Climbiker em Itamonte

Climbiker em Itamonte

Rios, cachoeiras, muitas trilhas e belas montanhas para escalar, tudo isso em um único lugar: Itamonte, Minas Gerais.

Rios, cachoeiras, muitas trilhas e belas montanhas para escalar, tudo isso em um único lugar: Itamonte, Minas Gerais.

Desta vez reuni o material de escalada, minha boa e inseparável SpeedMaster 650 (acabei de inventar a moto genérica) e me mandei para a pacata Itamonte, abrigo de 12.000 habitantes e cercada de belezas naturais para quem curte o cheiro bom de mata, o frescor dos rios e os desafios dos esportes de aventura.

Itamonte compõe o que se convencionou chamar de Terras Altas da Mantiqueira, talvez uma necessidade exagerada de dar nomes aos bois. Poderia ser mais bonito se fosse Mantiqueira’s Highlander, mas soaria um tanto brega. A cidade fica em Minas Gerais, na divisa dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo servida pela rodovia BR-354, conhecida como Rio-Caxambu. É uma estrada cheia de curvas, sem acostamentos e que exige uma paciência milenar chinesa caso encontre um caminhão carregado de madeira reflorestada. A cidade gravita em volta do trecho desta rodovia e as pousadas mais baratas estão neste pedaço. Se você não se incomodar de dormir sentindo cheiro de bife acebolado pode escolher qualquer uma delas, pois a maioria fica em cima de algum restaurante.

O dado mais importante para quem chegar a Itamonte disposto a fazer trilha de moto é que a cidade é cercada por mais de 950 km de estradas e trilhas de terra. Pode-se chegar à Itajubá, Passa Quatro e até Visconde de Mauá só por estradas de terra.

E se o seu esporte for mais aquático, tipo acquaride, acquatrekking ou bóia-cross, vai fazer a festa nos rios Capivari e Aiuruoca. Durante os meses de verão as operadoras de ecoturismo levam para um rolê refrescante nas águas geladas destes rios. Não perca, porque é agradável, emocionante, divertido e seguro. Os monitores são muito bem treinados e fazem o turista passar por um cursinho antes de se atirar nas águas. A curiosidade da hidrografia desta região é que o Aiuruoca é o rio brasileiro cuja nascente fica lozalizada no ponto mais alto, a 2.400 m de altitude. Imagine a temperatura da água no inverno! Se você curte canyoning a época boa é no verão, quando os rios estão mais cheios e a temperatura da água mais suportável. Mesmo assim é aconselhável a roupa de neoprene e não esqueça o capacete.

Nos meses de inverno os esportes mais recomendados são, mountain-bike, trilhas de moto, trekking (nome afrescalhado para caminhada) e montanhismo, todas atividades adoráveis e que ficam muito melhor quando praticadas em tempo seco e frio.

ITATIAIA Ir para Itamonte e não passar por Itatiaia é como viajar ao Rio de Janeiro e nem chegar perto do Pão de Açúcar. O parque nacional de Itatiaia, a 2.787 metros de altitude, faz parte dos lugares que considero de visitação obrigatória de todo brasileiro, assim como Fernão de Noronha, Ilha do Marajó e Lençóis Maranhenses. O parque de Itatiaia é o mais antigo do Brasil e tem regras bem rígidas para sua visitação. Como há limitações de horários conforme a época do ano, convém se informar previamente pelo site www.ibama.gov.br para não correr o risco de bater com o nariz na porta.

Dentro do parque os passeios obrigatórios são o Pico das Agulhas Negras, a cachoeira do Aiuruoca e as Prateleiras, aglomerado de rochas onde estão as vias de escalada mais antigas do Brasil, datadas de 1856. A mais tradicional delas é a Chaminé do Idalício, clássica, de quinto grau, que acompanha uma bela fenda. Ainda estão fincadas cunhas de madeira da época das primeiras escaladas. Não mexa nelas!

Outros pontos de escalada da região é o Morro do Couto, com muitas vias de aderência, e o campo-escola Pedra do Camelo, em frente ao abrigo Alsene, um pouco antes da guarita de entrada do parque.

ITAMONTE O melhor ponto de escalada em Itamonte é a Pedra do Picu, formação rochosa a 2.150 metros de altitude com vias clássicas, perfeitas para passar o dia no belo granito de 120 metros, com lances fáceis, mas alguns bem expostos. A parte mais difícil da escalada no Picu é o acesso. Quem não for um Climbiker de verdade terá de recorrer a um carro 4×4 ou alugar cavalos em uma fazenda bem na entrada do acesso. Também pode largar o carro na estrada e fazer uma caminhada a pé de quase duas horas, com equipamento de escalada nas costas. Topa?

Um dos pontos turísticos imperdíveis é a Usina do Braga, com uma bela cachoeira e que ainda preserva a casa das máquinas do tempo em que gerava eletricidade para a região. Desça até esta construção e veja as turbinas ainda instaladas.

PASSA QUATRO Nesta agradável cidade pode-se fazer um bucólico e histórico passeio de trem, com a locomotiva antiga totalmente restaurada. Esta cidade é mais conhecida por ser a porta de entrada para um dos passeios mais em moda atualmente: a travessia dos picos do Itaguaré-Marins, na cumeeira da Mantiqueira. Se você goza de bom condicionamento físico, esbanja saúde e tem bons joelhos não pode perder esta trilha. São 33 km em dois dias e a vista compensa os dias de “ai minhas pernas” que se seguirão.

Outros passeios imperdíveis em Passa Quatro é a Toca do Lobo e o Campo do Muro, um sítio arqueológico bem curioso. E caso encontre uma fonte de água pela cidade pode encher o cantil, porque nesta cidade jorra água mineral pelas torneiras!

ALAGOA A principal atração é a nascente do rio Aiuruoca e suas inúmeras cachoeiras. Para quem curte a pesca de linha, no Aiuruoca é possível pegar trutas arco-íris no estilo fly fishing. Confesso que prefiro no estilo “pesque, pague e coma rapidamente”. Lamento pelas trutas, mas é um dos melhores pratos da região, assim como os queijos e carnes.

As outras cidades que compõem as Terras Altas da Mantiqueira são: Delfim Moreira, Itanhandu, Marmelópolis, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde e Virgínia

Onde ficar: Vai depender fundamentalmente do seu bolso. Pode-se escolher por camping até hotéis-fazendas de luxo. Os que visitei e recomendo são:

Pousada Ribeirão do Ouro (Itamonte), estilo mineiro típico, com piscina, ótimo restaurante e muito confortável, www.ribeiraodoouro.com.br Estância Rio Acima (Itamonte), ideal para quem pretende fugir de qualquer sinal de stress, oferece sauna, sessões de yôga e muito estilo natural. Também tem área de camping, www.rioacima.com.br Hotel Thomaz (Itamonte), fica na BR-354 na entrada da cidade. Ótima relação custo-benefício, boa comida e pode-se encomendar uma costela na brasa, ou picanha assada para a volta do seu passeio que não vai se arrepender, fone/fax (35) 3363-1717.

Pousada dos Lobos (Itatiaia), fica bem perto da entrada do parque, muito luxo e conforto, perfeito para quem pretende escalar e ficar na boca das trilhas no alto da serra, www.pousadadoslobos.com.br Pousada Alsene (Itatiaia) fica no alto da serra da mantiqueira, a 2.400 m de altitude, bem em frente a um campo-escola da pedra do Camelo. É quase um abrigo de montanha, muito bem estruturado e acostumado a receber escaladores, alsene@turnet.psi.br ou pelo fone (35) 3363-1773 Hotel Serra Azul (Passa Quatro), estilo econômico, bem em frente à estação ferroviária de onde partem os passeios de Maria Fumaça. O serviço é de qualidade e a deliciosa vantagem de ser conjugado com uma pizzaria, www.hotelserraazul.com.br

Os guias de turismo de Itamonte são: Picus, rapaziada acostumada à escalada e que leva a algumas rochas secretas mediante a promessa de não detonar o lugar. Opera também acquaride e bóia-cross www.picus.com.br Rota Turismo, também opera escalada, além de cavalgadas, mountain-bike, esportes aquáticos e as caminhadas, www.rotaturismo.com.br O Paulo Zikan é um guia de montanha que conhece tudo na região e também pode ajudar em qualquer parada, www.itatiaiazikan.com.br

Finalmente, para encher a pança de truta, dê uma passada no Truta Morita, um pesque e pague (e coma!!!) dos bons. Fone (35) 3363-1540.

Itamonte fica a 273 km do centro de São Paulo; a 230 km do Rio de Janeiro e a 402 km de Belo Horizonte. Para quem sai de SP ou do Rio a via Dutra é a estrada principal, para depois subir a BR 354.

E se eu esqueci alguma coisa, passe no site da cidade: www.itamonte.com.br e boa viagem!

Os Climbikers A paixão em comum pelo motociclismo fora-de-estrada e pela escalada reuniu um grupo de amigos que formaram os Climbikers, ou, em uma tradução livre, “moto-escaladores”. Cada um tem experiência diferenciada nas duas atividades e decidiram que o melhor seria reunir o que cada modalidade tem de melhor para que se completem. As motos permitem nos levar a locais onde até um carro 4×4 tem dificuldade