Intersecção, a confusão!

Intersecção, a confusão!

Texto: Geraldo Tite Simões

A forma correta para fazer duas vias de trânsito intenso se cruzarem ainda é o viaduto ou o túnel, ou seja, qualquer mecanismo que impeça o cruzamento de veículos em alta velocidade no mesmo nível.

É uma condição tão perigosa que eu chego a mudar meu itiner&cute;rio para evitar ao m&cute;ximo ou mesmo reduzir esse tipo de ocorrência. O risco se traduz na falta de uma sinalização semafórica, o que exige conhecimento, interpretação e obediência aos sinais normalmente esquecidos pelos motoristas e motociclistas.

Por exemplo, pouca gente sabe – ou respeita – que as faixas brancas pintadas no asfalto indicam que NÃO é para passar em cima delas! Exceção às faixas de pedestres (dã!). A função dessas faixas é organizar o fluxo de veículos. Como muitos motoristas não respeitam essa normatização, a saída é usar aqueles terríveis – para nós, motociclistas – tachões com olhos-de-gato. Mesmo assim, motoristas, motociclistas e caminhoneiros ignoram solenemente as faixas e tachões e causam o maior forrobodó na hora de enfrentar esse tipo de cruzamento.

A regra é a mais simples possível, imagine uma via principal, de três faixas, cortada na diagonal por uma via secund&cute;ria de faixa única:

– Para quem vem na via principal e for seguir em frente, deve se manter na faixa DO MEIO, sem invadir a faixa da esquerda, nem invadir a faixa da direita, que deve ficar livre para permitir uma &cute;rea de aceleração para quem vem pela via secund&cute;ria.

– Quem pretende entrar à esquerda deve se manter na faixa da esquerda (não diga!). Parece óbvio, mas é impressionante a quantidade de condutores que não percebem a necessidade de antecipar seus movimentos de forma a liberar o trânsito dos outros.

– A terceira possibilidade é de quem vem na via secund&cute;ria para entrar na via principal e seguir em frente. A primeira observação é com relação a alguma sinalização de trânsito. Se tiver uma placa escrito PARE é pra parar e pronto! Se o motorista de tr&cute;s buzinar é um mal educado que não deveria estar à solta nas ruas. Se tiver a placa ou um desenho no chão com um triângulo invertido, então é para REDUZIR a velocidade e dar a preferência, mas sem necessidade de imobilizar o veículo. Claro, tudo isso se o resto da humanidade respeitasse a faixa branca pintada no chão.

– A pior situação é de quem em da via secund&cute;ria e precisa cruzar a via principal para entrar à esquerda. Ou seja, ter&cute; de cruzar as três faixas sem esbarrar em ninguém, nem levar um p&cute;ra-choque na testa. Primeiro observe se é permitido fazer essa manobra. Às vezes tem uma faixa branca contínua pintada no chão, indicando que é proibido mudar de faixa (outra sinalização que ninguém respeita). Se for permitido faça a manobra em dois tempos: primeiro se coloque na faixa do meio e depois passe à esquerda. Essa é a situação mais vulner&cute;vel porque exige ficar de olho nos espelhos e também no que se passa à frente. É aquela operação de fritar o peixe e olhar o gato!

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Fretados Conforme eu j&cute; havia escrito h&cute; mais de um ano, finalmente a Prefeitura de SP decidiu organizar o trânsito de ônibus fretados. Independentemente da resolução, não dava mais para conviver com esses motoristas que desrespeitam toda e qualquer regra de convivência social. Protegidos por um veículo que mais parece um tanque Panzer da II Guerra Mundial, esses desequilibrados rodam pela cidade como se estivessem em automóveis de passeio, muitas vezes desrespeitando as faixas destinadas aos automóveis. Basta ficar alguns minutos nas avenidas para perceber que esses ônibus ocupam todas as faixas impedindo a circulação até de uma bicicleta!

Quando a Prefeitura decidiu acabar com esse samba do afro-descendente doido rapidamente os sindicatos de trabalhadores dos transportes saíram às ruas defendendo os próprios umbigos, claro. Dane-se que esses veículos não sejam adequados à cidade, com os escapes na altura do p&cute;ra-choque, jogando fumaça em quem est&cute; nas ruas. Dane-se que esses veículos travem as ruas de bairro e causem transtornos aos moradores. Dane-se que eles estacionem em qualquer esquina, atrapalhando o trânsito dos demais veículos. Para esses sindicalistas o que importa é preservar seus empregos.

É graças a pensamentos como este que o trânsito em São Paulo caminha a passos largos para o caos absoluto: cada um só quer cuidar do seu nariz. Ninguém está preocupado com TODA a sociedade!

Geraldo Tite Simões – especialista em segurança de motociclista. Contato: info@speedmaster.com.br