Conheça a história de Milton Becker, o Chumbinho, um dos nomes mais importantes do motocross brasileiro e referência para gerações de pilotos.

Milton Becker, conhecido como Chumbinho, faleceu aos 56 anos em um acidente de trânsito no último sábado (31/01), na rodovia SC-305, entre Campo Erê e São Lourenço do Oeste, em Santa Catarina. O piloto catarinense deixa um legado de 27 títulos brasileiros e mais de três décadas de contribuições para o motocross nacional, tendo se consolidado como uma das maiores referências técnicas e esportivas da modalidade no país.

Quem foi Milton Becker “Chumbinho”

Natural de Itapiranga, no Extremo-Oeste catarinense, Milton Becker nasceu em 18 de julho de 1967 e dedicou praticamente toda sua vida às motos. O piloto conquistou um total de 27 títulos nacionais ao longo de uma carreira que ultrapassou 35 anos de atuação. Sua trajetória no motocross brasileiro foi marcada por conquistas em diversas categorias, incluindo 125cc, 250cc, MX3 e MX4.

Além do motocross, Chumbinho também teve passagens vitoriosas pelo supercross, onde foi tricampeão brasileiro da categoria 250cc entre 1996 e 1998, e pelo ultracross, vencendo o campeonato da 250cc em 1997. Sua versatilidade e domínio técnico em diferentes modalidades do motociclismo off-road o tornaram uma referência para gerações de pilotos brasileiros.

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A trajetória vitoriosa no motocross brasileiro

O primeiro título nacional de Milton Becker veio em 1992, na categoria 250cc, marcando o início de uma série de conquistas que o estabeleceriam como um dos maiores nomes do esporte. Na categoria MX3, Chumbinho dominou de forma impressionante, conquistando sete campeonatos entre 2004 e 2013.

Em 1997, seu talento foi reconhecido nacionalmente quando recebeu do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) a honraria de melhor atleta do ano no motociclismo. Este reconhecimento destacou não apenas seus resultados nas pistas, mas também sua contribuição para a popularização e desenvolvimento do motocross no Brasil.

Do mecânico ao piloto campeão

A história de Chumbinho com as motos começou cedo, aos 16 anos, quando iniciou sua carreira como auxiliar de mecânico em uma concessionária Yamaha em sua cidade natal. Esse começo humilde foi fundamental para que desenvolvesse um profundo conhecimento técnico sobre as motocicletas, algo que mais tarde seria um diferencial em sua carreira como piloto.

Nesse período inicial, Milton pilotava motos de rua adaptadas para competições locais. Sua dedicação e talento não passaram despercebidos, e em 1989 ele deu o salto para as competições nacionais. De auxiliar de mecânica a piloto profissional, sua trajetória inspirou muitos jovens a buscarem um caminho no esporte, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros.

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Legado e reconhecimento no esporte nacional

Mesmo após reduzir sua participação como piloto, Milton Becker seguiu contribuindo para o motociclismo brasileiro. Em 2024, retornou ao Campeonato Brasileiro de Motocross como chefe de equipe da Yamaha Monster Energy Geração, conquistando o título da categoria MX1 com o piloto Fábio Santos.

Seu legado foi celebrado ainda em vida com diversas homenagens. Em 2022, o Museu Municipal Almiro Theobaldo Muller, em Itapiranga, lançou a exposição “Uma História em Duas Rodas”, dedicada à sua trajetória. A série “Lendas do Motocross Brasileiro” também destacou sua carreira em um episódio especial.

A notícia de sua morte gerou comoção no meio motociclístico brasileiro. A Prefeitura de Itapiranga e a Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) emitiram notas oficiais lamentando a perda e destacando sua contribuição para o esporte. Milton Becker deixa um legado técnico, esportivo e humano que continuará inspirando novas gerações de pilotos brasileiros.

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