Motoclimb é o desafio vencer subidas íngremes, no menor tempo possível. O esporte é um dos mais antigos, do mundo duas rodas, conforme esclarecimento do diretor da modalidade pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM), Lamar Skitnevsky.
A nossa curiosidade, depois da participação brasileira no evento da Califórnia no último mês de outubro, acabou recaindo justamente a respeito das motos. Vimos desde motos “aparentemente normais”, até modelos visivelmente alterados. Por conta disso, perguntamos exatamente sobre essas motos tão diferenciadas.

Segundo Lamar, as motos utilizadas no MotoClimb, são basicamente as mesmas utilizadas no motocross de enduro, acima de 300cc. Mas pode haver mudanças conforme a modalidade em disputa. A parte mais que chama mais atenção é a balança alongada. Mas trata-se de uma balança comum, apenas com a adaptação de um extensor. Logicamente esse extensor pode variar, conforme testes e adaptações entre o piloto e a moto. O conjunto se estende também: corrente e cabo de freio.

Já o pneu traseiro, alguns são realmente trabalhados e também chamam a atenção. Nesse caso, é um pneu remolde absolutamente normal, mas com a aplicação daqueles “calombos” (não têm um nome específico) para aumentar a tração na montanha. Ou seja, não são pneus especiais, mas outra adaptação.
O diretor diz que em determinadas modalidades, a moto pode ser totalmente modificada, seja na parte de suspensão dianteira ou traseira, balança e roda como vimos, até outros tipos de motores.

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Sobre o MotoClimb
Como um bom entusiasta do esporte, Lamar também gosta de falar sobre a sua história. Segundo ele, os primeiros relatos associados ao motoclimb surgiram no início do século XX, quando marcas como Triumph, Scott, Indian e Harley-Davidson colocavam no mercado motocicletas com motores modestos, de dois a três cv de potência. Em 1908, no Reino Unido, já havia registros formais de competições, e rapidamente o formato despertou interesse de pilotos e espectadores. Na década de 1920, nos Estados Unidos, o motoclimb ganhou forte espaço cultural, reunindo multidões que buscavam assistir às corridas e às tentativas de superar aclives cada vez mais técnicos.

Ao longo dos anos, a modalidade permaneceu ativa em países como França, Bélgica, Portugal e Estados Unidos, que hoje abrigam eventos estruturados de visibilidade internacional.
No Brasil, o interesse pela modalidade cresceu de forma mais expressiva a partir de 2023, com a estreia de um evento dedicado ao motoclimb em Serra Negra, São Paulo. A segunda edição, realizada em 2024, recebeu homologação oficial da Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM), tornando-se o primeiro evento reconhecido no país.

Já em 2025, a competição passou a atrair maior número de pilotos, estrutura ampliada e atenção de organizadores internacionais. O resultado desse avanço foi o convite para que atletas brasileiros participassem de uma etapa do Moto Climb Super Series nos Estados Unidos, criando a chamada “Brazil Expedition”.
O diretor da modalidade já adianta que a próxima edição do MotoClimb Brasil vai acontecer nos dias 01 e 02 de maio de 2026. “Anote na agenda!”, reforça Lamar.
