Especialistas criticam duração da campanha nacional de trânsito

Sete dias para conscientizar motoristas sobre a importância do cinto de segurança no banco traseiro e a utilização da cadeirinha.

De sexta-feira (17) até o dia 25 de setembro, várias atividades educativas e de prevenção irão tomar as ruas e avenidas da capital na Semana Nacional do Trânsito. Analistas destacam, entretanto, que o período é insuficiente para que as campanhas de conscientização alcancem o resultado esperado. Segundo o Ministério da Saúde, enquanto nos países onde o número de mortes no trânsito é de seis pessoas para cada 100 mil habitantes, no Brasil, essa proporção sobe para 19.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET-MG), Guilherme Durães, defende ações educativas e de prevenção permanentes, dentro das salas de aula e antes de os jovens assumirem o volante. Para ele, ações pontuais, com duração reduzida, surtem pouco ou nenhum efeito naqueles que dirigem há muito tempo.

Para conseguir um resultado eficaz, avalia Durães, as campanhas precisariam chocar, com imagens que mostrem que a não utilização do cinto ou da cadeirinha pode matar ou deixar as vítimas em estado vegetativo, fora o prejuízo financeiro e sofrimento para a família. “É preciso aproximar os motoristas dessas situações. É como se disséssemos: ‘Olha, este aqui pode ser você’”, diz Durães.

Nesta sexta, das 7h30 às 9h30, haverá distribuição de material educativo na Avenida Engenheiro Carlos Goulart, 900, Bairro Buritis, na Região Oeste da capital. A partir das 11h30, as ações acontecem na Avenida Cristóvão Colombo com Getúlio Vargas, na Savassi (Região Centro-Sul). As ações são promovidas pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL) e pela BHTrans.

Na tentativa de ampliar o número de ações, a Abramet programa, para a última semana de novembro, uma jornada que pretende sensibilizar as autoridades sobre a necessidade de manter as campanhas de conscientização durante todo o ano.

O diretor de relações institucionais da Seguradora Líder DPVAT, José Márcio Norton, concorda que o ideal é que as campanhas de combate a violência no trânsito aconteçam mais vezes durante o ano, mas, para ele, o fato de os cidadãos já poderem contar com uma semana para discutir a violência no trânsito já é um grande passo.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostram que 30% dos feridos em colisões estavam no banco de trás. Uma comparação feita entre o primeiro semestre do ano passado com igual período de 2010 mostra que o seguro obrigatório DPVAT desembolsou, só em Minas Gerais, 263 indenizações em 2009. Neste ano, foram realizados 270 pagamentos.

Sob a alegação de ter a maior malha viária do país, Minas Gerais é o Estado que tem mais mortes nas estradas do Brasil. “50% dos leitos dos hospitais são ocupados por vítimas de traumas causados em acidentes de trânsito”, diz o presidente da Abramet, Guilherme Durães.

O uso da cadeirinha para o transporte de crianças de até 7 anos e meio em automóveis passou a ser obrigatório no início do mês. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a adoção da cadeirinha reduz em 70% o número de mortes de crianças no trânsito, mas apenas 32% das mães brasileiras – segundo pesquisa da ONG Criança Segura – transportam os filhos com o dispositivo adequado.
Nesta quinta-feira (16), o uso correto da cadeirinha salvou um bebê em um acidente na cidade de Governador Valadares, Região do Vale do Rio Doce, quando o carro onde a criança estava chocou-se com outro e capotou. Segundo o Corpo de Bombeiros, o bebê, protegido pela cadeira, saiu totalmente ileso, assim como o motorista e o passageiro, que usavam cinto de segurança.

Durães alerta que o fato de a criança ter 10 anos não deve ser considerado como fator suficiente para deixá-la andar no banco do passageiro dianteiro. “As crianças têm tamanhos diferentes e, independentemente da Resolução 277, é fundamental ter um 1,45 metro de altura para sentar no banco da frente”, recomenda.