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Rafael Paschoalin: o grande nome do Brasil nos circuitos de rua

Texto: Maicon Ribeiro de Santana – Osasco/SP

 

Participar das mais perigosas corridas de motovelocidade do mundo e sem uma infraestrutura ideal, exige muita coragem e paixão pelo que faz. E isso Rafael Paschoalin tem de sobra. Para participar do GP de Macau contou com incentivo de seu grande amigo, Rhalf Lo Turco, que o ajudou a preparar a moto na Inglaterra e seguir para a competição.

Paschoalin entre outros pilotos das corridas de rua: coragem, determinação e prudência

Paschoalin entre outros pilotos das corridas de rua: coragem, determinação e prudência

Não é fácil treinar fora de seu país e ainda transportar todo o equipamento para o outro lado do planeta. Chegando na China, hora de conhecer o circuito e se preparar para uma competição onde qualquer erro pode ser fatal. A morte de pilotos nestas competições é frequente e infelizmente este ano não foi diferente. O português Luis Carreira sofreu um acidente durante as sessões de treino na curva dos pescadores, o trecho mais veloz do circuito, a moto pegou fogo e Luis não resistiu aos ferimentos.

Afinidade com o piloto português que morreu nos treinos em Macau abalou o piloto brasileiro

Afinidade com o piloto português que morreu nos treinos em Macau abalou o piloto brasileiro

Paschoalin ficou muito abalado pois criou uma afinidade com o português pela facilidade do idioma e aproveitou para trocar experiências, já que Carreira, aos 35 anos, competia pela sétima vez em Macau. “Como estou fazendo a prova pela primeira vez eu não dava sossego a ele. Ficava perguntando qual a dificuldade, onde era preciso frear e acelerar. Tudo para atrair o máximo de informação”, disse o brasileiro em reportagem ao portal uol.

Mas a vida continua. Alinhado no grid na 19ª posição, Rafael largou bem e já estava em 15º ao final da primeira volta, quando abandonou a corrida. “Vergonha! Travei meu braço na segunda volta, não consegui completar a prova”, disse o piloto. Certamente o acidente com o português o abalou e, em uma prova de alto risco, é preciso estar focado totalmente na pista. Por isso ele não seguiu na corrida.

Por outro lado mostra maturidade em não se arriscar, pois muitas provas virão e estar em Macau já é uma grande conquista. Apenas pilotos convidados integram os 32 do grid e este ano o número de inscritos passou de 60. O próximo passo é disputar o temido Tourist Trophy (TT), na Ilha de Man, o circuito de rua mais famoso do mundo da motovelocidade.

Rafael estava entre os inscritos para a prova deste ano, mas com o grande número de pilotos, alguns novatos foram cortados. O brasileiro decidiu então competir na North West 300 (Irlanda), que têm características parecidas com a prova da ilha de Man. Paschoalin marcou seu nome na história ao ser o primeiro brasileiro a completar a prova, largando em 46º e terminando em 26º. Ótimo resultado para quem teve pouco tempo para planejar a viagem e preparar a moto, já que a confirmação da participação aconteceu apenas 15 dias antes do início da competição. E o perigo das provas de rua se mostrou novamente e infelizmente, presenciou a morte de outro companheiro, o escocês Mark Buckley, 35 anos, faleceu após sofrer acidente.

Virei fã do Rafael quando soube que ele iria participar do TT da ilha de Man e desde então acompanho sua carreira. Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em Interlagos, quando visitei os boxes de sua equipe, na 5ª etapa do Pirelli SuperBike. E não me decepcionei. Após largar mal, ele fez belas ultrapassagens e terminou em terceiro lugar.

Com esta dedicação e principalmente amor ao motociclismo os resultados logo virão e seu nome já está registrado na história do motociclismo nacional. O importante é ganhar experiência e seguir o coração. Afinal, muitas corridas serão disputadas e não se pode arriscar. Um pequeno erro pode custar a vida. Estaremos na torcida. Até o Tourist Trophy em 2013!