Sistema de câmbio de 4 marchas da década de 50, com acionamento por alavanca de câmbio no tubo inferior do quadro e 2 cabos

Troca de marchas em bicicletas

sistema de câmbio de 4 marchas da década de 50, com acionamento por alavanca de câmbio no tubo inferior do quadro e 2 cabos

sistema de câmbio de 4 marchas da década de 50, com acionamento por alavanca de câmbio no tubo inferior do quadro e 2 cabos

Uma das razões para o ressurgimento da bicicleta e o surgimento do mountain bike na década de 80, foi a criação de um sistema de troca de marchas de alta precisão e confiabilidade, o SIS da Shimano em 1984. Com este sistema mesmo os ciclistas menos habilitados conseguem usar o câmbio traseiro sem medo. Quem chegou a pedalar uma boa bicicleta com um sistema de câmbio Shimano GS (fim dos anos 80) sabe do imenso prazer do engate sequencial, preciso, silencioso e seguro. Antes, só com muita prática e atenção era possível trocar as marchas na sequência correta e manter a boa cadência do pedalar. Para quem vivenciou a época sabe o tamanho do salto de qualidade.

Fiz uma trilha outro dia com duas bicicletas, uma mountain bike aro 26 de 21 marchas que estava com problema no sistema de câmbio e não trocava precisamente as marchas, e outra com rodas 29 e um câmbio topo de linha de 20 marchas, 2 coroas na frente e 10 atrás, que funcionava precisamente. A diferença entre as duas obviamente é imensa, não só no esforço, mas no prazer e principalmente na segurança oferecida pela troca de marchas precisa. Um câmbio que não funciona bem é perigoso em qualquer ocasião, seja numa trilha, na cidade, ou na estrada.

A quantidade de pessoas que sofrem acidentes por causa de falha no sistema de marchas é muito grande. A transmissão da energia do ciclista para o chão tem que ser a melhor possível sempre, com ou sem marchas. Qualquer falha influencia diretamente no equilíbrio. Especialistas calculam que pelo menos 35% dos acidentes fatais com ciclistas são causados por falha mecânica da bicicleta, e que falha no sistema de transmissão é uma das principais causas. Morre muita gente porque a corrente escapou ou por que estava em marcha errada.  Falta de manutenção adequada, componentes gastos, e até mesmo comprar gato por lebre. Explico.

É um sistema de câmbio, portanto é um conjunto de peças e componentes que trabalham integradas dentro de um quadro de bicicleta com padrões específicos para fazer com que sistema realize a troca de marchas corretamente. Infelizmente a maioria pensa que basta o câmbio traseiro ser de boa qualidade para funcionar bem. O mercado está lotado de bicicletas lindas e com o câmbio traseiro de boa marca, mas de péssima qualidade. Como escapar da arapuca? Simples: faça um pequeno teste antes de decidir. E depois? Também simples: ao primeiro sinal de mal funcionamento da troca de marcha mande a bicicleta para a manutenção. Se o sistema for de boa qualidade provavelmente uma boa limpeza resolverá tudo. E uma dica muito importante: troque a corrente antes do fim da vida útil dela. Assim você preserva as coroas, que é o mais caro.

Arturo Alcorta – Escola de Bicicleta