Polícia de Trânsito da Califórnia

CHIPs

Por Leonardo Mendes

Polícia de Trânsito da Califórnia

A série CHIPs da TV tornou a Polícia de Trânsito da Califórnia conhecida mundialmente

“7-Mary-3 e 7-Mary-4, suspeito se dirigindo a rodovia em alta velocidade, procedam com cautela”.

Durante seis anos (1977 a 1983) este chamado indicava uma coisa: qualquer um que se metesse a engraçadinho nas ruas e rodovias da Califórnia não ia ficar impune. “7-Mary-3″ e “7-Mary-4″ eram os códigos radiofônicos dos oficiais Jonathan “Jon” Baker (Larry Wilcox) e Frank “Ponch” Poncherello (Erik Estrada), personagens principais de uma série de TV que até hoje povoa o imaginário de fãs no mundo todo: CHIPs.

O que é “CHIPs”?

Erik Estrada e Larry Wilcox personificavam os heróis da série CHIPs da TV

Apesar de muitos associarem o nome da série à famosa batata frita, o nome da série vem de Califórnia Highway Patrol, com o “s” sendo acrescido para dar efeito fonético. Sob o comando do sargento Joseph “Joe” Getraer (Robert Pine), Baker e Ponch patrulhavam ruas e estradas da California sempre em dupla e pilotando suas Kawasaki Police.

Salvo por um ou outro, os episódios de Chips seguiam o mesmo padrão: Ponch, Baker e os outros oficiais recebiam orientações durante a reunião diária e saíam em patrulha, enfrentando um ou outro problema mais específico (um cassino ambulante, quadrilhas especializadas em fraudar seguros de carro, etc.).

Nem tudo, claro, era trabalho duro e estressante: havia sempre uma ocorrência mais leve, como carros quebrados, pequenas batidas e até mesmo um grupo musical chamado “As Gatas do Cadillac”, que fazia seus shows a bordo do referido veículo. Embora não tenha achado confirmação oficial, arrisco a dizer que a líder da banda era representada pela falecida cantora Laura Branigan, ícone musical da época.

As cenas de perseguição eram filmadas em rodovias que, na época, ainda não haviam sido abertas ao tráfego. A maioria das proezas com moto foi realizada pelos próprios atores, o que lhes rendeu uma coleção de ferimentos de todo tipo. Erik Estrada, inclusive, sofreu um sério acidente em 1979, tendo quebrado várias costelas e os dois punhos (o acidente e a hospitalização foram incorporados ao roteiro da série durante a temporada). Larry Wilcox saiu, por assim dizer, no lucro nesse quesito.

Chips

O carisma da dupla foi responsável pelo sucesso da série

Por trás das câmeras Embora Baker e Ponch fossem grandes amigos, o mesmo não se podia dizer a respeito dos dois atores. À medida que a popularidade de Estrada crescia (750 cartas por semana), Wilcox se sentia cada vez mais deixado de lado e inferiorizado perante o colega de elenco. Os produtores da série não faziam questão de disfarçar o favoritismo em torno de Estrada, inclusive dando a ele um Rolls-Royce. Foi à conta: Wilcox se desentendeu com eles e abandonou a série no fim da quinta temporada.

E mesmo o queridinho Estrada também mostrou que podia ser uma fonte de problemas. Na quinta temporada Ponch foi substituído algumas vezes pelo oficial Steve McLeish (Bruce Jenner), visto que Estrada estava no meio de um briga contratual.

Sem Jon Baker para a sexta e última temporada, o jeito foi chamar um substituto e o escolhido foi Bobby “Hot Dog” Nelson (Tom Reilly). Estrada, que já não o via com bons olhos, ficou mais incomodado ainda quando Reilly foi preso por porte de entorpecentes durante um comando de trânsito. Reilly aparece em poucos episódios, sua ausência sendo coberto pelo ator Bruce Penhall no papel de Bruce, o irmão mais novo do personagem Bobby Nelson.

Chips 99 – O filme “Reunion”

Chips

CHIPs, a polícia de trânsito californiana

Quinze anos depois do fim da série, Wilcox e Estrada aparentemente colocaram as diferenças de lado e produziram o filme para TV “CHIPS 99″, com quase todo o elenco original da série. No filme Baker já é capitão e Ponch, viúvo e com um filho, volta a CHIPs depois de 15 anos de ausência. Reatando a antiga parceria, eles vão atrás de uma gangue especializada em roubar carros de luxo. Caso se interesse em conferir o filme, já vou avisando: o filme, com boa vontade, é nota 5. Vale mais pela nostalgia do que por outra coisa.

Legado e curiosidades

Além de se consolidar como série de sucesso, “CHIPs” também serviu para incrementar a imagem dos patrulheiros rodoviários nos EUA e mesmo os de outros países. Muito disso se deve à química entre os atores que, a despeito de seus desentendimentos, formavam uma parceria excelente. Não é exagero dizer que Baker e Ponch se tornaram um sinônimo de patrulheiros motociclistas durante a exibição da série e mesmo nos anos seguintes.

Kawasaki Police

As Kawasaki Police eram estrelas coadjuvantes da série

Curioso notar que, ao contrário da crença disseminada pela série, os patrulheiros da verdadeira California Highway Patrol raramente rodam em pares. O roteiro resolveu isso colocando Ponch em estado probatório e Baker como seu oficial responsável durante a primeira temporada. Posteriormente Ponch saiu do probatório, o que dispensaria a necessidade de andar ao lado de Baker, mas a imagem dos dois policiais trabalhando juntos já estava consolidada.

Chips

Os CHIPs foram os heróis de uma geração

Antes de ser escalado para a série, Erik Estrada não tinha qualquer experiência com motos. Foi necessário um curso intensivo de oito semanas para que ele aprendesse a pilotar. O mais irônico é pensar que ele, que interpretava um agente da lei na série, não tinha carta de motociclista na vida real. Só foi conseguir tirar a carta depois de três tentativas, em 2007, para participar do reality show “Back to the grind”.

Dado o sucesso da série com as crianças, a Glasslite lançou uma linha de brinquedos temáticos. Foi a primeira vez no Brasil que se usou o merchandising como forma de obter lucros com uma série de TV. Ainda nos anos 80 Larry Wilcox esteve no Brasil, tendo aparecido em comerciais da época e programas de TV devidamente trajado como o patrulheiro Baker.

Patrulhando as estradas californianas a bordo de motocicletas Kawasaki Police

Com motocicletas Kawasaki Police patrulhando as estradas californianas

Embora Ponch tenha se tornado o símbolo da série, Baker também cravou sua lembrança no imaginário dos fãs. O sinal radiofônico “7-Mary-3″ usado pelo personagem se tornou uma espécie de ícone, sendo inclusive usado para dar nome a uma banda. Ponch usou o sinal “7-Mary-4″ até a sexta temporada, quando passou a ser “7-Mary-6″.

De 1977 a 1982 o elenco da série contou com a presença do ator Michael Dorn, que se tornaria famoso anos depois ao interpretar o klingon Worf em “Star Trek – A nova geração”.

Há projetos para um remake de CHIPs desde 2005, mas que até agora não saiu do papel, deixando os fãs da dupla ansiosos para ver seus heróis do passado de novo em ação nas telonas.

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Matéria publicada originalmente em janeiro de 2009.