Sobre as coisas que entendo e não entendo

Tem coisas que realmente nÆo entendo: eu nÆo entendo, por exemplo, porque os brasileiros adoram usar meias brancas com sapato baixo. Tamb‚m nÆo entendo porque as mulheres brigam tanto com a gente, mas s¢ falam e pensam em casamento. E nÆo entendo quem elegeu um presidente da Cƒmara do Senado cuja principal plataforma pol¡tica ‚ aumentar em 100% o pr¢prio sal rio.

Estudei muito nesta minha vida: mecƒnica, eletr“nica, letras, filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, f¡sica, matem tica, (qu¡mica eu admito que nÆo estudei, mas estava nas aulas), dinƒmica, cinem tica, fotografia, m£sica, aurivesaria e tanta coisa que at‚ esqueci. Fiz e criei cursos de pilotagem de moto. Mas tem coisas que nÆo consigo entender por mais que insistam em me explicar. Esta tal taxa de juros: algu‚m pode explicar isso direito? Por favor, usem a lousa, diagramas, historinhas, qualquer m‚todo, mas me expliquem o que ‚ a taxa de juros e o que ela influencia na minha vida.

E nÆo entendo porque desde os prim¢rdios da civiliza‡Æo humana as mÆes vivem nos atormantando para arrumar o quarto. Qual o problema de uma meia ficar entrolhada na gaveta uma semana? Vai provocar um tsunami na Indon‚sia? Eu quero que algu‚m me explique porque eu pago tanto imposto nas coisas que compro e a cada sem foro de SÆo Paulo tem crian‡as pedindo esmolas.

Eu nÆo entendo porque meu irmÆo e minha irmÆ fazem plantÆo em hospitais municipais da periferia de SÆo Paulo, em troca de um soldo miser vel se eles j  acumularam grana suficiente para passar o resto da vida balan‡ando na rede em alguma praia da Polin‚sia francesa. Mas a cada semana eles estÆo l , atendendo baleados, costurando motoristas bˆbados, consolando doentes terminais.

Mas eu entendo de uma coisa: de moto! Meus leitores, vocˆs nÆo imaginam o quanto eu conhe‡o moto. Ainda nÆo sei tudo, mas fui apresentado a elas aos 12 anos de idade e a partir dos 19 passei a estud -las, destrinch -las e a escrever sobre elas para que vocˆs, leitores, pudessem conhecer tamb‚m. J  fiz curso na Honda, j  entrevistei e convivi com engenheiros de desenvolvimento de motor, cƒmbio, pneus, etc.

E agora nÆo entendo de onde sa¡ram tantos especialistas em moto para criticar a avalia‡Æo da Honda XR 250 Tornado. E nÆo entendo porque os engenheiros da Honda nÆo me esfolaram vivo. O site Motonline tem total isen‡Æo para criticar e elogiar produtos. E nÆo entendo porque todo mundo ficou com raiva quando eu meti a boca na Twister, uma moto que acho ruim, mal desenhada, mal projetada e que herdou o motor de um modelo off-road. Sim, porque primeiro nasceu a XR 250, depois veio a CBX 250. Acho que os leitores estÆo mal acostumados porque a imprensa especializado brasileira nÆo acha nenhuma moto ruim. Todas sÆo boas. S¢ que eu acho a Twister ruim, inst vel, desconfort vel e fraca de desempenho por causa de uma rela‡Æo de transmissÆo muito longa.