O setor de mobilidade elétrica urbana está cheio de anúncios chamativos em 2025: scooters conectados, apps integrados, chassi leve e até pneus inteligentes. Mas pouca gente lembra que muito disso já havia sido tentado anos atrás, em um projeto ousado que parecia mais experimento de ficção científica do que produto real de duas rodas. O nome dele era Ujet, apresentado em 2018 no CES de Las Vegas.
Um scooter que não parecia scooter
Desenvolvido em Luxemburgo, o Ujet chamava atenção antes mesmo de ligar. Todo o design fugia ao padrão: linhas assimétricas, estrutura dobrável e um eixo de direção deslocado para garantir compactação ao ser guardado — inclusive dentro de um porta-malas. As rodas, sem cubo central, adotavam o formato orbital, reforçando a sensação de estar diante de um protótipo futurista.
Pesando apenas 49 kg, o chassi era feito de fibra de carbono. Até os pneus tinham seu quê de laboratório: eram fabricados com um composto de borracha batizado de Tuball, enriquecido com nanotubos de carbono que prolongavam a durabilidade e aumentavam a flexibilidade.
Eletrônica de luxo em duas rodas
Se hoje já soa impressionante ter GPS e conectividade no painel da moto, o Ujet trazia isso sete anos atrás. Sua tela TFT de 7 polegadas, retrátil e sensível ao toque, oferecia Wi-Fi, Bluetooth e navegação curva a curva. Um sistema antirroubo fazia a geolocalização em tempo real e permitia bloquear o veículo diretamente pelo celular.
Além disso, havia uma câmera integrada para gravar os trajetos, dois carregadores USB e três modos de condução (Eco, Normal e Sport), com a opção Boost para acelerações instantâneas. Pouco comum até em 2025, esse conjunto transformava o ciclomotor em uma vitrine de inovações.
Motor e bateria nada convencionais
O coração do Ujet era um motor elétrico de 5,4 cavalos integrado dentro da própria roda traseira orbital de 14 polegadas, com direito a frenagem regenerativa. Sua bateria removível vinha acoplada ao assento, formando um módulo que podia ser puxado como um trolley de viagem.
O comprador ainda podia escolher entre duas versões: alcance de até 70 km ou de até 150 km por carga. Para 2018, era um feito notável em scooters compactos.
Um pioneiro que ficou pelo caminho
O Ujet reunia praticamente tudo o que hoje chamamos de “scooter premium conectado”. Mesmo assim, acabou virando lembrança. Poucas unidades chegaram às ruas antes de a empresa interromper a produção.
Curiosamente, o projeto parecia ter nascido antes da hora. Em um momento em que a mobilidade elétrica engatinhava, havia pouco espaço para um produto tão sofisticado e caro. Hoje, quando características como conectividade, leveza e baterias portáteis ganham força, a ideia poderia ter tido outro destino.
O Ujet foi um caso raro de scooter que antecipou o futuro — só não teve tempo de viver nele.
Você também deve ler!
O dia em que a Mitsubishi tentou transformar uma scooter em arma de guerra



