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Uma conversa franca com Marc Márquez

O pentacampeão mundial de MotoGP, Marc Márquez, passou por São Paulo para vários compromissos com seus patrocinadores e um deles, a Estrella Galicia 0,0. conseguiu arranjar um tempinho na agenda de Marc para um bate-papo com jornalistas. O jovem piloto espanhol falou sobre sua carreira, os principais objetivos para esta temporada, sua vitória na Argentina no último final de semana e muitos outros assuntos, inclusive confirmando que ainda mora na casa dos pais: “A comida que minha mãe faz é muito boa”, explica.

Marc Márquez: nenhuma pergunta sem resposta; bom nas pistas, bom com a mídia

Marc Márquez: nenhuma pergunta sem resposta; bom nas pistas, bom com a mídia

Marc Márquez por ele mesmo

Em clima de “Esse é o cara a ser batido na pista nesta temporada”, o espanhol não deixou nenhuma pergunta sem resposta e falou com franqueza sobre todos os assuntos aos jornalistas. Acompanhe:

O principal rival em 2019: “Neste pódio da Argentina estiveram os dois principais rivais que, até agora, acredito que vão lutar pelas vitórias (Valentino Rossi, Andréa Dovizioso e o próprio), mas creio que a experiência de Dovizioso com a Ducati faz diferença a seu favor e acho que ele será meu principal rival nesta temporada”.

O rival em 2019: Andréa Dovizioso e sua Ducati #04

O rival em 2019: Andréa Dovizioso e sua Ducati #04

Porquê Dovizioso:Em uma temporada tudo pode ocorrer, mas vejo Dovizioso mais forte, com os dois últimos anos muito bons e com ótima experiência com a Ducati e sempre muito constante. Valentino e a Yamaha não estão tão constantes, ainda alternam ótimo desempenho com corridas ruins. Mas isso é apenas meu feeling”.

Jorge Lorenzo como companheiro de equipe?: “Lorenzo é um tricampeão e foi o último a conquistar um título antes de mim (2015) e não há dúvida quanto à sua capacidade. Ele é um piloto muito peculiar e meticuloso, detalhista. Ele busca a perfeição em tudo e isso o torna um rival importante, mas até agora ele ainda não encontrou esse equilíbrio perfeito, mas acredito que esse momento vai chegar com a Honda, assim como chegou com a Ducati.”

Márquez e Lorenzo: amizade e respeito... por enquanto

Márquez e Lorenzo: amizade e respeito… por enquanto

Lorenzo é um bom companheiro?: “Meu relacionamento com Lorenzo é saudável e muito proveitoso ao projeto da Honda. Temos uma relação boa, compartilhamos questões técnicas sobre a moto e outros detalhes de corrida. Mas é assim porque hoje ele não disputa posição comigo na pista. Quando isso começar a acontecer, ele será um companheiro de equipe e um rival a mais a ser batido. Por isso há muito respeito entre nós e grande maturidade para deixar a rivalidade apenas dentro da pista.”

Viñales é “cavalo paraguaio”?: “Maverick Viñales e muitos outros pilotos jovens são sempre muito rápidos nos treinos, mas não conseguem manter o bom desempenho durante todas as corridas. Como já passei por isso, sei que é muito difícil manter a concentração e ser constante. É como um jogador de futebol, que treina muito bem, mas no dia do jogo, quando há pressão, quando todos estão assistindo, não joga da mesma maneira. Creio que Viñales vai encontrar seu momento.”caras-e-bocas

Hegemonia em Austin (Texas): Não estou preocupado com o resultado em Austin. Como sempre, vou me dedicar ao máximo nos treinos e na preparação para esta corrida. Claro, meu objetivo é terminar com o título da temporada e para isso, preciso vencer. Fizemos um bom trabalho na Argentina, e quero manter o nível em Austin. Se vencer mais uma vez, ótimo.”

Marc Márquez sozinho na ponta em Austin 2018; será assim este ano?

Marc Márquez sozinho na ponta em Austin 2018; será assim este ano?

Qual o seu limite?: “A pressão é o que me move e eu sempre gostei disso. Não coloco um limite de títulos para parar de correr. Desde 2010, ano a ano busco vitórias e ganhar títulos. E isso me dá motivação para buscar mais um no ano seguinte, porque a euforia e a alegria da conquista não tem preço para mim nem para os fãs. Tenho ‘apenas’ 26 anos e não creio que preciso procurar motivação extra para correr de moto”.

Patrocínio Estrella Galicia 0,0.: “Eles apostaram em meu crescimento profissional e quem está começando sabe a dificuldade que é ter tranquilidade para treinar e se dedicar nessa fase. Assim, só tenho que agradecer todo o apoio da Estrella Galicia comigo. Estamos juntos desde a categoria de base e eles apostaram em mim e eu pude retribuir o apoio. Mas quero destacar que não é só para mim, mas para muitos outros pilotos em diferentes categorias e esse apoio contribui muito para a visibilidade da motovelocidade.”

Com Barros e Fausto Macieira: gosto pelo "braaaap"

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 Valentino Rossi é seu amigo?: “Valentino é adversário. Dificilmente seremos amigos. O que passou não importa mais e eu aprendi que com um rival com o qual você disputa um campeonato, é muito difícil manter uma relação de amizade. Quando há amizade, você compartilha tudo e a um rival você não compartilha nada. Porém, sempre tive uma relação de muito respeito com ele, inclusive para fora do que acontece nas pistas. Somos adultos e profissionais e sabemos que o que mostramos para o público é importante. Então, na Argentina, apertamos nossas mãos e nos desejamos o melhor para a temporada. Dentro da pista, a relação é de rivalidade. Fora dela, a relação é profissional.”

Tietagem pura: note a alegria no rosto do pequeno fã de Valentino Rossi, naquele momento já campeão do mundo na MotoGP; tudo mudou

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Igualar ou superar Valentino?: “Não estou certo se terei motivação e condições físicas para competir (e ganhar) mais 14 anos, como Valentino está fazendo. Não quero estabelecer um limite. Valentino tem 40 anos e segue correndo na MotoGP. Antes, aos 33 anos um piloto já era considerado um veterano. Agora, é preciso chegar aos 40 para isso. Vou até quando o corpo dizer ‘basta’, até onde ele aguentar, mas a moto não é só o físico, é mais cabeça também. O tempo dirá.” 

Momento mais difícil: “Em uma carreira, há muitos momentos difíceis. Mas o meu pior foi o início da temporada de 2015. Eu havia ganho três títulos seguidos (um na Moto2 e mais dois na MotoGP) e acreditava que eu era invencível aos 22 anos de idade. Então no começo de 2015 as coisas não saíram como eu esperava, caí várias vezes e fiquei fora da disputa pelo campeonato. Aprendi muito naquela temporada e trouxe esta experiência para os três anos seguintes (mais três títulos da MotoGP).”

Também participaram da conversa com Marc Márquez o piloto Alexandre Barros, mais importante piloto brasileiro de motovelocidade, e o jornalista Fausto Macieira, comentarista de motovelocidade do canal Sportv. Juan Paz, diretor da Estrella Galícia no Brasil, anfitrião do encontro, disse: “Somos uma família que oferece aos jovens pilotos todas as ferramentas para desenvolver seu talento ao mais alto nível”. No Brasil a empresa tem parceria com Alex Barros e com o Sport Club Corinthians Paulista desde setembro de 2016.

Fotos de Fernando Holschuh e Sidney Levy

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Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.