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Teste Harley-Davidson Fat Bob

Nas mudanças que a Harley-Davidson promoveu nas suas motos no ano passado, certamente a que mais chamou atenção foi a Fat Bob. A extinção da família Dyna e sua incorporação às Softail pode ser bem representada pela Fat Bob, que era um dos modelos Dyna mais procurados pelos fãs, sobretudo os que gostavam (ainda gostam) de personalizar suas motos. Sua adoção pela outra família não tirou da Fat Bob essa virtude, ao contrário, valorizou-a ainda mais.

Na apresentação da Fat Bob, em outubro de 2017: dócil e rápida como uma moto menor

Na apresentação da Fat Bob, em outubro de 2017: dócil e rápida como uma moto menor

Houve muita falação nos fóruns e grupo nas mídias sociais sobre as mudanças, mas a polêmica serviu para aumentar a curiosidade sobre esta nova Harley-Davidson Fat Bob. Já olhando as fotos a moto desperta um sentimento misto de curiosidade com dúvida. Por isso decidimos fazer uma avaliação mais aprofundada em relação àquela realizada quando do lançamento há exato um ano, pois sabemos que nas péssimas ruas das cidades brasileiras e nas condições de nosso trânsito a moto pode revelar mais.

Sem dúvida ao olhar para ela a imagem é de uma “muscle bike”, sobretudo pelos enormes pneus e o pequeno farol retangular, o que agora me parece mais normal, ao contrário daquele primeiro impacto visual em outubro do ano passado. Mas ficou muito melhor que aqueles dois faróis redondos do modelo anterior, além de ter dado um maior poder de iluminação. Na traseira também, aquele para-lama recortado com o suporte da placa “pendurado” e as duas saídas do escapamento em aço escovado destacam a moto como algo que atrai os olhos de quem curte motos diferentes.

A expectativa ao sair com a moto para um role urbano era de que esta seria uma tarefa dificultada pelo grande entre-eixos, pela posição muito atrás do banco e pelo enorme pneu dianteiro. Mas uma surpresa agradável logo removeu os temores e bastaram poucos quilômetros pelas ruas e avenidas congestionadas para concluir que a Harley-Davidson Fat Bob é muito fácil de manejar e sua aparência musculosa é apenas para assustar (ou atrair a admiração) quem a vê. A moto avança entre os carros com tranquilidade e o motorzão Milwaukee Eight 114 de 1.868 cm³ da Fat Bob (a Fat Bob está disponível também na versão com motor Milwaukee Eight 107  de 1.745 cm³) não deixa dúvidas quanto à sua capacidade de empurrar a moto mesmo em marcha lenta, fruto dos 17 kgf.m de torque.

Tem papel fundamental na agilidade da moto e no seu surpreendente desempenho no trânsito o novo chassi, mais simples, leve e rígido, que agora equipa todas as softail. Mas de todas as motos da família, a Fat Bob pode ser considerada uma referência do segmento. O emagrecimento que esta moto sofreu supera os 15 kg em relação à versão anterior e uma parte importante dos componentes que antes era de aço agora são de alumínio, como os suportes dos para-lamas, o guidão e o descanso lateral. Seus 306 kg, uma vez em movimento deixam de ser uma preocupação, aliás, como todas as outras novas softail da família.

Frente e verso da Fat Bob: gorduchinha, mas com agilidade

Frente e verso da Fat Bob: gorduchinha, mas com agilidade

Fat Bob: a evolução

Tudo isso não seria eficiente se não houvesse um conjunto de suspensões adequados, outro item que a engenharia da Harley-Davidson atuou fortemente na nova Fat Bob. Aliás, este é um tema que tem merecido especial atenção da marca, já que mesmo os fãs mais afeitos ao puro estilo H-D comentam que já é hora da Harley-Davidson adotar mais tecnologia nas suspensões de suas motos, sobretudo para oferecer mais confiança aos motociclistas que viajam e desenvolvem velocidades mais altas. E isso foi feito nas novas softail, especialmente na Fat Bob, que traz garfo telescópico invertido Showa na dianteira com tubos de 43 mm de diâmetro do tipo Dual Bending Valve (SDBV), que ajuda muito para que o enorme pneu (150/80-16) copie e contorne as irregularidades do piso sem sustos e com total segurança.

Na traseira a moto segue o novo padrão softail com o amortecedor único escondido sob o banco, dando a impressão que ela ainda é daquelas antigas “rabo-duro”. Este sistema inverso em relação à antiga suspensão da Fat Bob, onde o amortecedor é comprimido pela carga ao invés de ser distendido, dá mais eficiência no amortecimento, com maior curso e possibilita ajuste de pré-carga por um prático comando do lado direito da moto. O mesmo esmero dos engenheiros da H-D se pode falar dos freios, que na Fat Bob são assinados pela Brembo e conta com duplo disco com pinças flutuantes de duplo pistão na roda dianteira e disco simples do mesmo padrão na traseira, ambos com ABS, determinando um sistema muito eficiente e seguro em qualquer condição. O manete do freio poderia ser de acionamento um pouco mais macio, mas isso não condena ou coloca em risco o funcionamento muito bom do conjunto de freios.

Outro fator que melhorou muito na nova moto é o ângulo de inclinação lateral maior para os dois lados, resultado do novo desenho do motor que tem seu bloco mais estreito e da posição das pedaleiras mais altas. Com pneus daquela largura, inclinar em curvas a Fat Bob exige cuidado e um pouco de jeito, mas rapidamente se pega o jeitinho e fazer curvas se torna fácil e até alguma ousadia é permitida, mesmo a pilotos menos experimentados. Não há muito a acrescentar sobre este enorme motor Milwaukee Eight 114, cuja melhora é inquestionável e apesar de estar ancorado no duplo berço do chassi, quase não se sente vibrações.

Fat Bob

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Belas ponteiras do escapamento 2-1-2 em aço escovado

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As saídas do escapamento em dourado dão um charme especial

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Detalhe do manete Screamin' Eagle

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Os cabos das velas também destacam o acessório Screamin' Eagle

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A visão do piloto no cockpit, com o fotógrafo nos retrovisores

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O enorme pneu dianteiro 150/80-16: boa aderência e estabilidade

De funcionamento suave, silencioso e ritmado, as respostas do acelerador são precisas. A baixas velocidades e rotação mínima, o torque generoso empurra a moto com vigor, e o despejo de potência é imediato. Contudo, ainda falta na Fat Bob o controle de tração, ainda mais por ser ela uma moto equipada com um motor cujo torque se destaca. Não foram poucas as vezes que uma acelerada com mais força por variados motivos fez a roda traseira escorregar um pouco, deixando claro que o despejo de força é bruto e requer muito cuidado. Isso seria muito fácil de acrescentar porque lá já estão o ABS e o acelerador eletrônico ride-by-wire.

No mais, a moto oferece grande conforto e autonomia acima dos 200 km com seu tanque de 13,6 litros. Quanto ao consumo, apesar de não ser esta uma preocupação muito grande de quem compra esta moto, mas vale o registro de que rodamos 478 km com a Harley-Davidson Fat Bob em trecho urbano e de rodovia e gastamos 23,8 litros de gasolina para isso, o que resultou no consumo de 20,08 km/litro, um boa marca para uma moto desse porte. A moto avaliada estava equipada com alguns acessórios Screamin’ Eagle, mas a versão pura da Fat Bob equipada com o motor Milwaukee Eight 114 custa na tabela FIPE R$70.997 (novembro de 2018).

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Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.