Estudantes brasileiros vencem a SAE AeroDesign em duas categorias, nos EUA

Representado por equipes de SP e Minas, o Brasil venceu nas Classes Micro e Regular, e ficou em segundo na Classe Avançada, num total de 11 troféus

O Brasil se sagrou novamente campeão da SAE Aerodesign East Competition, realizada neste final de semana – 30 de abril a 3 de maio -, no Texas, EUA. As equipes Cefast AeroDesign, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG); e EESC USP Micro, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP, venceram nas classes Regular e Micro, respectivamente. Na Classe Avançada, o Brasil foi vice-campeão, com a equipe EESC USP Advanced, também da USP São Carlos. No total, as equipes brasileiras receberam 11 troféus na competição.

Esta é a quinta vez que uma equipe brasileira vence na Classe Regular e a primeira na Classe Micro, categoria que o Brasil ingressou ano passado durante a competição brasileira, realizada em São José dos Campos, SP. Na Classe Avançada, o País já ganhou quatro vezes na SAE Aerodesign East Competition.

Realizada pela SAE International, no Flying Field Club, em Fort Worth, a competição contou com 65 equipes inscritas – 44 da Classe Regular, 11 da Classe Micro e 10 da Classe Avançada. As equipes são formadas por estudantes de engenharia da Europa e das Américas, que projetaram e construíram aviões em escala reduzida e rádiocontrolados exclusivamente para a competição.

As atividades em Fort Worth começaram com apresentações de projetos e encerraram com sucessivas baterias de testes dos aviões, que tinham como desafio transportar o máximo de carga útil dentro das restrições impostas pelo regulamento da competição.

Além de campeão pela Classe Regular, o avião de Minas Gerais rendeu à equipe troféu de Maior Peso Carregado: 14,65 kg. Com isso, a equipe do Cefet trará de volta ao País o Troféu Itinerante, prêmio que pelo quinto ano é concedido para uma equipe brasileira. O troféu percorre o mundo e é reservado à Classe Regular.

A equipe EESC USP Regular, a quarta equipe que representou o Brasil, em Fort Worth, conquistou o terceiro lugar na competição (o segundo ficou com equipe de Cincinnat/EUA) e ainda o troféu de Segunda Maior Carga Transportada, com 14,24 kg.

Na Classe Micro, a campeã EESC USP Micro, de São Carlos, ganhou mais três troféus: Maior Fração Pay Load (relação carga transportada e peso vazio do avião), Melhor Apresentação e Segundo Melhor Relatório.

Já na Classe Avançada, além do segundo lugar na classificação geral, a equipe EESC USP Advanced ganhou troféus de Terceira Melhor Apresentação e Maior Carga Carregada (18 kg). O primeiro lugar na categoria foi conquistado por equipe da Warsaw University of Technology, da Polônia.

Regulamento – Os aviões da competição são classificados em três categorias: classes Advanced, Regular e Micro. Na primeira, não existem restrições geométricas às aeronaves ou ao número de motores instalados, desde que a soma das cilindradas dos motores não excedam 10.65 cc (0.65 in3). A distância máxima de decolagem deve ser medida por um sistema eletrônico embarcado. Desta categoria pedem participar inclusive, estudantes de pós-graduação.

Já na Classe Regular, os aviões são monomotores, com cilindrada padronizada em 10 cm3 (0,61 in3). O regulamento impõe restrições geométricas que delimitam as dimensões máximas das aeronaves, e que devem ser capazes de decolar em uma distância máxima delimitada, de 61m (200ft).

A Classe Micro não impõe restrições geométricas aos projetos nem ao número de motores, porém a equipe deve ser capaz de transportar a aeronave dentro de uma caixa comercial de 46 x 33 x 14cm (18 x 13 x 5.6in). Nesta classe, as aeronaves podem usar motores elétricos e devem decolar em até 30,5m (100ft).

Besaliel Botelho, presidente da SAE BRASIL, destaca que as competições estudantis da associação impõem um rico desafio ao futuro engenheiro, porque envolvem desde o projeto e desenvolvimento do veículo até a realização de testes no protótipo. “Os estudantes trabalham em equipe não somente para conceber e elaborar o projeto, mas para construí-lo e colocá-lo em prova, sempre de acordo com o regulamento técnico da competição”, afirma Botelho. Segundo o presidente da SAE BRASIL, esses quesitos ajudam o futuro profissional a chegar mais preparado ao mercado.