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Marcas da paixão

Quem participa de grandes eventos de motociclismo certamente já presenciou uma disputa ou duelo de cicatrizes entre dois ou mais motociclistas ou motoqueiros (como preferirem), ostentadas orgulhosamente por seus donos.

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As garotas cada vez mais optam pela moto como meio de transporte e lazer (Ilustração de Ricardo Sá)

O primeiro mostra o rescaldo de um grande ralado no joelho e conta em mínimos detalhes como aquele “troféu” foi obtido; imediatamente o outro mostra as marcas de muitos pontos no braço e também explica detalhadamente como foi a entrada na curva de onde o cachorro apareceu e ele, heroicamente, para não atropelar o indefeso bichinho, fez a moto deslizar no asfalto. E a conversa continua assim. Se tiverem 10 integrantes na rodinha, serão 10 histórias a serem contadas, sempre com ênfase no “prazer” de carregar marcas eternas dessa nossa paixão avassaladora pelas motos. Os homens aceitam com naturalidade as marcas decorrentes dos incidentes motociclísticos.

As Garotas

Cabelos soltos, ausência de proteção nos braços e mãos e usando calçado de plástico (Foto de Mário S. Figueredo)

Cabelos soltos, ausência de proteção nos braços e mãos e usando calçado de plástico (Foto de Mário S. Figueredo)

Entretanto, com as mulheres a coisa não é tão simples assim, afinal as motociclistas ou motoqueiras, por motivos óbvios, não convivem muito bem com cicatrizes, principalmente quando elas estão localizadas em locais aparentes quando usam roupas curtas ou biquinis, maculando irremediavelmente a sua beleza feminina.

Mas o que vejo no trânsito me deixa apreensivo pois o número de garotas pilotando ou na garupa com roupas inadequadas ou mesmo sem as roupas adequadas é infinitamente superior aos do sexo oposto. São calças leg de nylon ou poliester, blusas e jaquetas de plástico, saias ou vestidos, calçados também de plástico ou borracha, e pior ainda, de salto alto, ausência de luvas e cabelos soltos ao vento.

Pensando nisso e baseado na experiência de quem vive há 40 anos nesse maravilhoso mundo de duas rodas, faço abaixo algumas recomendações voltadas especialmente às motociclistas, que se não evitarem totalmente o aparecimento de cicatrizes, pelo menos diminuirão as consequências e o tamanho desses indesejáveis “troféus” decorrentes de situações a que todos estamos sujeitos quando compartilhamos o tresloucado trânsito das nossas grandes cidades. Sei que se conselho fosse bom não seria dado e sim vendido. Portanto vale o livre arbítrio – você usa o que quiser para andar de moto – , mas se acontecer algum incidente, lembre que as possíveis consequências já eram conhecidas.

1 – Talvez esse seja o mais importante dos conselhos que posso dar: quando for andar de moto, VISTA-SE PARA CAIR e não para passear; o acidente é imprevisível e temos que estar preparados para ele;

2 – Independente do calor, jamais, repito, jamais ande de moto, quer seja pilotando ou na garupa, com shorts, vestidos e camisetas. Adote roupas que cubram totalmente pernas e braços; se não for possível usar roupas específicas para o motociclismo, use no mínimo uma grossa calça de jeans e uma jaqueta, também grossa, de algodão ou outro tecido natural;

3 – Nunca use calças ou jaquetas de tecido sintético; ao deslizar no asfalto, o atrito eleva a temperatura do ponto de contato a níveis muito altos, provocando queimaduras graves na pele e o derretimento das roupas sintéticas – com o derretimento as roupas sintéticas irão se fundir à pele, tornando a recuperação da lesão muito mais demorada e provocando o aparecimento de cicatrizes permanentes.

Cabelos longos requerem cuidado especial

Cabelos longos requerem cuidado especial

Ralados normais o organismo recupera totalmente com poucas ou nenhuma marca posterior, mas se houver a mistura de algum outro produto não natural com a pele, as marcas serão grandes e inevitáveis, e somente serão removidas através de caras e dolorosas cirurgias plásticas;

4 – Cuidado especial com os cabelos: para maior segurança, prenda-os ou os acondicione dentro do capacete. Soltos eles podem se prender em algum objeto fixo e com o corpo em movimento as lesões na região do couro cabeludo e do pescoço terão consequências muito graves, representando grande risco de morte;

Siga essas recomendações e continuará bonita mesmo depois de algum incidente.

Procurando, acha-se equipamentos de proteção a preços atrativos

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Outras recomendações de segurança

para ambos os sexos

5 – Os pés são partes muito sensíveis em uma queda, portanto o uso de calçados adequados é indispensável – sandálias ou chinelos jamais devem ser usados quando se anda de moto, quer seja pilotando ou na garupa. Se não for possível usar uma bota específica para motociclistas, em último caso, opte por no mínimo um tênis resistente, de couro ou jeans, nunca de borracha ou plástico. Numa queda, se o tênis não estiver muito bem amarrado, será arrancado do pé no primeiro contato com o chão;

6 – Quanto às mãos, estas geralmente são as partes que tocam primeiro o chão e para complicar, são as partes do corpo humano que contém os ossos mais frágeis. Fraturas de mão são de recuperação difícil e demorada e causam grandes transtornos por causa da nossa grande dependência delas para quase todas as coisas que fazemos no dia-a-dia. Portanto, luvas são indispensáveis;

7 – Falar da cabeça é quase redundância; use sempre capacete adequado ao tamanho da sua cabeça e que possa ser afivelado corretamente – após colocar e afivelar o capacete, veja se a cinta passa pelo queixo; se isso acontecer, aperte a cinta até que isso deixe de ocorrer; se não ficar firmemente preso, não use o capacete pois ele vai te dar a falsa sensação de segurança, mas na hora “H” vai sair da sua cabeça e as consequências serão imprevisíveis, mesmo se tratando de um incidente a baixa velocidade.

Cair é inerente ao motociclismo, portanto, pilote sempre equipado.

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Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.