motonline-BMW-S1000-xr-galeria-2016-13

Teste BMW S 1000 XR

BMW S 1000 XR

– Essa é a irmã mais nova da mitológica S 1000 RR vestida com um look casual. Antes, uma naked já foi feita a partir dela, que foi batizada com o mesmo nome, sem um dos erres, A S 1000 R mas dessa vez, as duas letras que associam uma “Racer Replica” foram substituídas pela sigla XR. A letra X fica fácil identificar que corresponde ao aspecto transcendente, de uma forma de pilotar, ou de um tipo de terreno para outro, dando a impressão que ela pode transitar até na terra. Calma, nem tanto. A BMW S 1000 XR tem características de big trail sim, mas não passa da posição do piloto e no lay-out geral da moto. Na realidade ela é uma moto de competição com roupa de big trail. Mais ou menos na linha da Yamaha Tracer, Kawasaki Versys 1000 e Suzuki DL 1000. Na contra mão de toda linha GS da BMW que tem no aspecto off-road um peso bem maior.

Da réplica de competição ela trouxe o motor, com as adaptações feitas também para a S 1000 R. Um quatro cilindros com 999cm³, duplo comando no cabeçote e câmbio de seis marchas. Veio toda eletrônica que lhe permite configurar toda motocicleta, com alguns aperfeiçoamentos que serve desde um iniciante andando na chuva até para um piloto profissional andando em pista fechada.

Inclusive já fizemos o test ride com ela em pista fechada, que deu uma amostra das qualidades da moto em condições ideais. Todas as especificações dela estão também nessa página e abaixo, a ficha técnica completa.

No uso normal é que as condições de uso, tanto do Shift Assistant Pro, quanto dos modos de condução, com todas as suas variações puderam ser experimentados. Condições da faixa de rodagem, de trânsito, medição de consumo, todo resto nos foi possível verificar.

Modos de pilotagem

A BMW S1000 XR tem o ASC como recurso standard.  O ASC é voltado para a estabilidade de pilotagem.  O Sistema intervém prematuramente no modo Rain.  No modo Road, o set-up é otimizado para asfalto seco. No modo “PRO” o ASC evolui para DTC.
DTC é projetado para segurança e performance, sob potência máxima as intervenções do DTC são muito mais sutis que o ASC. No caso do DTC ele incorpora um sensor que mede a inclinação da moto ao realizar uma curva.
Rain  – asfalto molhado; intervenção é prematura e suave. O motor, apesar de bem amansado, continua nervoso, fazendo a embreagem mudar um pouco o ajuste no uso intenso, na cidade, com muito calor. O ronco gutural é uma música para os ouvidos, mesmo não sendo muito alto. Em tráfego normal o uso do setup em modo Road é bem conveniente, deixa a moto mais fácil de tocar.
Road – asfalto seco; intervenção é prematura e suprime a tendência de empinar.
Dynamic – asfalto seco e aderente, DTC ajustado para aceleração e dianteira pode levantar um pouco.
Dynamic Pro – máxima aceleração, cabe ao piloto controlar a empinada. O Dynamic Pro é ativado somente com plug inserido. Se o ABS ou DTC é desativado pelo piloto, a seleção permanecerá salva ao desligar/ligar a ignição.

A BMW S 1000 XR é a primeira BMW a oferecer o ABS Pro de série.  A função está ativa em todos os modos. Um sensor reconhece a condição de pilotagem  a qualquer momento e atua no sentido de reduzir ao mínimo a tendência da moto de “endireitar”quando há frenagem em curva.  O controle da moto nas frenagens em curva é bem satisfatório.

Nas estradas ou viagens o modo Dynamic é bem mais apropriado, você pode dispor de mais motor quando precisa e os controles, para sua segurança atuam em todo seu potencial. O ASC (Automatic Stability Control) faz a vez do piloto experiente, que não avança sobre os limites de inclinação, coincidentes com ações de frenagem e aceleração, normalmente é nessas condições que o erro acontece e com o ASC a moto fica muito mais segura.

Shift Assistant Pro

Mas o que mais impressiona na facilidade de conduzir e também o que se faz mais notar é nas mudanças de marchas. O Shift Assistant Pro é a função que facilita e otimiza as trocas de marchas. Você só tem que acionar a alavanca, seja para subir de marcha ou para reduzir. Nesse caso, até aquela pequena aceleração, para condicionar a rotação do motor à nova marcha, mais reduzida é feita pelo acelerador eletrônico. Você não precisa se preocupar com a rotação do motor enquanto reduz de marcha e a embreagem deslizante cuida para que a roda não trave. Você se concentra em apontar a moto onde quer que ela vá, nas outras ações de frenagem ou de aceleração, nas referências percebidas nas curvas e por que não na apreciação da paisagem. O motociclismo tem tudo a ver com turismo e a BMW S 1000 XR é uma moto perfeita para somar esportividade com lazer e turismo.

Dynamic ESA

Como se não bastasse tanta eletrônica ajudando a pilotagem essa vem somar mais ainda ao conforto e segurança. Lendo a sua tocada e identificando os impactos em tempo real, o sistema identifica a velocidade da moto, velocidade do impacto sobre o amortecedor e ajusta as suas válvulas de acordo, para absorver com melhor eficácia esse impacto.
Andando na moto, se você abordar as imperfeições do caminho com agressividade as reações também serão agressivas. As ações da suspensão serão coerentes para manter a estabilidade, a suspensão se torna dura para controlar grandes impactos. Mas se você se concentrar no conforto, ao abordar as imperfeições com calma e delicadeza o conforto pode ser aumentado, e assim o rodar fica macio e confortável. As válvulas trabalham mais abertas para que o conforto transpareça, não dá para ser melhor do que isso: um técnico ajustando a suspensão enquanto você anda na moto. E ainda para ajustar automaticamente a pré-carga das molas, sag e o ponto inicial do Dynamic ESA, quanto às aberturas das válvulas dos amortecedores você seleciona no painel a condição de carga na moto: apenas o piloto (um capacete), piloto e garupa (dois capacetes), e carga total (mala). Todo sistema vai responder de acordo cm a situação de carga que você optou. Acaba que você pode até esquecer que está com a moto carregada, porque a pilotagem se altera muito pouco, quando você muda a condição e faz a seleção correta.

Ajustes

Ajustes

Os vários ajustes do menu no painel

Modos de pilotagem

Modos de pilotagem

Curvas de potência dos modos de pilotagem

Suspensão

Suspensão

Sistema automático de ajuste da suspensão

Equipamentos 2

Equipamentos 2

Equipamentos de série

Equipamentos 1

Equipamentos 1

Equipamentos de série

Chassi

Chassi

Modificado na distância entre eixos, rake e trail

Tudo junto

A moto camaleão, se transforma naquilo que o ambiente impõe. Mais esportividade ou mais conforto em uma longa viagem, você escolhe. O consumo no teste variou muito pouco, de 16,9 a 16,6 km/litro na maior parte do tempo no modo Dynamic Pro. Mas na verdade, pode-se até começar devagar e terminar rápido, sem alterar em nada o setup da moto. O “X” no nome dela faz todo sentido, não na ideia de que seja uma “cross”,  mas na concepção de que ela tem uma grande capacidade de se adaptar às condições de uso, do piloto, do ambiente onde trafega e mais do que isso tudo, o visual que identifica a marca BMW com esse espírito aventureiro que soma performance, em todos os sentidos. Não se aceitam limitações por conta de ter que passar de um aspecto a outro. Da esportividade para a aventura e de uma dessas para o turismo e de volta, para sempre ir a fundo na experiência do motociclista.

Ficha técnica

MOTOR

Tipo Quatro tempos arrefecido a líquido, quatro cilindros com quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote com lubrificação de cárter úmido
Diâmetro x curso 80 mm x 49.7 mm
Capacidade 999 cc
Potência máxima 160 hp em 11,000 rpm
Torque máximo 112 Nm a 9.250 rpm
Razão de compressão 12.0 : 1
Controle da mistura – Administração do motor Injeção eletrônica com acelerador eletrônico e sensor de detonação
Controle de emissões Conversor catalítico de três vias com tubo de interferência, norma EU-3

SISTEMA ELÉTRICO

Alternador Gerador trifásico de 486W
Bateria 12 V / 8 Ah, sem menutenção

TRANSMISSÃO

Embreagem Discos múltiplos em banho de óleo, operada mecanicamente, embreagem deslizante
Câmbio Seis velocidades engrenadas constantemente com dentes retos
Transmissão final Corrente – relação 2.647:1

CHASSI – FREIOS

Tipo Chassi Dupla viga periférica em alumínio com motor fazendo parte da estrutura
Roda dianteira – Suspensão Garfo telescópico invertido Ø 46 mm, com ajustes na compressão e retorno
Roda traseira – Suspensão Balança de dois braços em alumínio, com retorno ajustável
Curso da suspensão (d / t) 150 mm / 150 mm
Distância entre eixos 1.548 mm
Trail 117 mm
Rake 25,5°
Rodas Em alumínio fundido
Medida da roda dianteira 3.50 x 17″
Medida da roda traseira 6.00 x 17″
Pneu dianteiro 120/70 ZR 17
Pneu traseiro 190/55 ZR 17
Freio dianteiro Discos duplos flutuantes de 320mm com pinças de 4 pistões afixadas radialmente
Freio traseiro Disco simples com diâmetro de 265 mm e pinça flutuante de pistões duplos
ABS BMW Motorrad Race ABS (pode ser desligado)

DIMENSÕES E PESO

Comprimento 2.183 mm
Largura (com espelhos) 940 mm
Altura (sem espelhos) 1.408 mm
Altura do banco sem peso 840 mm Standard, varia entere 790 mm e 855 mm
Peso líquido com todos os flúidos 228 kg
Carga útil total 206 kg
Volume do tanque de combustível 20 litros (4 reserva)


Pioneiro no Motocross e no off-road com motos no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas.