As motos mais antigas não tinham marcador de combustível

Uma pequena volta no tempo

Como viajar com os postos de combustível fechados?

Como viajar com os postos de combustível fechados?

Para a garotada que está de carteira de motociclista recém tirada, digo a vocês que há muito tempo atrás, em nosso país, por lei, os postos fechavam no final de semana. Foi no auge da crise do petróleo e a medida visava reduzir o consumo de combustíveis derivados de petróleo, gasolina e óleo diesel. Se não me engano os postos fechavam na sexta-feira às 20 h e só podiam abrir na segunda-feira às 6 h.

Com o tanque pequeno das motos, como fazer uma viagem mais longa? Às vezes a gasolina do tanque não dava nem para a ida. Para a volta então, nem pensar. Imagine o que bebia uma Yamaha RD 350 em 1976. Dependendo da tocada ela fazia até 10 km/l.

Ficar sem andar de moto ou viajar, nem pensar

Ficar sem andar de moto ou viajar, nem pensar

Nessa hora é que valiam os amigos de outras cidades. Ligávamos e pedíamos para eles armazenarem gasolina em galões e dessa forma podíamos abastecer em pontos estratégicos do trajeto.

Era muito legal porque todos os motoqueiros se ajudavam. É isso mesmo, naquele tempo não existiam motociclistas, só motoqueiros. Tudo gente boa que usava o “uniforme” padrão: calça jeans, coturno igual ao do exército e jaqueta de couro preta com zíper transversal. As motos custavam muito, mas muito caro, tanto para comprar quanto para manter.

Num dia a gente precisava dos amigos e no outro os amigos precisavam da gente. Isso fortalecia as relações de amizade, num tempo em que sempre cumprimentávamos com a mão quando encontrávamos outro companheiro de estrada.

Foi a forma que encontramos para poder viajar. Ficar sem estrada não dava, de jeito nenhum.

Em tempo: As motos grandes da época eram a Yamaha RD 350, Honda CB 400 Four, Honda CB 500 four, a Sete-Galo (Honda 750 Four), as Suzuki GT 380, GT 550 e GT 750. Mas só os milionários tinham grana pra comprar essas maravilhas. Nós, os comuns, ficávamos só babando. Naquela época a Yamaha ainda debutava nos motores 4T, mas a RD 350 ficou conhecida por “viúva negra” – andava muito e parava pouco – era um sucesso e a participação da Yamaha no mercado era mais expressiva do que é hoje, pois as motos com motores 2T vendiam muito.

Por ser mais barata, a Yamaha RD 350 era a mais abundante na época

Por ser mais barata, a Yamaha RD 350 era a mais abundante na época

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Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.