As motos mais antigas não tinham marcador de combustível

Pane seca

Num mês de janeiro, há muitos anos, minha mulher e minha filha estavam de férias (eu trabalhando) num lugar chamado Barra do Saí (SC), que fica a uns 140 km de Curitiba. Como faziam mais de 15 dias que não as via e estava “morto” de saudades, resolvi dar um pulinho lá depois do trabalho.

As motos mais antigas não tinham marcador de combustível

As motos mais antigas não tinham marcador de combustível

Trabalhei até às 17:30, passei num posto, enchi o tanque e peguei a BR-376, que liga Curitiba (PR) a Joinville (SC), indo até Garuva e de lá até meu destino, Barra do Saí, no litoral catarinense.

Beleza de viagem. A noite estava maravilhosa e a temperatura super agradável. Até os bichos voadores da noite, tipo besouros e mariposas, resolveram colaborar e apareceram em pequeno número.

Chegando lá, fiquei aproximadamente uma hora, matei a saudade das duas e peguei a estrada de volta, pois no dia seguinte teria que trabalhar cedinho.

Resolvi voltar por outra rodovia, passando por cidades do litoral paranaense (Guaratuba, Caiobá e Matinhos) e subindo a BR-277, que liga Paranaguá (PR) a Curitiba. Por volta das 23:30, pouco antes de um lugar chamado Viaduto dos Padres, bateu a reserva na Honda NX 350 Sahara – esses eram dois dos defeitos dela: tanque pequeno e falta do marcador de combustível – só se fica sabendo da situação do nível de gasolina quando a moto pede a reserva.

Pensei: estou ferrado, passei por tantos postos e não lembrei de abastecer. Quase meia noite, um luar mirrado e um breu de escuro, e eu com gasolina para apenas mais uns poucos quilômetros – nem tinha ideia da autonomia dela após passar para a reserva. Como não tinha outro jeito, aliviei o acelerador e continuei subindo a Serra do Mar.

Pensei novamente: vou parar no Posto da Polícia Rodoviária que tem no alto da Serra e lá eu consigo um pouco de gasolina, que dê para chegar em casa. Pãtz, que zica, no posto só tinha um carro, e para complicar ainda mais, era a álcool. Nada de gasolina.

Mas para minha salvação, o guarda de plantão falou, apontando para o horizonte da estrada: – Está vendo aquele luminoso lá no alto dessa subida? É um posto e está aberto. Estou salvo, pensei. Montei na moto e continuei na direção do posto.

Faltando uns 100 metros para o final da subida o motor apagou. Balancei a moto e bati na partida, pegou, andei mais um pouquinho e o motor parou de vez. Empurrei a moto até começar a descida, montei e fui no embalo, parando na frente da bomba de gasolina. Muita sorte!

Duvido que alguém parasse para me socorrer de madrugada numa estrada escura; lembre-se que todo motociclista até hoje ainda é tachado de bandido!

O bagageiro original de fábrica facilitava a instalação do bauleto

Dois defeitos da NX 350 Sahara: tanque pequeno e ausência do marcador de combustível

 

Em outra ocasião, viajando da Serra do Corvo Branco para a Serra do Rio do Rastro (quando fiz a matéria “Serra do Rio do Rastro, lugar que todo motociclista deve conhecer), passei por situação semelhante. Inebriado com as lindas paisagens das Serras Catarinenses, esqueci de abastecer e lá no meio do nada bateu reserva. Mas essa é outra história. Como viajava em grupo, foi mais fácil de conseguir gasolina e prosseguir até o próximo posto na cidade de São Joaquim (SC).

Nessa viagem fiquei com inveja da autonomia de duas Yamaha Téneré 250 que viajavam no grupo. Enquanto a minha Sahara só tinha autonomia para aproximadamente 250 km (14 litros para 18 km/l), as Téneré 250 ofereciam autonomia superior a 400 km (16 litros para 27 km/l).



Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.