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Teste Triumph Thruxton – Cafe racer de fábrica

Que tal uma café racer pronta de fábrica. Assim se define essa Triumph, que incorpora toda tradição dessa marca, com os motores de dois cilindros em linha que fizeram história no século passado. As café racer foram denominadas assim por causa das corridas que se iniciaram no Ace Cafe, em Londres, no fim dos anos 50 e 60. Os donos começaram a modificar as motos originais de fábrica para fazerem curtas corridas, no meio da noite entre uma bebida (café?) e outra.

Cafe racer de fábrica

Essa moda foi se espalhando pelo mundo e acabou por virar um estilo de moto. Eles pegavam uma moto standard e colocavam guidão baixo, um banco mais leve, pedaleiras mais para trás, modificavam o motor para mais potência, de forma que além das corridas no meio da noite, também acabou por acontecer a competição entre os preparadores, cada um tentando fazer a moto mais admirada pela turma.

Triumph Thruxton é a única representante dessa classe no Brasil

Triumph Thruxton é a única representante dessa classe no Brasil – Uma autêntica Café Racer

A Triumph Thruxton tem todas as qualidades de uma moto dessas, com a vantagem de ser “preparada” na fábrica. O motor da Bonneville T100 equipa essa moto, com toda tecnologia atual, sem deixar de lado a tradição. Dois cilindros em linha, escapamentos cromados, de soldas circulares saindo pelos dois lados da roda, o banco rabeta, a pequena carenagem circundando o farol e o guidão mais baixo.

Para 2016, a Triumph já colocou à venda na Europa uma linha nova e completa para os modelos clássicos, fazendo a família crescer, de dois modelos para cinco.  Elas devem chegar ao Brasil ainda em 2016. Enquanto isso, essa é a única representante da categoria “café racer” no Brasil.

Uma moto clássica é para poucos. Os aficionados e conhecedores do estilo são aqueles que se identificam com a imagem de uma moto que marcou uma época. Aqueles que viram no Brasil, a chegada das motos japonesas, de grande cilindrada. Um tempo em que as europeias como as Triumph perdiam mercado e por aqui vinham pouquíssimas.
Esses motociclistas, são os que fazem o grupo de formadores de opinião. Mas o público em geral já está informado do que é uma Café Racer dos anos 60-70. A moda agora é cada um fazer a sua, e a opção de fábrica, ou o melhor ponto de partida para uma autêntica café racer europeia customizada é essa, a Triumph Thruxton.

Uma clássica com qualidades atuais, a Thruxton é uma moto diferente e chama muita atenção por onde passa

Uma clássica com qualidades atuais, a Thruxton é uma moto diferente e chama muita atenção por onde passa

Na concepção mais atual, empregando toda tecnologia disponível para cumprir com as normas vigentes, a Thruxton traz a imagem complementada por tudo que é preciso ter numa moto atual. Bons freios, motor elástico, econômico e fácil de conduzir, uma ciclística neutra e ainda assim remanescente às motos da época, o som grave e imponente do “British twin” e principalmente, os comandos na configuração atual, pois nessas motos, na época o câmbio era no pé direito e o freio no esquerdo.

Os comandos atualizados apenas não fazem justiça à Thruxton. Eles são de fácil atuação, bastante leves. O câmbio executa as trocas de marcha com bastante velocidade e a embreagem, sem ser pesada, acopla e desacopla o motor com rapidez esportiva. Afinal ela é uma esportiva de época.

Motor de aspecto retrô apresenta características de potência e torque atuais

Motor de aspecto retrô apresenta características de potência e torque atuais

Consumo poderia ser melhor, pela performance que o motor oferece

Consumo poderia ser melhor, pelo torque e potência que o motor entrega

O propulsor tem mais as características de uma moto atual, e se mostra muito linear. Não chega com uma aceleração muito grande, as relações das marchas são longas e assim é que você usa o motor: rotações baixas e trocas de marcha até a metade da faixa útil de rotação, até que se pretenda andar com maior velocidade. Dai você usa o lado das rotações mais altas, segunda metade do tacômetro, você tem mais aceleração e potência máxima.
Com pneus de dimensões proporcionais aos da época, o motor não poderia entregar a mesma aceleração, de uma moto da mesma cilindrada de hoje. Então a pilotagem é também como se fazia na época, sem grandes desacelerações na entrada das curvas e com aceleração moderada nas saídas.

Moto clássica tem geometria clássica - ângulo de rake pronunciado, com trail relativamente curto, deixa-a ainda com reações lentas para uma pilotagem no estilo das antigas

Moto clássica tem geometria clássica – ângulo de rake pronunciado, com trail relativamente curto, deixa-a com reações lentas para se obter uma pilotagem no estilo das antigas mas com boa segurança proporcionada pela estabilidade do chassi

Geometria distinta

A ciclística responde conforme essa premissa, também. Movimentos são lentos, caracterizados pela geometria da frente, com grande off-set. As mesas da direção, ao fixar a suspensão dianteira deixa grande distância entre o centro do canote da direção para a linha da extensão das bengalas, onde se afixa o eixo da roda. Essa grande triangulação era comum nas motos daquela época e junto com elas estão as características de uma moto muito estável nas retas e com boa resistência às mudanças rápidas de direção (trail longo). O estilo fluido da pilotagem clássica tem que ser aplicado nela. Grandes tomadas de curvas, pouco uso do pêndulo e contornos regulares estão entre as técnicas de pilotagem da época, que são as mais indicadas para a Thruxton; uma completa volta ao passado; as técnicas agressivas atuais não trazem bons resultados nela.

A pequena carenagem e os espelhos nas pontas do guidão dão a ela uma aparência única

A pequena carenagem e os espelhos nas pontas do guidão dão a ela uma aparência única

A aceleração moderada não é completamente condizente com a potência dos freios. Nessa questão a Triumph foi mais “liberal”. Freios com atuação condizente com as motos de hoje estão presentes nela, a pressão sobre os controles é menor e o resultado nas frenagens é bastante atual, não poderia ser diferente pois um dos maiores problemas naquela época eram os freios.

Outro problema estava relacionado com a suspensão e como o chassi respondia ao seu funcionamento. A Thruxton tem o mesmo chassi da Bonneville, apenas com o viés do centro de gravidade do conjunto moto-piloto mais para frente, por causa do seu posicionamento e a mudança na geometria que a roda maior oferece.

O chassi de berço duplo tem toda característica de um chassi clássico britânico, mas há um detalhe importantíssimo que é a colaboração mais intensa do motor na estrutura frontal. As duas barras que se ligam ao motor pela frente estabiliza a dianteira da moto em padrões muito atuais, permitindo uma atuação da suspensão de forma que não haja flexões importantes refletidas no chassi da moto.

O chassi é o mesmo da Bonneville, alterando apenas a dimensão da roda dianteira. Com isso a geometria se altera para uma melhora da dirigibilidade, associada com a distribuição de peso que a posição do piloto oferece.
Mais apoiado sobre as barras do guidão e com as pedaleiras mais para trás, essa posição, tipicamente café, faz com que as duas rodas tenham uma proporção de distribuição de peso mais igualitária e assim apresenta mais esportividade também. Os espelhos nas pontas das manoplas podem aumentar a largura da moto e atrapalhar no fluxo do trânsito, mas é um detalhe diferente e atraente. O banco tem boa altura e se você retirar a capa da rabeta ainda oferece conforto razoável para um(a) garupa.

Ao preço médio (FIPE dez/15) de R$ 33.490,00 ela se mostra como uma moto de estilo e com potencial para uma customização mais radical para que fique exatamente do seu gosto, super exclusiva.

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