Cash for Clunkers

Cash for Clunkers

Cash for Clunkers

O governo americano, no meio do atual e seriíssimo problema econômico, resolveu aproveitar um pouco para diminuir um pouquinho a parcela de culpa que os donos de carros grandes têm na emissão de poluentes, e criou um programa chamado Cash for Clunkers, através do qual o dono de um veículo muito beberrão de gasolina o venderia e o governo entraria com até US$ 4 500 para ajudar na compra de um carro novo e menor.

A quantia designada foi de US$ 1 bilhão e a idéia era que o programa durasse ao redor de um mês. Não aconteceu exatamente isso, mas muita coisa interessante sobrou dele.

Pelas regras, o programa iria de 1° de julho a 1° de novembro, o carro vendido (à revenda do carro novo) teria de estar funcionando, ter título de propriedade livre, valer até US$ 4.500 na revenda e ter quilometragem (km/litro) de acordo com os padrões da EPA, agência de proteção ambiental federal. Se o carro usado fizesse de 1,7 a 4,14 km/litro, o governo entraria com apenas US$ 3.500; se fizesse acima de 4,176 km/litro, o governo entraria com US$ 4.500

Com menos de uma semana, o bilhão já tinha sido gasto, e o governo acabou contraindo o tempo para um mês, durante o qual a quantia total passou a US$ 2,88 bilhões. Foram 690.114 carros, a uma média de US$ 4.184 por unidade, significando uma troca de veículos mais ou menos velhos que faziam em média 6,717 km/litro por outros mais novos que fazem 10,590 km/litro.

Dentre os carros mais vendidos, os que chamaram mais atenção foram os grandes importados, como Mercedes Classe-S, BMW Séries 5 e 7, Range Rovers e os domésticos Cadillac e Lincoln, além de muitas grandes picapes. Os mais comprados foram o Toyota Corolla, Honda Civic, Toyota Camry, Ford Focus, Hyundai Elantra, Nissan Versa, Toyota Prius e Ford Escape de tração dianteira (há o Escape de tração nas quatro rodas, cujo preço de lista é mais alto). Por marca, o percentual de compra foi de 19,4% do total para a Toyota, 17,6% para a GM, 14,4% para a Ford e 6,6% para a Chrysler.

Muitos americanos, provavelmente aqueles que não entraram no programa, ficaram bravos ao saberem que o Prius e o Fit não têm uma peça sequer feita nos Estados Unidos, que o Elantra tem 1% de peças locais, o Versa tem 18%, Corolla e Focus têm 65%, Civic, Camry e Accord 70% e que o Escape é o único 90% americano.


José Luiz Vieira, Diretor, engenheiro automotivo e jornalista. Foi editor do caderno de veículos do jornal O Estado de S. Paulo; dirigiu durante oito anos a revista Motor3, atuou como consultor de empresas como a Translor e Scania. É editor do site: www.techtalk.com.br e www.classiccars.com.br; diretor de redação da revista Carga & Transporte.