintes, o espanhol passou por mais três cirurgias, somando quatro operações no mesmo braço. Entre 2020 e 2023, disputou apenas 41 corridas, conquistando três vitórias, mas sempre com dores e limitações. Em entrevistas posteriores, reconheceu que antecipar o retorno em 2020 foi um erro do qual se arrepende.

O divórcio com a Honda
Em 2023, ficou claro que Marc Marquez precisava de uma mudança para continuar competitivo. A Honda, equipe pela qual havia conquistado seis títulos, não conseguia mais oferecer uma moto em condições de brigar pelo campeonato. Apesar de ainda ter contrato até 2024, o piloto solicitou a rescisão e foi liberado pela fabricante japonesa.
O destino foi a equipe satélite Gresini, que corria com Ducati. Lá, encontrou um ambiente mais leve e teve a oportunidade de pilotar uma moto vencedora. Ao lado do irmão Álex Marquez, abriu mão do salário milionário que recebia na Honda e apostou em recuperar o prazer de competir.
A primeira vitória pela nova equipe veio apenas no GP de Aragón – 12 corridas depois – mas o suficiente para mostrar que ainda tinha condições de disputar no mais alto nível. A confiança da Ducati foi imediata: antes mesmo de conquistar pódios consistentes, a marca italiana confirmou sua contratação para a equipe oficial a partir de 2025.

A consagração com a Ducati
Em 2025, Marc Marquez chegou à escuderia de fábrica da Ducati com 32 anos, oito títulos mundiais e a expectativa de voltar a lutar pelo campeonato. O desempenho superou todas as previsões.
Nas primeiras 16 corridas, venceu 11, conquistou sete vitórias consecutivas e confirmou o título em Motegi, local onde já havia comemorado outras conquistas no passado. A combinação entre a melhor moto do grid e a experiência do espanhol resultou em uma temporada histórica.
Com o triunfo, Marquez iguala a marca de Giacomo Agostini, como piloto mais velho a conquistar um título da MotoGP, além de ampliar sua coleção para sete conquistas na categoria principal.

A trajetória de Marc Marquez reforça a imprevisibilidade do esporte e o peso da resiliência. Poucos atletas retornaram ao mais alto nível após tantas cirurgias e temporadas marcadas por incertezas. Seu exemplo é comparado a grandes recuperações de outras modalidades, mas com um peso particular pela gravidade da lesão e pelo tempo afastado das vitórias.
O futuro do espanhol segue em aberto. Aos 32 anos, ainda tem alguns anos de competitividade e a chance de aumentar sua coleção de títulos. O vínculo com a Ducati prevê continuidade até pelo menos 2026, o que deve manter o piloto entre os principais candidatos ao título.
Vai usar o número 1?
Perguntado se iria adotar o #1 em 2026, Marc Marquez foi enfático: “Não, não, não. O 93 já faz parte de mim. Não consigo me imaginar pilotando uma moto que não tenha o 93”.

Em relação à equipe Ducati, o título de Márquez se soma ao Título de Construtores conquistado em Barcelona, o sexto consecutivo para a fabricante de Borgo Panigale.
O campeão Márquez e a MotoGP voltam a acelerar no GP da Malásia, no próximo final de semana, entre os dias 03 e 05 de outubro de 2025.
