O Velib, as tão famosas bicicletas comunitárias de Paris, não foi o passo inicial para estimular o uso da bicicleta, mas foi a sequencia final de um projeto de transformação da cidade.

Ontem, finalmente, depois de uma longa luta para conseguir preencher os quesitos necessários, consegui sair pela primeira vez numa Velib. Basta desbloquear, ajustar o selim e sair pedalando.aaP1000983 Há postos Velib por toda a cidade e é fácil largar a bicicleta. Mas foi para mim, um estrangeiro, uma luta conseguir preencher o formulário na internet. No final quem conseguiu foi uma amiga francesa.

A experiência foi até emocionante, mesmo sendo eu bem vivenciado nas coisas da bicicleta. A bicicleta em si é pesada, mas roda muito bem, é estável, tranquila, previsível. Tem 3 marchas internas no cubo e freios convencionais. Ao primeiro movimento o dínamo interno ao cubo de dianteira aciona automaticamente o farol e a lanterna traseira e mesmo depois de parado estas permanecem acesas por um bom tempo. A cestinha dianteira é obviamente prática e conta com um cabo de tranca em espiral. A conservação está sendo bem feita e é difícil ver alguma torta, desalinhada ou muito desajustada. Já usei 4 delas e só em uma o câmbio poderia estar mais bem ajustado. Tentei ajustar, mas obviamente o sistema, como toda bicicleta, é estanque a curiosos.

É possível contratar por um dia, sete dias ou um ano, que foi o que fiz. Dai as minhas complicações. Por um dia basta colocar o cartão de crédito e sair pedalando, o que muito turista faz, mas eu não consegui. Ontem tentei ajudar uma carioca que também não conseguiu.  Quando se vai para um ano há duas opções: 29 Euros para 30 minutos de uso por vez, ou 39 Euros para 45 minutos por vez. Optei pela segunda, mas mesmo assim creio que tenha estourado o tempo na numa das saídas. Vou ter que pagar um acréscimo.

aaP1010436Numa das saídas acabei seguindo uma senhora de uns 50 e poucos anos que também estava numa Velib. Ela estava pedalando numa ciclovia de avenida que termina na rotatória do Trocadero, que é um pouco complicada para ciclistas. Fiquei impressionado com a forma como ela se lançou ao transito. Quando ela terminou a rotatória conversei com ela, que confessou que passar por ali não é fácil, mas que o prazer e facilidade de pedalar compensa. O trânsito de Paris é bem fácil porque os motoristas estão bem acostumados com os ciclistas e não há agressões de ambas as partes. As avenidas são bem largas o que diminui o nível de tensão geral, mesmo quando a bicicleta está no interno de bairro que é muito estreito e faz com que o motorista tenha que se manter atrás.

O Velib, as tão famosas bicicletas comunitárias de Paris, não foi o passo inicial para estimular o uso da bicicleta, mas foi a sequencia final de um projeto de transformação da cidade. O problema no Brasil é que queremos discutir bicicleta sem fazer ideia do que é, ou deveria ser, uma cidade. Parece que vão colocar 300 postos de bicicletas comunitárias em São Paulo, mas o dever de casa da CET não foi cumprido e o ciclista está jogado a sua própria sorte. Infelizmente os políticos entendem mesmo é de festa e votos e repetem a Ciclo Faixa de Domingo de São Paulo em várias cidades do páis, mas não fazem praticamente nada pelo uso da bicicleta como modo de transporte. Repito: o caso da Ciclo Faixa de Domingo é resultado de uma briga de foice no escuro entre o primeiro escalão de Serra, que queria a bicicleta no dia a dia, e uma CET desinteressada por qualquer coisa que não fosse motorizado. Fazer para o lazer acabou virando propaganda política. Provavelmente como será o Velib paulistano, ou de qualquer outra cidade. Vai funcionar? Claro que sim. A demanda reprimida é enorme, em todas grandes cidades. A população não aguenta mais a cidade na qual vive. Nossa qualidade de vida é muito ruim.

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