Navegadores GPS, úteis mas perigosos

Navegadores: análise crítica sobre utilidade e riscos de acidentes

Os navegadores estão se tornando recurso de grande utilização. É inegável que podem auxiliar, e muito, o piloto ou motorista em situações em que ele não tem o conhecimento da rota a seguir para um determinado destino, além de fornecer ao condutor mais segurança, demonstrando os alertas de velocidade permitida e a existências de radares.

Navegadores GPS, úteis mas escondem riscos de acidentes

Navegadores GPS, úteis mas escondem riscos de acidentes

Todos esses benefícios estimulam cada vez mais os condutores a adquirem o equipamento, porém, existem opiniões contraditórias com relação a sua funcionalidade. A proposta do sistema, sem dúvida, é de manter a segurança do condutor, e não evitar multas. Mas fazendo uma análise geral do sistema, conseguimos enxergar o navegador como um agente causador de acidentes.

A primeira causa é a mesma que proíbe o uso de celulares ao volante: Distração
Freqüentemente o condutor, mesmo consciente e cuidadoso, desvia o olhar para a tela do navegador para ver o mapa. Esta ação é mais grave que falar ao celular, pois equivale à tentativa de ler um SMS. Outra atitude menos freqüente, mas com gravidade maior é a programação do destino com o veículo em movimento. Esta se assemelha ao ato de teclar em um celular para uma chamada ou envio de um SMS. E quando se trata do uso de Smartphones para aplicações de navegação, esta semelhança fica mais evidente ainda. Não é o fato de o equipamento estar na mão do condutor ou preso no painel que muda significativamente os efeitos do desvio de atenção. O que deve ser proibido não é o uso de celular, mas sim a utilização de algum equipamento que tire a atenção do condutor.

A segunda causa já é alvo de estudos nos Estados Unidos e Europa: Excesso de Confiança no navegador

Telefones com GPS também oferecem riscos

Telefones com GPS também oferecem riscos

Este assunto já vem sendo estudado há mais de quatro anos. O Jornal Mirror, já em 2008, apresentava estatísticas alarmantes com relação ao navegador ser o causador de acidentes.  O referido jornal, sem citar a fonte da informação ou pesquisa, aponta para cerca de 300.000 acidentes por ano, causados pelas informações erradas transmitidas pelo navegador. Os condutores passam a confiar demais nas informações do navegador e deixam de observar a sinalização, placas de restrição e alertas colocados nas rodovias. Não é raro o navegador orientar o motorista a dobrar uma esquina em que a via mudou de mão.  Outro fato muito comum é o navegador confundir a pista em que esta o veículo e orientar o motorista a realizar uma manobra impossível tirando a atenção dele do trânsito. O comportamento de confiar e depender demasiadamente da tecnologia esta sendo herdado de outras atividades de menor risco, onde as pessoas passam a “delegar” às maquinas as decisões que eram, antes, tomadas por elas. Este tem sido um fato observado em toda a sociedade e que tende a se intensificar.

Lembrar do aniversário de um amigo ou parente, passou a ser delegados às agendas, celulares, etc. A programação do tempo de aquecimento de um alimento em um micro-ondas é um exemplo simples de confiança na tecnologia. A falha desta, nesta situação poderia, no máximo, queimar o alimento. Entretanto, quando a confiança demasiada na tecnologia esta relacionada a riscos de acidentes de trânsito, a não consideração da possibilidade de falha pode e leva a conseqüências muito graves. A freqüência destas falhas já faz com que o uso do navegador esteja sendo contestado e, até mesmo, proibido.

A terceira causa é de certa forma, herança dos Vídeos Games: Competição e Desafio
A maioria dos games criam a idéia de desafiar a máquina ou a você mesmo estabelecendo recordes e desafios de  batê-los, sejam os seus próprios ou de uma comunidade. Os navegadores com o intuído de auxiliar o condutor a estimar o tempo de chegada ao destino, baseado em cálculos de distância e velocidades médias das vias, acabam criando uma meta a ser batida, na mente de alguns condutores digamos, no mínimo, imaturos.

Tem-se observado o comportamento de competir contra a estimativa do tempo de chegada informado pelo navegador. Isto, além de induzir o condutor a imprimir uma velocidade acima da adequada, reforça a causa citada acima, de perda de atenção, fazendo com que o condutor esteja de forma mais freqüente olhando para o Navegador. A combinação do perfil psicológico deste condutor e este desejo de bater a meta de tempo de chegada, nem precisa de mais reflexões sobre a sua conseqüência. O uso de celular ao volante acabou sendo regulamentado de maneira relativamente eficaz. Porém, o celular é mais usado quando não estamos dirigindo e sua utilidade não é colocada em questão pela Lei.

O grande dilema com relação ao uso de navegadores é: Para que serve um navegador se não puder ser usado quando estamos dirigindo?

Texto de Eduardo Meirelles
Gerente de Desenvolvimento da empresa 3T Systems