Região Sul tem a segunda maior participação na XII Competição SAE BRASIL AeroDesign

Mais de 180 estudantes de engenharia do RS, PR e SC participam da disputa, de 21 a 24 de outubro

A paixão pela aeronáutica inspirou mais de 180 estudantes de engenharia do Sul a projetarem e construírem 18 aeronaves radiocontraladas para a XII Competição SAE BRASIL AeroDesign, de 21 a 24 de outubro. É a segunda maior participação, depois do Sudeste (com 53), na competição de engenharia, realizada anualmente no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos, SP. Das 18 equipes de universitários (16 em 2009), quatro são do Paraná, nove do Rio Grande do Sul e cinco de Santa Catarina.

As equipes já testam os aviões rádiocontrolados, projetados e construídos dentro de 14 instituições de ensino, para disputar a competição, que reunirá, ao todo, 96 equipes da Venezuela, México, EUA e Índia, além do Brasil.

O Rio Grande do Sul é o estado do Sul com mais projetos. Será representado pelas equipes Águia Fahor, da Faculdade Horizontina; Kamikase, da Universidade de Santa Cruz do Sul; Aerofurg e Minuano, da Universidade Federal de Rio Grande do Sul; Carancho, da Universidade Federal de Santa Maria; Aeromissões, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), campus Santo Ângelo, e Monarcas da Aviação, campus Erechim; Voa Tchê, da Universidade de Passo Fundo; e a equipe Aerosul, da Universidade de Caxias do Sul.

Na URI, a participação de alunos do campus Erechim é novidade. A equipe informa que a universidade montou oficina com toda estrutura e materiais necessários para projetarem o avião, um monoplano em madeira balsa, poliestireno expandido, fibra de carbono e alumínio, que pesa 3,8 kg e pode carregar até 8 kg de carga. “O projeto é uma oportunidade para fixarmos conhecimentos teóricos e aumentar o gosto pela aeronáutica”, afirma Ezequiel Jasper, capitão da equipe Monarcas da Aviação.

Paraná – O estado paraense será representado pelas equipes Fênix e X-Goose, da Universidade Federal do Paraná; Anhanguera, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná; e a estreante Top Gang, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. “Como é a nossa primeira vez, ficaremos felizes se ficarmos entre as 10 primeiras equipes classificadas”, diz Rodrigo da Silva, capitão da equipe Top Gang, que projetou um monoplano e madeira balsa, fibra de carbono, latão e plástico. A aeronave pesa 3,5 kg e pode transportar até 9 kg de carga.

Santa Catarina será representada pelas equipes Céu Azul Micro e Céu Azul Regular, da Universidade Federal de Santa Catarina; Faeroeste, da Universidade do Oeste de Santa Catarina; Abaquar, da Universidade da Região de Joinville; e a equipe Albatroz da Universidade do Estado de Santa Catarina, que projetou um monoplano de asa alta, pesa 3,8 kg e carrega até 8,5 kg de carga. “Desenvolvemos um simulador do perfil da asa, por isso esperamos um bom resultado”, comenta Eduardo Schmitt, capitão da equipe.

No DCTA, os projetos serão submetidos a avaliações teóricas e práticas, aplicadas por engenheiros da indústria aeronáutica. As avaliações e a classificação das equipes serão realizadas em duas etapas: Competição de Projeto e Competição de Voo, conforme o regulamento baseado em desafios reais enfrentados pela indústria aeronáutica e disponível no site www.saebrasil.org.br.

Ao final do evento, duas equipes da Classe Regular, uma Classe Aberta e uma da Classe Micro, que obtiverem melhores pontuações em suas respectivas categorias ganharão o direito de representarem o Brasil na SAE Aerodesign East Competition, em 2011, nos EUA, onde equipes brasileiras acumulam histórico expressivo de participações: cinco primeiros lugares na Classe Regular, quatro na Classe Aberta e um primeiro lugar Classe Micro. A SAE East Competition é realizada pela SAE International, que deu origem à SAE BRASIL e da qual esta é afiliada

Categorias – Do total de equipes inscritas, 73 são da Classe Regular, 16 da Classe Micro e 7 da Classe Aberta. Na Classe Regular, os aviões são monomotores, com cilindrada padronizada em 10 cc (10 cm3 ou 0,61 in3). O regulamento impõe restrições geométricas que delimitam as dimensões máximas das aeronaves, que devem ser capazes de decolar em distância máxima delimitada, de 30,5m ou 61m.

Com aviões de dimensões reduzidas, a Classe Micro não impõe restrições geométricas aos projetos nem ao número de motores, porém a equipe deve ser capaz de transportar a aeronave dentro de uma caixa de 0,125m³. Nesta categoria, as aeronaves podem usar motores elétricos e devem decolar em até 30,5m. Na Classe Aberta, não existem restrições geométricas às aeronaves ou ao número de motores instalados, desde que a soma das cilindradas dos motores não ultrapasse 14,9 cc (ou 0,91 in3). A distância máxima de decolagem não pode exceder 61m. Esta categoria é a única a permitir a presença de pós-graduandos entre os integrantes da equipe.

Organizado pela Seção Regional São José dos Campos, da SAE BRASIL, o Projeto AeroDesign é um programa de fins educacionais que tem como principal objetivo propiciar a difusão e o intercâmbio de técnicas e conhecimentos de engenharia aeronáutica entre estudantes e futuros profissionais da engenharia da mobilidade, através de aplicações práticas e da competição entre equipes, formadas por estudantes de graduação e pós-graduação (stricto sensu), de Engenharia, Física e Ciências Aeronáuticas.

De acordo com Robson Galvão, diretor de Simpósios e Programas Estudantis da SAE BRASIL, o número de equipes inscritas na Competição SAE BRASIL AeroDesign cresce a cada ano. “Além da maior participação dos estudantes, é notável a evolução dos projetos, não somente em termos de desenvolvimento do veículo, mas também nos métodos utilizados, que contam soluções sofisticadas criadas pelas próprias equipes. Este progresso também é reflexo do profissionalismo e excepcional desempenho dos participantes a cada edição”, afirma o diretor.