De quadriciclo pela Bolívia

De quadriciclo pela Bolívia

 

O jornalista Fábio Arantes conta como foi a expedição pela Amazônia boliviana.

O jornalista Fábio Arantes conta como foi a expedição pela Amazônia boliviana.

O surgimento da trupe – Tudo começou há alguns anos quando Juan Carlos Salvatierra (48), proprietário da Visal distribuidora oficial Honda para a Bolívia, resolveu juntamente com outros oito amigos realizar um passeio off-road um pouco mais longo do que os habituais nos finais de semana.

Nessa empreitada, foram mais ou menos sete dias percorrendo regiões novas em busca de diferentes experiências de aventura. Como tudo deu certo, e a propaganda boca-a-boca funcionou extremamente bem, no ano seguinte já havia cerca de 30 pessoas interessadas em participar da tal Caravana.

Ano após ano, a divulgação foi aumentando, o interesse promocional foi crescendo e hoje, o evento conta com diversos patrocinadores, colaboradores, apoiadores e é claro, centenas de pessoas contando os dias nos dedos para iniciar a emocionante aventura de viajar mais de 1 500km desbravando novos caminhos e tendo um contato singular e direto com a natureza em sua forma mais pura e selvagem. Acompanhe toda a emoção desta aventura, e se tiver coragem, junte-se a ela em 2005!

De Santa Cruz de La Sierra para la sielva – A Caravana partiu de Santa Cruz com destino a San Ignácio de Velasco, cerca de 500 km em direção leste, para a partir daí, iniciar a aventura a bordo dos quadricícolos e motos que já haviam sido previamente deslocadas para San Ignácio. Durante este trajeto, os participantes foram passando por cidades da famosa rota das Missiones Jesuíticas feitas há centenas de anos pelos colonizadores espanhóis.

Em uma parada para almoço em Concepción, muita festa de boas vindas com comida típica e visitação a museus e igrejas que mostram de forma esplêndida a forte influência espanhola na arquitetura das construções dessas cidades. São formas e desenhos simplesmente fantásticos que facinam a todos que por ali passam.

Mais tarde, já em San Ignácio, todos receberam suas máquinas e assistiram a apresentações de dança e música barroca que mantém vivas as tradições e a cultura de geração a geração.

Aventura a vista! – O primeiro dia da Caravana, percorreu 250 km entre San Ignácio e o povoado de Florida, uma pequena comunidade praticamente isolada da civilização mais moderna.

Em Florida todos os participantes armaram acampamento e a incrível logística montada pela organização começou a mostrar sua face. Os cozinheiros já haviam chegado previamente com todo seu equipamento de “cozinha itinerante” e o primeiro jantar coletivo foi suficiente para mostrar o que mais veríamos durante toda a viagem: confraternização e alegria! Por todo o acampamento havia rodas de fogueira com violão, música e muitas risadas. O clima de alegria era simplesmente contagiante.

Ao nascer do sol, cerca de seis horas da manhã, pouco a pouco todos foram levantando acampamento para partir rumo a Piso Firme. Foram mais 200 km de pequenas estradas e trilhas cercadas de floresta densa por todos os lados. Chegando em Piso Firme, mais uma, ou melhor, duas boas surpresas: os cozinheiros novamente já tinham tudo pronto, e o pequeno povoado estava situado literalmente às margens do exuberante Rio Paraguá que serve como base àquela pequena população. Mais uma vez, todos se encontravam face-a-face com a natureza em todo seu esplendor.

E a Caravana foi seguindo. No terceiro dia foram mais 250 km de trilhas rumo ao centro da Floresta Tropical! Uma vista aérea da região de Piranha, o terceiro ponto de acampamento, demonstrou claramente onde todos estavam: no meio do nada! Longe de cidades, longe de pessoas, longe de tudo! Mas junto, muito junto, praticamente fundido com a maravilhosa vida selvagem! Jacarés, onças, tigres e centenas de tipos de aves, esses sim eram os habitantes desta região fascinante.

De Piranha em diante, os caminhos passaram a ter muitos trechos de atoleiro e rios profundos para cruzar, o que obrigou os participantes de moto, a acomodar suas máquinas e bagagens, bem como eles mesmos, em pequenas embarcações conhecidas como peque-peque – pelo ruído de seus pequenos motores -, para uma viagem de 24 horas, praticamente sem paradas, rumo ao pequeno povoado de Bella Vista.

Já os quadriciclos, seguiram adiante para enfrentar os dois dias mais difíceis que teriam durante toda a Caravana.

Neste trecho, com um pernoite em La Porfia, foi possível presenciar o verdadeiro espírito de soliedariedade e companheirismo dos participantes. Rios profundos exigiram o uso de câmaras de ar infladas e ainda várias pessoas ajudando para alçar a margem oposta. Uma técnica desenvolvida pelos próprios participantes de Caravanas passadas que funcionou muito bem. E esse trecho foi tão difícil, que algumas pessoas sequer alcançaram o ponto de descanso em La Porfia e acabaram armando acampamento no meio do trajeto!

No dia seguinte, após 130km de deslocamento, todos foram contemplados ao chegar no pequeno e interessante povoado de Bella Vista. Uma pequena sociedade, já pertencente ao estado do Beni que mantém vivo um estilo bastante rústico de vida. A energia elétrica só é fornecida das 19 às 23 horas. Quem precisa de luz fora deste horário, só consegue através de geradores próprios, que não são muitos, diga-se de passagem. O principal meio de comunicação desta região é o bom e velho rádio transmissor, que funciona como um serviço aberto para todos. Quando uma pessoa está sendo chamada pelo rádio, o operador anuncia seu nome por pequenos alto-falantes espalhados pelas ruas. Não poderia ser mais primitivo, mas ao mesmotempo, prova que na verdade não precisamos mesmo de muito para viver bem, ali estava a comprovação disso. Ah! E este sistema, é claro, funciona com auxílio de baterias automotivas.

Neste ponto da Caravana, outro aspecto interessante da logística envolvida ficou evidente. Novas equipes de apoio terrestre se uniram ao contingente, pois as que acompanharam até Piranha não podiam mais avançar em direção de La Porfia e Bella Vista. Com isso, a organização foi obrigada a destacar uma nova equipe vinda de Santa Cruz para se juntar ao grupo em Bella Vista. Mais uma vez, um show de planejamento. Após um dia de merecido descanso em Bella Vista – com direito a pescaria, banho de rio, e muita cerveja -, a caravana seguiu rumo a pequena cidade de San Ramón para mais um pernoite depois de um deslocamento de 147km.

Desta vez, pequenos hotéis acolheram os participantes dando um conforto excelente se comparado aos dias anteriores. Em San Ramon, muita festa, jantar coletivo e música ao vivo fizeram a alegria de todos!

Finalmente o último dia da Caravana chegou, para alegria de uns e tristeza de outros, pois acredite se quiser havia gente dizendo que agüentaria tudo de novo numa boa! Neste trecho final, os participantes rodaram mais 271 km de estradas de terra com muita poeira e calor de 38 graus! Em Trinidad, a maior cidade da região do Estado do Beni, mais uma vez muita comemoração e confraternização entre todos que se esforçaram por um mesmo ideal: aventura e diversão.

Como participar – A Caravana Eco-turística tem como principal objetivo, incentivar o turismo, mostrar ao mundo as belezas da natureza boliviana e também aquecer a economia das regiões visitadas. O passeio se realiza uma vez por ano, entre os meses de Julho e Agosto e tem como base central a cidade de Santa Cruz, que conta com bons hotéis e aeroporto internacional. Qualquer pessoa interessada pode participar mediante prévia inscrição que pode variar de preço em função do tipo de pacote escolhido. O pacote completo, que inclui aluguel do quadriciclo, refeições, hospedagens, apoio terrestre, resgate e socorro médico aéreo, manutenção completa e translado custa US$ 2.900.

Caso você tenha ficado interessado em participar dessa aventura, procure mais informações no site www.caravan-atv.com ou pelo email mail@caravan-atv.com . Arriba muchacho!

* O fotógrafo e repórter Fábio Arantes viajou a convite dos organizadores da Caravana pela Aero Sur linhas aéreas da Bolívia e agradece a: Juan Carlos Salvatierra, Carlos Gonzáles, David Wilmot, Robert Chiqui Velardes e todos os que de alguma forma apoiaram e ajudaram para a realização desta matéria.

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