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O que (quase) ninguém vê no Rally dos Sertões

Acompanhar de perto uma prova importante como o Rally dos Sertões, ainda que seja apenas a fase de preparação dos pilotos e equipes e o prólogo, aquela prova que determina a ordem de largada na primeira etapa, permite flagrar um lado da competição que dificilmente abre espaço no noticiário regular.

Nas andanças que fiz pelo Autódromo Internacional de Goiânia, onde foi feita toda essa fase inicial do Rally dos Sertões, encontrei um lado da prova que não é apenas a competição em si, que exige tecnologia das máquinas, empenho das marcas e técnica dos pilotos, que arriscam tudo para percorrer uma etapa especial no menor tempo possível para vencer.

UTVs crescem e atraem pilotos de carros e de motos;  para uns eles são mais baratos e para outros, mais seguros. Enquanto isso, os quadriciclos minguam...

UTVs crescem e atraem pilotos de carros e de motos; para uns eles são mais baratos e para outros, mais seguros. Enquanto isso, os quadriciclos minguam…

Há um lado que passa despercebido e que ilustra com perfeição o que é ter sido picado pelo vírus do motociclismo, da competição e do desafio. É certo que há vários exemplos disso, mas para homenagear todos estes heróis anônimos que deixam tudo de lado pelo prazer de participar da maior competição off-road do Brasil, resolvi mostrar alguns aqui neste pequeno espaço.

Começo com o piloto que decidiu entrar na competição pela primeira vez. João Marcos Ferrari, de 52 anos (e 3 casamentos), que se juntou ao Mandacarú Rally Team e decidiu colocar sua KTM 450 EXC Six Days para disputar a prova na categoria Over 45. O detalhe é que ele nunca fez enduro ou rally, apenas trilhas com os amigos e sempre perto de casa. Ferrari terminou o Rally na 37ª posição na classificação geral das motos.

Ferrari e Paschoalin: a primeira vez a gente nunca esquece

Ferrari e Paschoalin: a primeira vez a gente nunca esquece

Outro “case” curioso é o de Rafael Paschoalin, piloto de motovelocidade que nunca pilotou e navegou ao mesmo tempo antes e decidiu encarar o Sertões mesmo assim. Movido a desafios e dizendo ser um sonho participar do Rally dos Sertões, Paschoalin falou que nunca ter navegado antes não era um problema. “Vou ter 250 km de deslocamento para aprender”, falou justamente antes da largada da primeira etapa a bordo de sua Yamaha TTR 230. Paschoalin correu na categoria “Selfie”, onde os pilotos não contam com equipes de apoio e eles mesmos fazem a manutenção de suas motos. Paschoalin terminou o Rally na 51ª posição na classificação geral das motos.

Zé Hélio e a única moto 2T do Sertões, a Husqvarna TX; apoio dos amigos da Shiro Capacetes na largada

Zé Hélio e a única moto 2T do Sertões, a Husqvarna TX; apoio dos amigos da Shiro Capacetes na largada

Há também a dupla de super heróis – Superman e Flash – que levam seus super poderes para a prova junto com seus quadriciclos Yamaha na equipe BPM Race Team. Aliás, vale lembrar duas tendências notáveis no Rally dos Sertões. A primeira é que a categoria quadriciclos parece caminhar para o desaparecimento enquanto que a dos UTVs cresce rapidamente. A explicação, segundo o diretor geral do Sertões, Marcos Moraes, é que para pilotos de carros, os UTVs são muito mais baratos e seguros, enquanto que para os pilotos de motos e quadriciclos, os UTVs se mostram muito mais seguros e menos desgastantes. A propósito, Flash foi 34º e Superman terminou em 58º na classificação geral.

Super poderes pelas trilhas do Sertões

Super poderes pelas trilhas do Sertões

Faço um registro destacado para as 3 heroínas que encaram o Sertões de frente com suas motos e provam que gênero não é um impedimento para a participação feminina. Puxadas pela experiente Moara Sacilotti, que corre com sua KTM EXC 350F na categoria Super Production, Janaina Souza e Libera Costabebber, ambas com Honda CRF 230, também correram a prova na categoria Selfie. Registre-se que Janaina terminou a prova em 32º, Libera em 38º e Moara na 40ª posição na classificação geral.

Janaina e Libera: lugar de mulher é no Rally dos Sertões

Janaina e Libera: lugar de mulher é no Rally dos Sertões

Por fim, a única moto na competição equipada com motor 2T foi a Husqvarna TX do experiente José Hélio, da equipe Ze e os Caras, cinco vezes campeão do Sertoes, que estava na briga pelo “top 5″, mas foi vencido pela etapa maratona, deixando qualquer possibilidade de lutar por boa posição. A nota interessante é  que entre as primeiras cinco motos que finalizaram a prova, 4 marcas diferentes: Honda, Yamaha, Honda, KTM e Kawasaki. E um campeão inédito, o mineirinho de Lavras Tunico Maciel. Até a 27ª edição do Rally dos Sertões!!!

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Sidney Levy

Motociclista e jornalista paulistano, une na atividade profissional a paixão pelo mundo das motos e a larga experiência na indústria e na imprensa. Acredita que a moto é a cura para muitos males da sociedade moderna.